“O terceiro milênio será evangelizado pela misericórdia”. Essa frase de São João Paulo II resume minha experiência na totalidade.
Sou fruto da Páscoa do Papa João Paulo II em 2005. Este foi o ano da minha primeira experiência com Deus através da Comunidade Católica Shalom, aos 12 anos, e, desde então, me sentia muito atraída pelo carisma e fui me engajando e crescendo cada dia mais na intimidade com Deus.
Com 16 e 17 anos, fiz o vocacional da Comunidade e a passagem que me marcou muito é a que Jesus diz que “Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Tinha certeza de que meu ingresso na Comunidade seria pura misericórdia de Deus.
Um lugar de cura
Aos 18 anos, ingressei na Comunidade de Vida, onde passei 6 maravilhosos anos que me marcaram muito. No processo de rediscernimento vocacional, quando Deus foi me conduzindo para a Comunidade de Aliança, Ele me fez perceber que a Comunidade de Vida foi para mim como a padiola daquele jovem do evangelho que foi levado pelos quatro amigos em uma maca até Jesus e ali, sendo curado, escuta do Senhor: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti.“
De fato, a Comunidade de Vida foi para mim um lugar de cura. Não consigo me imaginar na Comunidade de Aliança sem ter passado pela Comunidade de Vida.

Uma nova oferta
Aos 24 anos, no dia 24 de maio, estava então retornando para Recife no dia de Nossa Senhora Auxiliadora, que desde então me marcou com esse título.
No dia 6 de agosto, dia da Transfiguração do Senhor, aconteceu a minha primeira consagração como Comunidade de Aliança, e Deus me fez perceber que a Comunidade de Vida era como o Tabor, aquele lugar onde eu experimentei da Glória de Deus e, como Pedro, que dizia: “Senhor, vamos armar uma tenda”, eu também tinha a intenção de ficar para sempre ali, mas Jesus me convidava a descer o monte Tabor rumo ao Calvário, que, para mim, tem um nome: Comunidade de Aliança. Deus agora queria ser amado por mim através das ofertas próprias da Comunidade de Aliança.
Coragem para recomeçar
Eu achava, inconscientemente, que só a Comunidade de Vida dava tudo por ter coragem de deixar tudo e partir, mas Deus quis me fazer perceber que se eu tive que ter coragem para ir, muito mais coragem eu precisava para ter que recomeçar tudo de novo como Comunidade de Aliança e que, sim, esse chamado não é para os fracos, pois existe muito Amor Esponsal envolvido no ter que administrar o seu próprio tempo para “correr atrás” de Jesus, pois a correria é grande.
Como diz São Paulo: “Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal maneira que o consigais. Todos os atletas impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo”.
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A descoberta do câncer
Após anos renovando a nossa consagração a Deus por meio do carisma, chega o momento em que somos chamados a dar um passo, fazendo as Promessas Definitivas. Em 2022, estava em dúvida se deveria trilhar o caminho naquele ano ou deixar para o próximo. Foi quando, lendo o livro de Carlo Acutis, meu santo padrinho do ano, uma frase me chamou a atenção:
“Será que eu vou estar vivo amanhã?”
Essa frase me motivou a não tardar, pois quem me garantiria que eu estaria viva no próximo ano? Isso foi bem impactante para mim…
Alguns meses depois, na Festa da Divina Misericórdia, fui surpreendida com um tumor cerebral, que poderia ter tirado minha vida aos 29 anos. Esta experiência me fez constatar que, de fato, “para amar a Deus, eu só tenho o hoje“. Em meio há um ano em que Jesus estava me amando por meio daquela provação – pois, sim, Deus também nos ama nos pedindo ofertas fecundas – aos 30 anos, fiz minhas Promessas Definitivas no Carisma, e ali, fiz uma grande experiência de Céu, já aqui na Terra e pude provar que os sofrimentos da vida presente nem se comparam com a glória que virá (Rm 8, 18).

Tive alta do tratamento aproximadamente após 2 anos da descoberta.
E hoje estou casada há um ano com Tasso Luís, consagrado da Comunidade de Aliança, e temos um filho que é pura manifestação da Misericórdia de Deus, um grande fruto colhido desta noite que passou.
Por Prysccylla Regis Bezerra de Moraes – Shalom Recife-PE






