Todos os dias chegam ao nosso conhecimento notícias horríveis sobre as desgraças que acontecem no mundo. No país onde estamos, com certeza, há várias mídias que incessantemente nos lembram das consequências dos nossos pecados sob o nome de “violência”. Infelizmente esses pecados se estendem por toda humanidade e, por causa deste pecado e da velocidade com que tomamos conhecimento das notícias, corremos o risco de cair em um desespero profundo, ou em um pânico de tudo.
Pior, alguns de nós não nos comovemos mais com as desgraças nem com o medo, em vez disso, ficamos indiferentes! E esta é nossa pior postura como cristãos. Não sofremos mais pela dor do outro, mas apenas por aquilo que mexe com nossos interesses. Disse o Pe. Ermes Ronchique que “o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença”. Diante dessas duas realidades, de desespero ou indiferença, o que podemos fazer? Como podemos amar o mundo e não sermos indiferentes a dor da humanidade que geme e sofre?
Nos últimos dias a midia tem voltado mais sua atenção à guerra na Síria. Isso não quer dizer que os problemas desse país começaram apenas agora. Sabemos de longas datas (pelo menos desde 2011) das atrocidades e crimes civis que acontecem todos os dias naquela região. Estamos tão distantes desses países em guerra e, talvez um dos motivos pelos quais caímos na indiferença seja a aparente incapacidade de fazermos qualquer coisa ao respeito. Contudo, como cristãos, não podemos cair nessa armadilha. Ao contrário, devemos deixar “cair a ficha” de que estamos inseridos em uma guerra sem tanques, sem bombas e sem gases tóxicos – trata-se de uma guerra espiritual! Lembrou-nos Emmir Nogueira em 2017:
“Há uma guerra permanentemente travada no mundo espiritual, entre os anjos e demônios. E as consequências se abrem sobre nós. Tudo o que a sociedade vive hoje é um reflexo disso. Como cristãos, batizados, nós não estamos desassistidos. Devemos chamar Nossa Senhora e ela vem em nosso auxílio. Maria é a vencedora de todas as batalhas interiores, na sociedade e as espirituais. Tolo é quem não recorre a ela. Na batalha que você está vivendo agora, reze o terço, que você vencerá essa batalha” (Emmir Nogueira).
Esta batalha não diz respeito apenas aquilo que está próximo, mas também aos nossos irmãos, nesses países que vivem a guerra de sangue. A oração, que “governa o mundo” (Cf. Santa Teresa D’ávila), pode governar o coração dos homens, cessar a guerra e instaurar a pessoa de Jesus Cristo na sociedade! Podemos, pelo poder da oração abrir espaço para que Cristo reine nas nações.
Estando a oração como fonte principal da nossa ação de irmãos, fincados em rocha firme, partimos, então, para evangelização e para as obras de caridade ao nosso alcance. A evangelização assegura que a verdadeira paz não está:
“[…] na paz que o mundo oferece, ou que os homens ingenuamente querem estabelecer, baseada somente em si próprios, como uma simples conquista da humanidade, pelo estabelecimento da “justiça humana”, ou apenas pela ausência de guerra. Não a paz que o mundo dá, pois ela não é verdadeira, é uma ilusão que engana o coração do homem, mas a paz que Jesus traz (Jo 14, 27), a paz da reconciliação com Deus, a paz da conversão, do voltar-se para Jesus, de reconhecê-lo como Salvador e Senhor da humanidade, único caminho da verdadeira paz, da verdadeira justiça (o Evangelho), do verdadeiro amor”. (Escrito Shalom, p.63).
Evangelizamos, além do anúncio explícito de Jesus Cristo, pelas obras de caridade. Se não conseguimos abraçar as crianças na Síria que sofrem e não conseguimos dar dignidade aos que já a perderam na guerra, nem dizer que existe uma vida após a morte aos moribundos, temos aqui, bem perto de nós, os orfanatos, as crianças que não têm onde morar, onde estudar, o que comer; temos os irmãos que passam fome e não tem o que vestir e são marginalizados pela sociedade; temos os irmãos enfermos, sozinhos nos leitos dos hospitais, ou abandonados em um quarto dentro de suas próprias casas. Temos o nosso próximo, enfim, para sairmos de nós mesmos e através do socorro dado a eles, alcançar, de forma misteriosa, aqueles que sofrem e permanecem em desespero.
Por fim, mesmo com todas as orações do mundo, mesmo com todas as obras de caridade possíveis, se não vivermos o amor, não teremos feito nada! Sabe como podemos amar? Destruindo os muros de divisão entre nós, perdoando aqueles que nos ofendem, amando aqueles que são difíceis de amar! Eis os verdadeiros inimigos que devem ser destruídos: a indiferença, a desesperança, o rancor e o ódio! Assim venceremos a guerra!
O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá feno com o boi… Não se fará mal nem violência em todo o meu monte santo, diz o Senhor (Isaias, 65, 25).
