Formação

Em quem escolhi morar

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Apesar de não ser celebrado aqui no Brasil, hoje é o tão falado Valentine’s Day…

E mais do que querer falar do que seja ou como tem que ser, vou falar sobre o que vivo no meu namoro…

O significado real da palavra namorar é “estar em amor”, mas nunca me esqueci do dia que ouvi meu noivo dizer pela primeira vez que ele entendia que namorar pra ele era “morar em”, e no caso, morar no meu coração, e eu morar no dele.

Morar numa casa te torna íntimo das pessoas que habitam nela, te faz conhecer cada cômodo da casa, todos os móveis e objetos que ela tem, o que precisa de reforma ou precisa ser jogado fora, etc, como também te coloca em postura de acolhida da condição da casa e te torna responsável por mantê-la em harmonia e colaborando pra que ela se mantenha firme e sempre aberta pra acolher quem quer que seja.

E quando estamos em casa, ficamos à vontade: descalços, roupa largada, sou livre para me expressar, para ser quem eu sou, sem medo de ser julgado ou corrigido, ser censurado ou cobrado o tempo todo. Vivo sem tensões, sem pressões, confio e sou confiado.

Ao longo desses 3 anos 5 meses de namoro, foi e é exatamente essa experiência de “estar em que casa” que eu e ele fazemos. Precisamos nos conhecer muito mais, mas posso dizer sem medo que ele sabe quem eu sou, sabe das minhas fraquezas, sabe de boa parte do ”povo” que me habita, e quem nem sempre são bons anfitriões… Ele sabe das minhas inconsistências, das minhas imaturidades, das muitas pedras que estão aqui prestes a também o ferir…

Da mesma forma eu o conheço. Sei das muitas virtudes que ele tem e que eu admiro muito, sobretudo a virtude de ser um homem de Deus, um homem de oração. Admiro principalmente a coragem que ele tem de nunca me esconder suas fraquezas, de reconhecer que errou e a prontidão que ele tem em recomeçar.

 

Mas o que mais me marca em nosso relacionamento é a experiência de sempre buscar descobrir os tesouros que existe na beleza do amor humano, que ás vezes não é nada romântico… Nem sempre é saboroso e fácil se deparar com as fragilidades e imperfeições do outro. Digo por experiência própria. E ele pode dizer o mesmo, e acho que muito mais que eu!
Nem sempre é fácil suportar o que não é bom no outro. Nem sempre é agradável ser ferido e magoado por essas imperfeições… Nem tudo é flores, chocolates, perfumes e presentes maravilhosos…

Mas no dia a dia posso me decidir em viver nessa casa, amando-a e respeitando-a, e escolhendo descobrir o que há de melhor nessa casa em que eu, livremente, escolhi morar.

São Valentim morreu acreditando e defendendo a família e o amor.

Quantas vezes, em nossos relacionamentos de namoro, a última coisa que fazemos é acreditar um no outro e cultivar o amor que existe entre nós?

Quantas vezes não existe disposição em nós para morrer para o nosso orgulho e opiniões egoístas em vista do outro, para que ele seja valorizado e descubra a alegria e beleza de poder morar e descansar em alguém?

Namorar não é só sinônimo de beijo na boca, abraços, carinhos, e infelizmente em muitos casos, sinônimo de sexo e uso do outro.

Namoro, creio eu, é antes de tudo, sinônimo de conhecimento mútuo, tolerância, amizade, respeito, partilha da vida, das dores, dos planos, das expectativas, dos sonhos. É também sinônimo de escolha pelo outro, e caminhada ou não para uma mesma direção, o matrimônio e a formação de uma família.

E se hoje é Valentine’s Day, posso dizer que é dia de acreditar mais uma vez no amor e na família; posso dizer que hoje é dia de morar ainda mais, com respeito e total acolhida dentro do coração de quem amamos.

 

Débora Pires


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