Formação

Eis o Cordeiro de Deus, o Filho de Deus!

2º Domingo do Tempo Comum (Jo 1,29-34)

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Entramos no Tempo Comum. Paramentos verdes, vida ordinária, rotina retomada. E é justamente aí, na normalidade, que o Evangelho nos coloca diante do essencial: João Batista vê Jesus aproximar-se e aponta, sem rodeio, o centro da nossa fé. Não apresenta uma ideia. Testemunha sobre uma Pessoa, Jesus.

O texto é curto, mas cada frase é um mundo. Como temos feito, propomos abaixo cinco pontos que podem lhe ajudar a meditar e rezar com este Evangelho, baseados no podcast (https://www.youtube.com/watch?v=3TbgBgM-o-Y ), com a legenda que você pode selecionar conforme o idioma que desejar.

  1. A aproximação de Jesus

João viu Jesus aproximar-se dele...” (Jo 1,29a). Jesus se aproxima. A iniciativa é de Deus. Ele é o Emanuel, o Deus conosco, (cf. Mt 1,23) do Natal. Ele caminha na direção do homem e isso muda tudo. A vida cristã não começa com a nossa performance religiosa, começa com a vinda do Senhor até nós.

Pergunta direta para o coração: eu percebo Jesus se aproximando de mim ou eu já me acostumei a viver como se Ele estivesse longe?

  1. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo

João não diz: “Eis o mestre”, ele mostra: “Eis o Cordeiro…” (Jo 1,29b). Bento XVI afirma que a palavra “cordeiro” (talia) em hebraico pode significar tanto o animal como “servo”.  Ao apontá-lo como o Cordeiro, João está lembrando que Cristo é o servo sofredor, que vai tomar sobre si os pecados de todos (cf. Is 53,7) e é também o Cordeiro pascal (cf. Ex 12; 1Cor 5,7; 1Pd 1,19). Jesus assume para si o peso do mal e o vence com seu sacrifício na cruz. 

E o Evangelho fala no singular: “o pecado do mundo”. Não apenas a soma de pecados, mas a raiz do mal que desfigurou o coração humano e contaminou sua história. Aqui está a Boa Nova: Jesus não veio para fazer um comentário sobre o pecado, veio para tirar o pecado e isso inclui o meu.

  1. O testemunho de João

Eu vi e dou testemunho.” (Jo 1,34). João não está opinando, está testemunhando aquilo que viu e constatou como sinal. E a palavra “testemunho” (mártir, em grego) é exigente: não é discurso, é vida. O testemunho cristão não é propaganda, é fidelidade, é dar a vida (martírio) se não com o sangue pelo menos nas pequenas cruzes e sofrimentos do dia a dia.

E eu? Tenho testemunhado Jesus com escolhas concretas, com coerência, com mansidão firme, com coragem para não negociar a fé?

  1. O sinal do Espírito Santo

João reconhece Jesus por um sinal: o Espírito que desce e permanece sobre Ele como uma pomba. Não é só um toque momentâneo. É permanência. É unção. É missão.

E João conclui: “Este é quem batiza com o Espírito Santo” (Jo 1,33). Cristo, um com o Pai e com o Espírito irá não somente prometer o Espírito (cf. Jo 14,16-27), mas dará o Espírito (cf. Jo 20,22). A fé não é só aprender sobre Deus, é receber a vida de Deus.

  1. “Este é o Filho de Deus”

Chegamos ao ponto principal: Jesus é o Filho de Deus. Ele não é apenas um profeta, ou um Mestre de Israel, ou um Guru inspirador. Jesus é o Filho de Deus. E alguns séculos depois os cristãos vão declarar solenemente: Jesus é Deus de Deus, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai (Credo niceno-constantinopolitano).

Aqui a alma precisa ajoelhar. Quando a Igreja professa a verdade sobre quem Jesus é, ela não está recitando uma fórmula fria. Ela está segurando a nossa fé pelo braço para não cair no “Jesus do meu jeito”.

No começo do Tempo Comum, o Evangelho não nos dá algo secundário. Ele nos entrega o essencial: olhar para Cristo e reconhecê-lo. João aponta e diz: “Eis”. A vida cristã começa aí.

Lectio Divina, para rezar com a Palavra

  1. Leitura (o que o texto diz?)

Leia Jo 1,29-34 devagar, se possível à meia voz. Observe as repetições: “vi”, “testemunho”, “Espírito”, “permaneceu”, “Filho de Deus”.

  1. Meditação (o que o texto me diz?)

Onde eu preciso reconhecer Jesus se aproximando de mim hoje? 

Que título de Jesus mexe mais comigo: Cordeiro, Servo, Salvador do pecado, Filho de Deus?

  1. Oração (o que eu digo a Deus?)

Fale com Jesus com simplicidade: peça um coração desperto e humilde. Peça para não se acostumar com a presença d’Ele.

  1. Contemplação (o que Deus faz em mim?)

Fique em silêncio. Repita lentamente, por dentro: “Eis o Cordeiro de Deus.” “Jesus, Tu és o Filho de Deus!”

  1. Ação (o que eu vou viver?)

Escolha um gesto concreto de testemunho nesta semana: uma reconciliação, uma confissão bem-feita, uma caridade escondida, uma fidelidade simples que ninguém aplaude, mas Deus vê.

Até a próxima semana!

Shalom!

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