Na Comunidade Católica Shalom é natural a presença de ícones ornamentando espaços oracionais, capelas, retiros e também em nossas casas. A iconografia faz parte da espiritualidade Shalom.
A palavra iconografia vem do grego, onde “eikon” significa imagem e “grafia” significa escrita. Assim, a iconografia nada mais é do que a linguagem que se baseia em imagens. Um destes ícones marcantes e exclusivo da Comunidade, é o Ícone da Parusia, uma descrição sobre a segunda vinda de Jesus Cristo à Terra, escrito pelo iconógrafo, Eduardo Silva, consagrado da Comunidade. Confira a explicação desta obra.
O ícone tem como centro Cristo imberbe (sem barba), o cabelo grisalho significa “O Eterno”, que se apresenta envolvido em uma elipse com os olhos penetrantes e o rosto a emitir luz. O manto vermelho simboliza a divindade; a Clavus, estola dourada no ombro direito de Cristo, o sacerdócio real. A Chiton, túnica branca, representa pureza, alegria e poder.
No alto lemos em grego: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus Todo Poderoso, Aquele que era, que é e que vem!” (Ap 4,8b). Ele abençoa com a mão direita com os dedos em forma de oito, indicando o dia em que tudo foi recapitulado por Ele. A cruz sobre o ombro significa o meio de passar para a eternidade. Com a mão esquerda segura um papiro dizendo “Eis que venho em breve (Ap 22,20b)”.
Podemos contemplar nesta mesma mão uma das chagas reluzentes da paixão. No nimbo cruciforme sobre sua cabeça encontramos 3 letras gregas que significam “Aquele que é”. Em torno a Cristo vemos uma elipse com um fundo dourado que representa a eternidade; ela é envolvida por um halo semelhante a esmeralda que nimba o trono (Ap 4,3b) tendo em seu interior, estrelas douradas. Nos quatro cantos equidistantes da elipse vemos os quatros seres com vários olhos em suas asas indicados em (Ap 4,6-7, Ap 7,1.11 e Ez 1,10).
O homem representa a genealogia humana de Jesus porque o evangelho de Mateus começa desta forma; o segundo Ser é um leão, símbolo do evangelista Marcos que começa a sua narração com a pregação de João Batista semelhante ao rugido de um leão. O terceiro Ser é um touro, pois São Lucas tem em vista demonstrar o caráter sacerdotal de Cristo; daí ter como símbolo o boi, animal sacrificado no Templo. O quarto Ser é a águia que por seus voos nas alturas simboliza a contemplação do evangelho de João. Dos quatro Seres saem quatro bandeiras em que estão escritas “O Santo” em grego.

Na composição vemos sete anjos em alusão a Ap 5,6: “O Cordeiro tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.” Trata-se dos anjos da face que são enviados de Deus: “Eu sou Rafael, um dos sete anjos que estão sempre presentes e têm acesso junto à glória do Senhor” (Tb 12,15). Dos 7 espíritos Deus, três anjos têm seus nomes escritos nas auréolas. Miguel o chefe da milícia celeste está acima de todos com dois círculos nas mãos que simbolizam a divindade com as iniciais do nome de Cristo escrito nos mesmos círculos indicando em nome de quem ele vem: em nome de Deus e a seu serviço. Ele nos olha fortemente. A esquerda do observador vê-se o Arcanjo Rafael, cujo nome significa “Deus cura”, na mão direita o incensório e na esquerda segura à elipse que representa o cosmo divino, a moldura da shekinah (manifestação da glória divina). Gabriel está do lado oposto, seu nome significa “Mensageiro de Deus”, com a esquerda segura o incensório e a direita o contorno da glória de Deus. Só estes 2 anjos possuem o incensório, pois são os principais que levam as orações dos santos e que conduzem a adoração e o louvor.
Os outros 4 anjos possuem justamente com Miguel, um cetro que significa o poder que lhes foi dado e estão preparados para a guerra. Todos têm a chama do espírito próximo à mão (personalidade) e uma faixa branca que perpassa seus cabelos (seus pensamentos estão em comunhão com os do Eterno). Dentre eles, somente Miguel olha para o expectador, eles olham atentamente para Jesus, o cordeiro, como um servo que fica atento a voz do seu Senhor. Em baixo encontramos os 5 querubins flamejantes.
Um sustenta a glória de Deus com suas asas e olha para o expectador. Os outros 4 olham atentamente para o Cristo. Mais abaixo as nuvens em turbilhão pelos trovões, sempre presentes nas teofanias (manifestações da glória de Deus). Acima em um semicírculo, a mão do Pai indicando com dois dedos maiores a natureza humana e divina de Cristo e conduzindo todo o evento salvífico da vinda de seu Filho, Jesus Cristo. A todo este conjunto denominamos de Merkabah ou Carro Divino.
Cassiano Azevedo

