Como é tradição e proposta para a cadeira do sucessor de Pedro, semanalmente ocorre uma Audiência Geral presidida pelo sumo pontífice. Nesta quarta-feira, 13, o Papa Leão XIV discorreu sobre um trecho do Evangelho de São Marcos. Jesus revela que um dos Doze está prestes a traí-lo: «Em verdade vos digo, um de vós que come comigo me há de trair» (Mc 14, 18). Em sua Catequese, voltada a todos os fiéis da Igreja Católica, ele ensina que Jesus não denuncia para humilhar ninguém.
Esta é uma cena íntima, dramática, mas também profundamente verdadeira: o momento em que, durante a ceia pascal, Jesus se coloca diante dos doze discípulos, que são surpreendidos pela verdade de que uma traição estaria por vir. O Papa Leão XIV acendeu uma lâmpada de encorajamento e de misericórdia, ao explicar o que de fato significa a atitude do Mestre.
“Jesus não as pronuncia para condenar, mas sim para demonstrar que o amor, quando é verdadeiro, não pode prescindir da verdade”, explica o Pontífice.
O sucessor do Papa Francisco também declarou que a pergunta “Porventura serei eu?”, proferida pelos discípulos, é uma das mais sinceras que podemos dirigir a nós, no nosso interior. Ele também esclarece que o questionamento não traz inocência, mas é nesta interrogaçãoque o discípulo se descobre frágil. Ele diz que não é o clamor de um culpado, mas é um sussuro de quem sabe que pode ferir.
“Jesus não denuncia para humilhar. Diz a verdade, porque quer salvar. E para ser salvo é preciso sentir: sentir que se está envolvido, sentir que se é amado não obstante tudo, sentir que o mal é real mas não tem a última palavra. Só quem conheceu a verdade de um amor profundo pode aceitar inclusive a ferida da traição”, declara o Papa Leão XIV.
Então, a partir daí, a autoridade máxima da Igreja Católica volta o seu olhar para a reação dos discípulos. Nas Sagradas Escrituras, pode-se reconhecer que os amigos do Senhor não ficam enraivecidos, mas são tomados por uma profunda tristeza. Quando aceitamos a possibilidade de se estar realmente envolvido numa traição, sentimos dor. Além disso, a tristeza, quando é acolhida com sinceridade, ela se transforma em um lugar de conversão.
“Jesus não se escandaliza perante a nossa fragilidade. Sabe bem que nenhuma amizade está imune ao risco da traição. Mas Jesus continua a ter confiança. Continua a sentar-se à mesa com os seus. Não renuncia a partir o pão até para quem o trairá. Eis a força silenciosa de Deus: nunca abandona a mesa do amor, nem sequer quando sabe que será deixado sozinho”, afirma o Papa.
Que nesta procissão em que vamos juntos, neste caminho de Cruz e Ressurreição rumo à Jerusalém Celeste, acolhamos a graça vinda do lado aberto de Jesus. Nos reconheçamos frágeis, dependentes da misericórdia de Deus. Quando o Senhor antecipa e nos revela nossas faltas, Ele nos dá a oportunidade de recomeçar.