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E o primeiro lugar vai para… o terceiro!

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Elizabeth Ruiz/AFP

Certa vez, um domingo de manhã, liguei a TV para ver algo. Canal vai, canal vem, pouca coisa interessante e acabo me decidindo por assistir uma maratona que estava sendo transmitida. Acho bacana maratonas. Não sei se teria tanta predisposição para tamanho esforço, mas enfim, acho legal.

Acabei me recordando das minhas maratonas na época de criança. Corria muito. Eram as competições da minha vida. Os joelhos beiravam tocar o queixo tamanha a velocidade que eu alcançava. Eu não queria perder. Perder é ruim.

Somos todos educados assim, a, infelizmente, não querer perder, a detestar os últimos lugares. Eu é que não queria ser o último. Crianças geralmente sabem como caçoar umas das outras, principalmente, daquelas que perdem.

Cresci e graças ao evangelho e seu Autor aprendi que perder não é tão mau assim. Que os que aceitam perder em vista de Deus ganham também uma medalha, um tesouro. Quase sempre invisível, mas imperecível. Isso é o que conta.

Voltando às maratonas. Acho legais aqueles filmes de superação onde o competidor está quase chegando no fim da prova, com a vitória a um palmo de distância, e volta para ajudar alguém que se machucou, ou que não conseguirá concluir a prova por alguma razão. Heroico. A ficção tem disso. Mas por que a vida real também não?

Que tal se deixássemos essa sede de vitória apenas para as competições? Lembremos! A vida não é uma competição, embora o mundo constantemente grite isso. Não precisamos ver o outro como adversários. Sim, alcançar vitórias na vida é importante, mas, às vezes, ser auxílio da vitória do outro nos faz muito mais felizes. Felizes terceiros: onde Deus é o primeiro, o irmão o segundo e eu o terceiro. Somos, no fim das contas, uma grande equipe, uma humanidade. Jogar em vista de um bem comum é bem mais valoroso do que gastar todos nossos esforços apenas nos nossos objetivos.

Aprendamos com os atletas. Seja a perseverança em meio às derrotas, a disciplina dos treinos, e não queiramos agregar apenas o espírito de competitividade. Como diria São Paulo, o grande atleta de Cristo, nos esforcemos acima de tudo para a coroa imperecível, aquela que não passa. Aprendamos a ser os felizes terceiros e conquistemos esse grande prêmio.

A maratona acabou. A vitória foi de um queniano. Desliguei a TV e abri um livro. Às vezes, uma opção bem melhor. Folheando me deparei com uma frase. É de Santa Teresa de Calcutá. Ultimamente, ela tem presenteado minha vida com sua sabedoria, sua coroa imperecível. Essa grande feliz terceira, que viveu para o outro nos diz:

“O sucesso não é uma palavra cristã, pois o Cristianismo começou no fracasso da cruz”.

Reflitamos!

Guilherme Rocha


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