A infância de muitos foi acompanhada por inúmeras músicas que perpetuam na memória até hoje. É difícil encontrar alguém que não saiba cantar o tão famoso “Comer, comer! Comer, comer! É o melhor para poder crescer!”. De fato, uma boa alimentação na infância faz toda a diferença. Acontece que tem gente que parece ter internalizado isso, tornando estes versos (principalmente o “comer, comer”) um verdadeiro rhema de vida. Com isso, algo tão bom que é alimentar-se, pelo exagero, tornou-se um pecado: a gula.
A Igreja desde seus primórdios nos incentiva a prática do jejum, prática essa tão valorosa, mas que parece se perder nos tempos modernos. No Antigo Testamento, o jejum era associado ao reconhecimento da limitação do homem e do seu próprio pecado. Jesus nos diz no Seu evangelho que existem demônios que só serão expulsos pelo jejum e a oração. Ele mesmo passou 40 dias no deserto sob uma rigorosa abstinência de alimentos.
Bento XVI acerca do jejum nos diz: “A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor”.
Tem gente que não vê mal algum em comer de forma demasiada. Contanto, é interessante vermos o que São João Clímaco fala sobre a gula. O santo afirma que este pecado capital dá à luz a vários filhos, uma família grande por sinal.
“O meu filho primogênito é o espírito da fornicação; depois dele, em segundo lugar, vem a dureza de coração e em terceiro lugar o sono. Depois, é de mim que provém o mar dos maus pensamentos, as ondas da imundície, o abismo das impurezas desconhecidas e inomináveis! Minhas filhas são a preguiça, o mexerico, o atrevimento, a chacota, a bufonaria, a contestação, a birra, a desobediência, a insensibilidade, a escravidão, a autossuficiência, a arrogância, exibicionismo, e depois destas vem a oração impura, os pensamentos agitados”.
Olhando por esse lado, para a descrição de São João Clímaco, parafraseio Caetano Veloso, “é que um jejum, às vezes, cai bem”. Na verdade, às vezes não, mas como a Igreja no pede, nas quartas e sextas. Há muitas formas de se praticar o jejum. Você pode retirar uma das refeições; pode fazer o jejum de líquidos, enfim, várias opções, mas é tema de outra pauta.
Termino com mais uma motivação de Bento XVI:
“Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus”.
Guilherme Rocha.