Caminhando pela vinha
um Shalom eu encontrei.
Em mil guerras os pensamentos,
bem depressa o indaguei:
-Que alegria, meu amigo,
logo aqui te encontrar!
Me respondas, se o quiseres,
no que estás tanto a pensar?
Não tenhas pressa, caro vaso,
para a verdade encontrar…
Na paciência e na humildade,
somente aí pode ela estar.
Parou, bem de repente,
e nos seus olhos pude ver,
indagava-se muitas vezes:
“De que me adianta o mundo ter,
se a vida eterna eu perder?”
Tão logo eu entendi
num sorriso lhe pedi:
-Novamente, se o quiseres,
me respondas, por favor:
se um rico despojaria
tesouro de grande valor
por um outro mequetrefe
que só lhe causaria dor?
Seu semblante melhorava
e arriscando, continuei:
– Diga-me, pois, ó viajante
porque cansas em vagar
por lugares onde o vazio
é só o que há com que se ocupar?
Sinal melhor não encontrei
para uma última vez o indagar,
pois enquanto ainda falava,
um sorriso pôs-me a mostrar.
-Percebe, então, ó Simão
que fora de Cristo nada há.
Somente em Sua presença,
sabor na vida hás de encontrar.
Assustei-me, agora, eu
como num novo fulgor
resplandecente, se me mostrava
entoando um novo louvor.
Louvou o Céu, o Mar, a vida.
Só dançava e muito ria.
Entre palmas e rodopios
tudo lhe era música, parresia.
Continuei o meu caminho
despedindo de meu irmão:
-Para trás não olhes não! –
adverti-lhe o coração!
Agradeceu-me com carinho
dizendo-me, então:
-Sou eu quem agora pergunto:
Quem és tu, enigmático irmão?
-Eternidade, respondi-o,
vim aqui lhe recordar
só em mim a tua renúncia
num bom fundamento vai se dar.
Silenciou-se e eu o deixei,
até o tal momento,
em que sempre e para sempre,
finalmente o encontrarei.
Daniel Junior
