Formação

Eis que chega o vosso Deus, ele mesmo vai salvar-vos – Texto para oração (1ª semana)

O Advento nos conduz à forte experiência com o Senhor. Portanto, façamos uso dos sinais, sejamos atentos ao que Igreja, em sua grande sabedoria, dá-nos a cada tempo litúrgico.

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“Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda.” Neste tempo Litúrgico, a Igreja nos faz este convite por meio do Profeta: “eis que chega o vosso Deus; ele mesmo vai salvar-nos”. Para isso, a Igreja, que é rica em sinais, enxerga neles uma forma de relacionar-se com Deus, como nos ensina o Catecismo da Igreja: “Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais por meio de sinais e de símbolos materiais. Como ser social, o homem precisa de sinais e de símbolos para comunicar-se com os outros, pela linguagem, por gestos, por ações. Vale o mesmo para sua relação com Deus.” (CIC 1146)  

Entre os tantos sinais deste tempo litúrgico tão rico, está a cor roxa, que, diferente do roxo do tempo Quaresmal que nos chama à penitência, ao jejum e à oração, convida-nos a um recolhimento alimentado por uma forte esperança, uma purificação em preparação para a grande solenidade do Natal do Senhor. Vemos também a cor rosa no 3° Domingo do Advento, conhecido como domingo Gaudette, que representa uma alegria contida na espera do Senhor que virá. 

 Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia da Palavra nos volta para a segunda vinda Gloriosa de Jesus: “Em Jesus, “o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15), e convoca à conversão e à fé, como também à vigilância. Na oração, o discípulo vigia atento Aquele que É e que vem na memória de sua primeira Vinda na humildade da carne e na esperança de sua segunda Vinda na Glória. Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate, e é vigiando na prece que não se cai em tentação” (CIC 2612). Portanto, o Advento é tempo de grande vigilância, pois como nos ensina o Evangelho, não sabemos nem dia e nem a hora. Para isso evocamos no Advento a memória de João Batista. 

São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho. “Profeta do Altíssimo” (Lc; 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Como João Batista, somos chamados a ser uma voz que clama no deserto, a anunciar que o reino de Deus está próximo e preparar o caminho do Senhor. 

As duas últimas semanas nos prepararam para celebrar o Natal, grande mistério da encarnação do verbo. A liturgia da Igreja nas antigas Antífonas do Ó nos introduzem neste mistério: “Ó Sabedoria, Ó Adonai, Ó Raiz de Jessé, Ó Chave de Davi, Ó Oriente, Ó Rei das nações, Ó Emanuel.” 

Outro sinal muito visível neste tempo com que a Igreja nos presenteia é a Coroa do Advento. Esse símbolo é percebido a partir dos seus elementos. A coroa que é feita em círculos pode ter muitas interpretações. O círculo nos remete à eternidade, à unidade, ao tempo que não tem princípio e fim e a Cristo Alfa e Ômega. Os seus ramos são verdes e representam a esperança do Senhor que virá. Os ramos verdes são também um símbolo nórdico das folhas que não murcham no inverno e por isso mostram a persistência, a imortalidade, a vitória sobre a morte.

No centro estão as quatro velas que indicam as quatro semanas do Advento. Originalmente as cores das velas são o roxo e o rosa, que é a do 3° Domingo do Advento. Elas são acesas a cada semana gradativamente. Esse ato de acender as velas vai nos aproximando do grande mistério do Natal do Senhor. Cada vela possui um significado próprio na etapa da Salvação em Cristo.

No primeiro Domingo, a vela simboliza o perdão a Adão e Eva; Cristo, que por misericórdia desce à mansão dos mortos para dar aos nossos primeiros pais o perdão.A segunda vela representa a fé dos patriarcas Abraão Isaac e Jacó, que creram na promessa do Senhor da terra prometida. A terceira vela simboliza a alegria do Rei Davi, que simboliza o Messias, porque reuniu sobre o seu reinado todas a tribos de Israel assim como Cristo reuniu em si todos os homens; recordamos as palavras do anjo a Maria, quando disse que seu reinado não terá fim. A última vela é dos profetas que anunciaram um reino de Justiça e Paz: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz “(Isaías 9:6)

O Advento nos conduz à forte experiência com o Senhor. Portanto, façamos uso dos sinais, sejamos atentos ao que Igreja, em sua grande sabedoria, dá-nos a cada tempo litúrgico. E que fazendo uso dos sinais, nossos corações estejam atentos ao Senhor que virá. 

“Ó Emanuel,nosso rei e legislador,esperança e salvador das nações,Vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus.”  

Marcos Lopes – Missionário da Comunidade de Vida Shalom


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