Quando saí de Salvador, rumo a Roma, para participar do Jubileu dos Pobres, eu sabia que viveríamos algo especial. Mas não imaginava o quanto essa experiência tocaria profundamente minha fé, minha identidade missionária e meu amor pela obra de Deus em nossa cidade. Estar ali, representando a Missão de Salvador da Comunidade Católica Shalom, foi muito mais do que um compromisso internacional, foi um encontro com as raízes da Igreja e, ao mesmo tempo, com o coração da nossa Bahia.
No dia 13 de novembro, quando entramos no Centro São Lourenço carregando a imagem de Santa Dulce dos Pobres, eu senti algo que não consigo colocar inteiramente em palavras. Era como se o “Anjo Bom da Bahia”, aquela mulher pequena e forte que caminhou pelas ruas de nossa cidade, estivesse conduzindo cada um de nós pela mão. A entronização da imagem naquele lugar sagrado, diante de tantos peregrinos, me fez perceber que o testemunho da Santa não é apenas nosso, é da Igreja inteira!
Ver irmãos de várias partes do mundo, tocando na imagem, fazendo suas orações, conhecendo sua história, reavivou a minha fé! Durante a mesa “Entre Amigos de Santa Dulce”, ao ouvir autoridades, irmãs, missionários e peregrinos falarem sobre a influência dela em suas vidas, eu me dei conta de uma verdade simples e poderosa: Santa Dulce continua unindo pessoas, despertando caridade, inspirando conversões! Ali, eu vi que a missão que ela viveu com tanta coragem segue viva em Salvador, e continua abrindo caminhos para que o Evangelho chegue aos mais pobres.
A peregrinação, a Adoração, a Missa com o Papa Leão XIV, e a ida a Assis foram momentos em que senti um forte chamado interior: em cada passo, eu rezava: “Senhor, dá-me um coração capaz de amar como ela amou!” Diante da Igreja de São Francisco, compreendi que a missão de Salvador é parte dessa grande história de santidade que a Igreja escreve ao longo dos séculos, uma história feita de entrega, simplicidade e serviço.
Volto para a Bahia com a sensação de que nossa missão foi confirmada por Deus! Sinto que Ele deseja que continuemos sendo presença de paz para os pobres, consolação para os feridos, ponte de esper
ança para tantos irmãos que buscam um sentido para viver. E que Santa Dulce, com seu olhar manso e firme, continua sussurrando ao nosso coração: “Faça a sua parte com amor!”
Roma me ensinou que a santidade da nossa terra tem voz, tem rosto, tem história, e agora tem também um espaço diante do coração da Igreja! E isso aumenta minha responsabilidade, mas também minha alegria.
Sei que, como missão, somos chamados a continuar o que ela começou. E, com a graça de Deus, continuaremos!
Foto: Divulgação / Comunidade Católica Shalom
Por: Ademar Cerqueira – Postulante da Comunidade Aliança da Missão de Salvador
Apoio: Prefeitura Municipal de Salvador – Bahia


