Na noite deste domingo, 7, os brasileiros conheceram os deputados estaduais, os deputados federais e os senadores de seus estados. Alguns locais já definiram também seus governadores. Mas esse novo capítulo da história política do País não terminou de ser escrito, pois será preciso voltar às urnas para escolher os governadores que ainda não foram definidos e eleger de fato quem será o novo presidente do Brasil.
Na disputa que acontece no final do mês, dia 28 de outubro, estão Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Entre os resultados desse primeiro turno, um número chama atenção: 29 milhões de abstenções. Para muitos, a escolha de um candidato capaz de chefiar a nação não é fácil. Contudo, essas ausências revelam que uma parte significativa da sociedade preferiu omitir-se dessa decisão. Não é possível afirmar com precisão quais motivos levaram todas essas pessoas a não comparecerem às urnas. É necessário um estudo detalhado sobre isso.
O número de abstenções foi o terceiro maior dos resultados apurados: o primeiro candidato contou com cerca de 50 milhões de votos válidos, o segundo contou com pouco mais de 30 milhões, e as abstenções somaram 29.798.646 (99% das urnas apuradas). Esse número tem crescido já faz tempo em pleitos eleitorais e neste ano chega a ser comparado com as abstenções das eleições de 1994. Descrença na política é o que essas ausências revelam, segundo alguns especialistas. No entanto, vale refletir que se privar de participar de um momento tão importante para a democracia assemelha-se ao “lavar ar mãos” como Pilatos.
É importante salientar que não se trata de fazer apologia a isso ou aquilo, nem campanha para um ou outro candidato, mas contribuir para uma questão fundamental: a participação política do cidadão. E para isso, as palavras do Papa Francisco servem como base: “Em cada nação, os habitantes desenvolvem a dimensão social da sua vida, configurando-se como cidadãos responsáveis dentro de um povo e não como massa arrastada pelas forças dominantes. Lembremo-nos que «ser cidadão fiel é uma virtude, e a participação na vida política é uma obrigação moral»” (Evangelli Gaudium).
O segundo turno chega em breve. Mas até lá, para quem não votou nessa primeira fase, a dica é pesquisar a história dos candidatos, destrinchar suas propostas, perceber quais delas vão ao encontro dos valores do Evangelho e assim basear o seu discernimento em vista do bem comum e não de interesses pessoais, egoístas. Também não se deve escolher o candidato por pressão ou influências, pois o votar por votar não é autêntica participação política. A decisão precisa ser consciente para que os frutos dela sejam fecundos e contribuam diretamente com o futuro da nação.
