Chaves, cidade paraense com cerca de 20 mil habitantes, possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do Brasil. O IDH de Chaves, localizada na Ilha do Marajó, é 0,453, nível próximo ao de alguns países como Burkina Faso, Serra Leoa e Iêmen.
Em meio à desesperança e às feridas abertas de um povo que sofre, ecoa uma voz que diz: “Eles são meus filhos amados”. Há 30 anos, a Comunidade Católica Shalom chegou à cidade de Chaves para se dedicar ao resgate da dignidade humana e ao anúncio do Evangelho. No dia 17 de março de 1996 chegaram os primeiros missionários da Comunidade, e desde então, milhares de famílias, jovens e crianças tiveram suas vidas transformadas.

O principal apostolado da Comunidade em Chaves é voltado às crianças, buscando promover uma cultura da Paz, num processo formativo integral que desenvolve as dimensões humana, social, cultural e espiritual. No Espaço de Paz, estrutura construída pela Comunidade, são oferecidos a dezena de crianças: ensino pedagógico, atividades esportivas e formação espiritual.
De segunda a sexta-feira, há alimentação para as crianças e voluntários, sinal concreto de acolhimento e segurança alimentar, num ambiente onde todos são cuidados com respeito e generosidade. Além disso, o Espaço de Paz serve como centro de apoio para atendimento por telemedicina à população local e para visitas aos lares com acompanhamento das famílias.
A biblioteca do Espaço de Paz é hoje o único centro de leitura comunitário de Chaves, e se tornou ponto de encontro para estudantes, professores e famílias. Segundo a missionária Theresa Emmir, a procura tem sido constante: “A nossa é a primeira biblioteca aberta ao público e as pessoas procuram bastante, graças a Deus, para pegar livros. Recebemos várias turmas da escola em visita, e professores trazem as crianças para fazer atividades na biblioteca do Espaço de Paz.”
Apoio da Coleta da Campanha da Fraternidade
Uma das iniciativas que colaboram com a manutenção do Espaço de Paz é a Coleta Nacional da Solidariedade da Campanha da Fraternidade. Os recurso arrecadados por meio da Coleta realizada em âmbito nacional, todos os anos, no Domingo de Ramos, contribuem para a promoção da dignidade humana e o compromisso com os pobres. Do total arrecadado na Coleta para a Solidariedade, 60% fica na própria diocese e é gerido pelo Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), e os outros 40% compõem o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), que é administrado pelo Departamento Social da CNBB, sob a orientação do Conselho Gestor da CNBB.
Nos últimos meses, o Fundo Nacional de Solidariedade enviou recursos para a construção e manutenção de uma pequena usina solar, que gera energia elétrica convertendo a luz do sol em eletricidade usando painéis fotovoltaicos. A iniciativa ajuda a manter o Espaço de Paz funcionando e levando esperança aos que mais precisam.
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