Sempre fui livre como um passarinho, nunca gostei de me sentir presa a nada nem a ninguém, mas um dia fiz a escolha de me aprisionar a Jesus, e nEle, pude sentir a verdadeira liberdade.
No começo da Quarentena, o sentimento era de que seria bom ficar dentro de casa e descansar da rotina, porém, quando saiu a decisão da Arquidiocese de suspender as Celebrações Eucarísticas e a decisão da Comunidade de fechar temporariamente o Centro de Evangelização, foi quando a agonia começou, pois no meu coração eu me sentia capaz de viver sem tudo, menos sem Jesus.
O desespero chegou e depois de um tempo as crises de ansiedade vieram me visitar. Comecei a me sentir presa de novo.
A saudade de Jesus na Santa Eucaristia, dos irmãos de Comunidade, das ovelhas, da faculdade, do trabalho, da rotina também chegou. A cada dia que passava presa em casa, tudo isso foi aumentando, me trazendo uma angústia e me fazendo sentir sufocada.
Noites sem dormir
Quando anoitecia, a sensação de pânico vinha como nunca, a distonia nas mãos, a dor de cabeça, a agitação, a palpitação e aquela falta de fôlego que não me deixava ficar deitada, porque a sensação é a de que iria morrer.
Tudo isso me acarretou algumas noites sem dormir.
Às vezes, vejo o dia clarear agarrada no meu terço e rezando para que a agonia acabe de uma vez e para que todos nós possamos sair salvos dessa Pandemia.
Por mais que eu tente criar uma rotina, é difícil conseguir vivê-la.
Mas depois de tantos dias com essa sensação de surdez e cegueira, em meio a esse caos absoluto, me reencontrei com Jesus em uma simples faxina, como Santa Teresa D’Ávila, que dizia que encontrava Jesus até nas panelas.
Tive minha experiência com Jesus em meio à vassoura e ao espanador. Logo eu, que não acreditava nas loucuras alheias, encontrei-me com Ele na faxina enquanto ouvia o Padre Marcelo Rossi cantar “Basta querer, para te ver outra vez…”
Corri para os braços de Jesus
Naquele momento, foi como se eu recebesse novamente o sopro da vida, e eu voltei a vê-Lo e a ouvi-Lo.
Imediatamente, abri um sorriso daqueles que damos quando reencontramos alguém que amamos e não vemos faz tempo. Corri para os braços de Jesus e foi um grande encontro!
Que alegria, em meio ao caos, poder encontrar com Aquele que tanto me ama da forma mais simples possível. Percebi que Ele esteve comigo o tempo todo, e que por estar “surda e cega”, não sabia mais como encontrá-Lo.
Obrigada, Jesus, por sempre ser minha fortaleza, por se fazer encontrar e me salvar de mim mesma. Gratidão em poder te ver pela TV, te adorar, por encontrar com os meus irmãos através dos muitos meios de comunicação, por estudar, trabalhar e por ter a minha família comigo neste tempo.
Jesus, definitivamente, Tu és o grande amor da minha vida. Te amo muito mais do que ontem e hoje, muito menos do que amanhã!
Carolina Santos, discípula da Comunidade de Aliança Shalom na Missão de Recife
