Formação

Enxergar o bem

comshalom

Dom José Alberto Moura


Muitosfatos, atitudes e palavras são vistos de acordo com a percepção ou ainterpretação de quem os observa. Se a formação para a convivência natolerância, na boa vontade e no verdadeiro bem do semelhante acontecerna formação do caráter da pessoa, temos um relacionamento maisharmonioso na família, na comunidade e na sociedade. Caso contrário, apessoa tende a buscar na outra o que lhe interessa e não valoriza suasvirtudes. A busca da derrota do outro se torna, nessa perspectiva, umaconstante, principalmente quando se pleiteia posto na ordem política,profissional e outras. Quem inteligentemente sabe valorizar até ooponente, não precisa usar artimanhas até antiéticas para derrubar ooutro. Sabe sim apresentar propostas válidas que mais convencem do queusar a “tática” de desqualificação do outro.

Naépoca de Moisés, Deus agiu em setenta anciãos para eles profetizarem.Mas dois outros, não escolhidos, também se puseram a profetizar. Josuéestranhou o fato e pediu a Moisés que os impedissem de fazê-lo. MasMoisés louvou os dois por realizarem obra de bem (Cf. Números 11,25-29). De fato, o bem realizado por outros, mesmo fora de nosso grupoou interesse, não podemos ser injustos de não o reconhecer! Quantostalentos poderiam melhor ser valorizados com o benefício da comunidade!Por que não deixar os outros competirem conosco? Por que não reconheceras virtudes de quem faz o bem ao semelhante?

Muitasvezes, por causa de um defeito, até pequeno, desqualificamos tantosvalores ou pendores do semelhante! Mesmo na ordem das religiõespoderíamos unir mais forças para servir melhor a sociedade! Não setrata de renunciar os próprios valores, mas reconhecermos pontoscoincidentes com os nossos no semelhante. Na ordem política, opartidarismo absolutista pode levar a desqualificar a causa do bemcomum. Adversário político não pode ser confundido com inimigo. Osprogramas e as propostas partidárias é que devem ser bem esclarecidospara o povo e não os ataques aos oponentes para derrubar sua moral!

OApóstolo Tiago apresenta o uso das riquezas com moderação e não comofinalidade. Elas são perecíveis (Tiago 5,1-6). A justiça e o bempromovidos ao semelhante são virtudes que não se enferrujam. Por isso,vale a pena colocar tudo a serviço do bem comum, com toda a hipotecasocial que as riquezas apresentam. O Documento dos Bispos naConferência de Aparecida (SP) coloca bem claro a opção evangélicapreferencial pelos empobrecidos, como compromisso de seguimento aJesus. Seria um bom programa para todos que desejam se dedicar àpromoção do bem da comunidade.

Natrilha do Mestre, encontramos seu belo ensinamento de valorizar quemrealmente pratica o bem ao outro, sem olhar para sua origem, grupo ouposição dentro de nossa comunidade. O bem não tem partido. Ele mostra averdade do dom de Deus ao ser humano aberto à sua ação para amar eservir. Quantas pessoas realizam o benefício do próximo sem seremvistas. Há exemplos marcantes que se têm destacado na história! Tomaraque nossas lideranças deem o exemplo disso e estimulem os outros arealizarem o mesmo. Teremos pessoas, grupos, partidos, famílias,lideranças e pessoas que realmente ajudam a sociedade na direção de suarealização!


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