Estive conversando com um grande amigo a respeito dos planos para 2020. Perguntei-lhe o que trazia de concreto como metas a serem alcançadas, ouvi-o dividir comigo alguns dos seus projetos e, reciprocamente, fui questionada a respeito daquilo que desejo para este ano. Fiz alguns comentários rasos, e, pensativa sobre a minha própria vida, recorri ao lugar seguro que dá rumo a todas as coisas: a oração.
Durante meu diálogo com Aquele que me ama, cheguei à uma conclusão que é escândalo para o mundo, loucura para outros, mas, para mim, é sabedoria de Deus. Eu quero ser pobre! Pobre como a Sagrada Família, cuja única garantia e alegria era viver a Vontade do Pai. Foi por sua pobreza que Maria, prometida em casamento a José, não hesitou em corresponder ao chamado de Deus, abrindo mão de si mesma e de seus projetos para acolher Sua promessa de salvação: ser Mãe de Jesus Cristo.
Certamente, quando o Anjo Gabriel lhe anunciou esta grande novidade, Ela lembrou de seu futuro esposo, dos preparativos do matrimônio; mas, por saber que tudo pertence a Deus, tudo devolveu a Ele, vivendo na carne o que São Paulo viria a dizer anos depois: lhe basta a Sua Graça! Por sua pobreza, José disse sim à Voz do Senhor manifestada a ele em sonho pelo mesmo Anjo: “não temas receber Maria por tua esposa”. E assim, abandonado à esta Santa condução, aceitou a instabilidade humana para ter, como única segurança, a estabilidade Divina.
Neste espírito, partiu para Belém, onde nasceu o Menino. Fugiu com Maria e Jesus para o Egito, salvando a vida de seu filho adotivo das mãos do terrível Herodes. E, ainda em movimento, retornou depois para Nazaré, onde Deus desejou que a família permanecesse e educasse o doce Jesus.
Sim, a vida daqueles que escolhem viver sob o Senhorio de Cristo não é, nem de longe, uma vida mansa e articulada segundo os propósitos naturais da sociedade, mas passa por uma lógica sobrenatural, sofrendo constantemente as intervenções de Deus, as quais mudam a nossa rota, desfazem alguns planos, constroem muitos sonhos, pedem a fé antes do passo, mas conduzem sempre à autêntica felicidade.
Somente um coração pobre, esvaziado, é capaz de abrir mão das garantias da terra para dar lugar às surpresas do Céu. Sagrada Família de Nazaré, acompanhai-me neste ano para que também minha vida seja movida pelo sopro do Espírito, que vem de onde não sabemos e nos conduz sempre para onde deseja!
Assim seja. Amém!
Bárbara Letícia – Missão de Natal
