Ainda quando discípulo, foi discernido para assumir o economato da missão de João Pessoa, uma surpresa pela relevância da responsabilidade, inclusive o ecônomo deve fazer parte do conselho local, fato que no meu caso não podia acontecer porque ainda era apenas um discípulo. E a surpresa ainda maior, tendo em vista que a vivência da pobreza era o ponto que tinha mais dificuldade nos aspectos do carisma, não entendia por exemplo a devolução de 15% se a recomendação bíblica era de 10%. Tinha a certeza de que uma grande obra de conversão, nosso Senhor teria que realizar e me capacitar para a missão que Ele me confiava.
Um fato marcante foi justamente que nesta mesma época, um cliente que tínhamos de locação de impressoras que simbolizava 25% do faturamento da empresa cancelou o contrato, pensei imediatamente que era uma provação por conta do sim a nova missão e também que a providência Divina iria acontecer em abundância. E em pouco tempo iriamos fechar outro contrato superior ao perdido, esta era a ideia de providência que tinha.
Cheguei ao final do ano e nada disso aconteceu, porém diante do Senhor, rezando com tudo isso para entender a situação, cheguei à conclusão de como age a providencia. Com 25% a menos no faturamento, devolvendo 15% de comunhão de bens, passei a dedicar a sexta-feira para resolver as questões da comunidade, no caso, um dia em cinco dias úteis da semana. O que simbolizaria 20% de meu tempo e a conclusão inspirada pelo Espírito Santo foi que na verdade cheguei ao final do ano e olhando para traz percebi que a minha vida familiar, financeira, profissional em nada tinha alterado.
Não deixei de pagar nada, nada faltou para a família, apesar de todos estes percentuais que mostravam que não iria dar certo. Foi então que entendi o que é a PROVIDÊNCIA DIVINA.
Viver a providência é estar abandonado nas mãos de Deus, que não é uma relação matemática, tanto faz devolver 10%, 15%, 50% é Deus quem cuida, são os anjos que nos ajudam na administração. A partir deste episódio, aprendi que ser ecônomo não era fazer muitas contas, mas está muito tempo aos pés daquele que nos conduz e buscar não ser apenas um bom administrador, mas um homem de fé e discernimento da vontade de Deus.
Outro importante aprendizado, foi a dificuldade de pedir, por vergonha, orgulho, mas a necessidade me impulsionava apesar de tudo. Lembro bem de um fato que mudou esta postura. Em uma necessidade especifica pedi a Deus que me mostrasse a quem deveria pedir uma doação, daí me lembrei de um cliente e acreditei que o Senhor me enviava para pedir a ele, para minha surpresa, nada consegui, mais o Senhor me dava o entendimento que deveria insistir porque ele é quem necessitava desta experiência. Voltei e disse a ele que Deus estava lhe dando uma oportunidade de contribuir com a construção de seu reino, apesar de não necessitar dele, mas ele é quem
necessitava desta graça. E vi o quanto Deus operou em sua vida a partir desta doação.
Hoje, não tenho nenhuma dificuldade em pedir, na certeza do bem e da oportunidade que estou levando para aquela alma, talvez a única que pode determinar a sua salvação. Claro que é um pequeno resumo, destes 6 anos, poderia citar ainda muitas experiencias que tive a oportunidade de vivenciar. Posso afirmar que Deus capacita os que Ele escolhe, não faz parte da pedagogia de Deus escolher os que já são capacitados, para deixar claro que é a sua graça que age poderosamente.
Estou deixando o ministério, muito mais amadurecido na fé do que entrei, esta é a minha maior recompensa, ainda não sei o que Deus tem para mim para esse ano, sei apenas que Ele estará mais uma vez a frente, e eu tentando não atrapalhar a sua obra.
Shalom!
Ivanilson Lucena.
