Vivenciamos agora o tempo do Advento onde aguardamos a chegada do Menino Jesus. É tempo de conversão, tempo de transformação, tempo de voltar-se para Deus libertando-nos de nossas fraquezas, misérias, pecados, não na simbologia, mas na ação concreta, pois Jesus não é imaginário.
Refletindo sobre esse tempo de espera, observa-se que não é um tempo fácil, pois como vasos de argila somos moldados, desfigurados de nós mesmos para das mãos o oleiro surgir um vaso novo, um homem novo em que todo esse processo de conversão e transformação é dolorosa.
A espera no leito do hospital estando doente ou acompanhando um ente querido, a espera do retorno do filho que se perdeu nas drogas, a espera do alívio da dor de um matrimônio que sofre uma ruptura, a espera de uma mãe que perde um filho vítima da violência de nossa sociedade…espera! O que é essa espera? A quem ou a que se remete o sentido dessa espera?
Toda dor dilacera, desfigura o que construímos em nossa história. Somos movidos por crenças, valores, normas que moldam nossa estrutura psíquica formando nossa personalidade e através dela construímos os planos de nossa vida, nossos sonhos e expectativas. Nesse percurso não planejamos sofrer, mas planejamos viver, realizar, transformar e tudo que vem contra essas metas gera sofrimento em nossa vida.
Somos obra de Deus e não fomos criados para sofrer fomos criados para viver, por isso é tão doloroso quando algo nos é tirado. Quando perdemos alguém é como se um pedaço de nós fosse arrancado. A cada dor sentida e vivida o sujeito reage de forma subjetiva assim como o sentido dado a ela também é singular à sua história de vida, cultura e geração.
Algumas pessoas tentam de toda forma fugir da dor, tentam não senti-la mergulhando numa escuridão profunda que se perdem na ausência do sentido da vida, mas essa fuga é nociva e causa muito mais dor do que enfrentar o que nos faz sofrer e é aqui nessa espera que devemos tornar concreto o sentido da nossa vida.
A espera nos leva a reflexão, que nos leva ao sentido de algo e nos faz senti algo. Culpar outro ou o mundo por tudo que acontece em sua vida não é o melhor caminho, na realidade não é caminho nenhum, pois essa postura cristaliza o sujeito deixando-o aficionado em considerar-se sempre coadjuvante de sua vida, onde na realidade somos sempre protagonistas de tudo que nos acontece ou permitimos que aconteça.
A espera nos faz olhar para dentro, ao redor onde nossas escolhas e planos nos levaram. Faz-nos encarar de frente quem somos e o que fizemos de nossa vida e é nessa espera que devemos buscar em Deus um sentido. Perguntar a Ele não o “por que”, mas “o que” Ele espera de nós e o que Ele quer nos ensinar com isso. Buscando identificar na nossa espera a espera de Deus em nós.
Não tenha medo de senti-la, não fuja dela e nem romantize sua dor, mas dê um sentido a ela através da escuta da vontade de Deus. Não perca seu tempo buscando respostas coisificando tudo, mas busque respostas em Deus e na ação transformadora que Ele quer fazer em tua vida através dessa espera.
Sim, é tempo de abrir as portas e quebrar as resistências do teu coração e voltar-se para Deus!
