Ela é linda! Cabelos bem tratados, pretos e longos, focada nos estudos e centrada na alimentação. Tudo que faz é com vigor e organização, aos 16 anos, um exemplo de “determinada determinação”. Chegou então, o tempo de tirar a carteira de motorista e, como é de sua personalidade, determinou que queria um carro, queria liberdade, a independência, viver aventuras.
Tudo aconteceu às mil maravilhas. Tirou a carteira em um carro com ar condicionado, hidramático, dois pedais e direção hidráulica. Um luxo! E eu aqui pensando… sabe aquele compartimento, que hoje é chamado de porta trecos ou porta documentos, por muito tempo se chamou porta luvas! Lembro do esforço de minha mãe, para estacionar ao conduzir com luvas de couro, o nosso Opala azul, carinhosamente apelidado por meu avô de “Transatlântico”. Fazia isso tudo com maestria, sem ar condicionado, ou quaisquer acessórios dos veículos modernos.
Recordações a parte, a garota finalmente ganhou o carro. Vermelho, modelo esportivo, usado. Porém, para seu desespero total, precisava aprender a passar as marchas. Precisava conhecer o terceiro pedal e, ao mesmo tempo, assumir o controle do carro. Pânico, era pouco para definir o momento, o limiar da alegria da liberdade e a raiva de se sentir impotente.
Ameaçada pela mãe de perder o carro, caso não se esforçasse e vencesse a barreira, se empenhou. Choros, ranger de dentes, dores de cabeça e muitas tentativas, mas muuuitas tentativas. Até chegar ao ápice central: a baliza. Coloca o carro, tira, entra, sai, pisa na embreagem, ré, estanca, tira o pé da embreagem, FREIA, estanca novamente, sai, chora, ré, VAI, freia, enrola, PARE, desenrola, pisa na embreagem…. Conseguiu! “Tudo passa”. Parece cômica a situação que acompanhei de perto. Mas, nessa história toda, descobri um detalhe muito valioso, o sentido da oração.
Baluarte da vocação Shalom, Santa Tereza D’Ávila, modelo de oração, nos ensina a ter oração na vida, fazendo dessa prática uma comunhão com Deus. Muitos desafios se levantam diante de quem se decide por uma vida de oração. A carne resiste quando não se escolhe Deus em primeiro. Nas balizas da vida, ter Deus como referência, nos guiando e orientando quando devemos frear ou acelerar, desviar ou entrar, mesmo em meio as dores, nos traz uma profunda confiança em nossos atos, se optarmos pelas práticas diárias e a determinação da oração.
Orar é um grande ato de humildade a ser feito com piedade, como diz Santa Teresa, não é fácil, mas que nenhuma tentativa seja em vão, “ a paciência tudo alcança”! A verdadeira liberdade não se resume em saber dirigir a própria vida ou conduzí-la de qualquer forma ou muito menos dar ouvido às vozes dos “flanelinhas”, que te auxiliam por algo em troca, mas sim, viver uma amizade profunda com o Amor, que não nos abandona e sempre nos leva para a melhor direção! No caminho de perfeição, sem nos reprovar. “Só Deus basta!”
Que Santa Teresa de Jesus, interceda por nós na caminhada, no nosso parar na via da oração, sempre nos conduzindo às conquistas dos planos de Deus em nossas vidas.
Angela Barroso