Sem Categoria

Em busca da felicidade

Vocês sabem qual é a sensação de acordar cedo a uma segunda feira para ir para a escola e questionarem-se: “será que isto vale a pena?”, ou melhor, “será que alguma coisa vale a pena neste mundo?”

comshalom

Quase na margem de completar um ano de Shalom, um ano desde o primeiro dia a que fui ao nosso grupo de oração de jovens, um dos nossos queridos coordenadores pediu-me que escrevesse o meu testemunho sobre este ano: o binómio “eu” sem Shalom, o “eu” de antigamente, e o “eu” do presente, o “eu” com Shalom. Registando as principais e mais visíveis diferenças na minha vida social e pessoal, e sobretudo na minha relação com Deus. Com a elaboração deste testemunho, os meus objetivos são, em primeiro lugar, tocar o coração de todos aqueles que ainda não conhecem a Deus e, por outro lado, renovar a confiança Nele daqueles que já o conhecem e que já tiveram alguma experiência com Ele.

Na primeira parte do meu testemunho, gostaria de falar um pouco sobre mim antes de vos ter conhecido. Começemos. No que toca à relação com Deus, já tinha o hábito de ir à missa todos os domingos, por vezes até noutros dias da semana, na medida em que sou acólito na paróquia de Almada há dois anos. Nascido numa família de valores católicos, desde pequeno tive contacto com Deus através da catequese, que completei até realizar o crisma. Apesar de tudo isto ser excelente, sempre, e nos últimos dois/três anos de forma mais acentuada, houve algo que não batia certo. A forma como me sentia no meu quotidiano não era, de todo, como eu me queria sentir. Apenas Deus saberá porquê, mas lidei, e continuo a lidar, com problemas ligados à falta de auto-estima e de amor próprio, o que me levava e ainda leva de certa maneira, a viver numa constante depressão.

Era raro o dia em que não pensava que não era capaz de algo, ou  que não era suficiente para alguém. Vocês sabem qual é a sensação de acordar cedo a uma segunda feira para ir para a escola e questionarem-se: “será que isto vale a pena?”, ou melhor, “será que alguma coisa vale a pena neste mundo?”. Essa era a forma como eu acordava normalmente. Apesar de não existirem quaisquer indícios disso, andava sem rumo, sem objetivos para o meu futuro, fazia as coisas porque tinha que fazer, estudava porque tinha que estudar, e por aí fora. Cheguei, inclusive, a procurar uma solução: psicólogos, professores, entre outras opções, mas nenhuma delas foi suficientemente eficaz. Sentia-me maioritariamente vazio e tinha dificuldades em ter e expressar certos sentimentos.

Por incrível que pareça, tudo isto foi algo que sempre escondi, talvez por vergonha desse Pedro, ou porque possivelmente nunca ninguém iria dar importância. Para os meus familiares e amigos mais próximos, eu sempre fui aquele Pedro divertido, brincalhão, extrovertido. Talvez até existisse alguém que invejasse a minha suposta maneira de ser e de lidar com as adversidades que a vida proporciona a todos nós. Claro que toda esta situação piorou quando a escola me obrigou a perder horas de sono, descanso e lazer, e era exatamente assim que me sentia e vivia até pouco tempo atrás.

Lembro-me exatamente do dia em que pensei seriamente experimentar ir a um encontro do Shalom: era um dia de semana, mais um daqueles para esquecer, como o anterior e o seguinte. Decidi enviar uma mensagem ao Pedro Ruano com o intuito de saber mais sobre o Shalom: o que faziam, quando se encontravam, entre outras coisas. Foi a primeira vez em que manifestei minimamente interesse em experimentar o universo do Shalom. Porque é que eu o fiz? Bem, eu e o Pedro já nos conhecemos há uns quantos anos e, até ele entrar no grupo, sempre foi uma pessoa muito tímida, reservada. Desde então, tudo isso mudou de forma progressiva: cada vez mais notava um brilho nos olhos dele diferente, já não era a mesma pessoa. Certamente que era para lá que eu queria ir também, perguntando-me se essa mudança podia acontecer comigo, o que era tudo o que eu desejava.

O meu primeiro dia de Shalom foi definitivamente marcante: 1 de Novembro, “Dia de Todos os Santos”, onde fizeram uma festa no salão da paróquia de Almada. Dei-vos uma oportunidade para me surpreender e acreditem que o fizeram. Desde então, raramente consegui faltar a um grupo. Anseio todos os dias da semana por voltar a ver-vos e por voltar a rezar e ter uma experiência diferente com Deus. Sempre tive vergonha em admitir que era católico e em falar de Deus com ateus, mas isso tudo está a mudar. Era e é onde eu me sinto bem, onde eu posso esquecer os meus problemas por um momento e onde eu ganho esperança e fé para lutar contra tudo isto e são incríveis os progressos que tenho feito, sempre com a ajuda e graça de Deus, pois, sem ele, não saberia o que seria feito de mim neste momento, nem se estaria aqui neste momento para contar tudo isto. Resta agradecer-vos pelo vosso empenho e dedicação comigo, e também pela vossa amizade, que significa muito para mim.

Shalom!


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