“Acordo cedo, beijo o tau”, diz a música. Assumo o compromisso de abraçar as cruzes do dia, de ser inteiro(a), de suplicar a Graça sempre que minha força falhar. Nas ofertas escondidas e silenciosas o bom Deus está sempre a cuidar de nós.
Confiar que com o dia raiando, nova luz se faz outra vez. Nova chance de recomeçar, ser, aprender, viver e se entregar. Novo motivo para encontrar-se com a felicidade que está dando voltas nos quarteirões da vida – esperançosa em nos encontrar.
Os mimos de Deus começam às vezes bem cedo.
Ele encanta, sussurra palavras que fazem nosso coração transbordar, como que num silêncio inebriante. Surpreende-nos quando achamos que nada mais é possível, arrasta-nos a Ele, aproxima-nos de seu peito, como a terna imagem do Discípulo Amado. Convence-nos num olhar de que vale segui-lo porque já nos ensinou onde mora a Verdade – Nele mesmo.
“Buscar-me ei em Ti, Buscar-Te ei em mim”, será sempre a ponte certa pra nos achar.
Ele nos reconstrói, revela-se, corrige como quem afaga com o carinho de penas macias. Forma-nos com a firmeza de um pai e a ternura de uma mãe. Faz-nos rir de nossas próprias falhas, ensina-nos que aproximar-se Dele é ser um pouco mais luz, mais verdade, mais irmão, todos os dias. Nem todos são fáceis, bem sabemos! Mas se podemos ir beber do Cálice que nos salva, por que esperar? Porque não comer do alimento que acalma, conforta e sossega a alma, se bem sabemos onde O encontrar?
Ah, estamos isolados, mais próximos de nós mesmos! Oportunidade melhor não há, para, no silêncio, descermos às profundezas de nós mesmos, acompanhados Dele, que venceu a morte!
Caminhemos com Jesus o nosso calvário de hoje, certos de que Pentecostes chegará.
Jesus tem pressa de promover o Encontro. Veio até nós! A todos, sem distinção! Que a espera gere em nós uma vontade purificada, ampliando nossa visão de que tudo que vivemos passará. Em Deus, é sempre tempo de recomeçar.
Ele continua a se dar a nós, Vivo, todos os dias: na Palavra, na intimidade do encontro. Na entrega do coração que se assume pobre, pequeno, incapaz e impotente.
Deus se agrada de quem se faz filho, criança, necessitado de colo. Caminho mais florido para retornar ao primeiro amor.
Ele nos espera pequenos: no orgulho e na vaidade, mas grandes na confiança e no abandono.
Corações assim, por certo, encontrarão oásis em meio aos desertos do caminho.
As delícias desse Pai bondoso são pra todos, cabe a nós pedir: Sim Pai, dá-me de comer.
E assim Nele recomeçar.
Elisangela Assis
