Formação

Estudo Bíblico: O eleito de Deus traz a missão de curar as feridas do povo

Daniel Ramos, missionário da Comunidade Shalom na França, conduz o Estudo Bíblico desta terça-feira a partir da Liturgia do Dia.

comshalom

Oração

Senhor, envia sobre nós o Teu Espírito. Dai-nos a graça de compreender as Escrituras, a partir do que elas são, canal de vida eterna, de salvação eterna, de salvação definitiva nas nossas vidas. Enche-nos, Senhor, com o desejo de penetrar com profundidade no sentido mais profundo da Tua palavra. Amém.

1ª Leitura –  Is 49,1-6 | Salmo – Sl 70, 1-2. 3-4a. 5-6ab. 15.17 (R.15) | Evangelho – Jo 12,1-11

(Leitura do Livro do Profeta Isaías 49,1)

Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, e disse-me: ‘Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado’. E eu disse: ‘Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa’. E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. Disse ele: ‘Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra. Palavra do Senhor.

Meditação

Aqui, na 1° leitura de hoje, vemos aparecer uma figura misteriosa, que foi notada pela primeira vez quando a exegese começou a se transformar mesmo numa ciência, no século XIX, que é a figura do servo sofredor.

Fazendo uma introdução geral do livro de Isaías, o livro de Isaías foi escrito muito provavelmente em três períodos diferentes. No capítulo 1 ao 39, de uma maneira geral, é a parte que diz respeito ao próprio Profeta Isaías, no século VIII A.C.

Em seguida, Isaías foi um profeta que tinha tanta unção – para usar as terminologias de hoje, que gostamos de dizer entre nós-, que tinha uma autoridade espiritual tão proeminente que muito provavelmente existiu uma escola informal de discípulos do Profeta Isaías que quiseram colocar por escrito e continuar na mentalidade que tinha sido aberta pelo profetismo de Isaías.

Então, dos capítulos 40 a 55 do livro de Isaías nós temos uma segunda parte do livro que foi escrita no final do exílio da Babilônia, no século VI A.C.

A primeira parte no século VII A.C, e a segunda parte no século VI A.C. Era um outro profeta que tinha uma identidade espiritual com o grande Profeta Isaías, que se considerava um discípulo, chamado nos meios da exegese de o segundo Isaías, o Dêutero-Isaías, dessa segunda parte do livro de Isaías, de 40 a 55.

Existe uma terceira parte do livro de Isaías, que é o terceiro profeta, ou um terceiro grupo de discípulos de Isaías, que escreveu a parte que vai do capítulo 56 ao 66 do livro de Isaías, que foi provavelmente escrito já na volta do exílio da Babilônia, no final do século VI e início do século V A.C.

Esta passagem que estamos lendo hoje se inscreve naquilo que é o segundo Isaías, final do exílio da Babilônia. O exílio da Babilônia foi um trauma para o povo de Israel, porque principalmente na mentalidade do profetismo de Isaías, o templo de Jerusalém era a grande segurança do povo, o sinal da presença de Deus no meio do povo.

Deus está conosco, claro, o Profeta não aprisiona Deus no templo, mas a religiosidade popular via o templo como uma marca da presença e da aprovação de Deus para com o seu povo. “O Senhor continua saindo conosco, com o nosso exército para guerrear conosco”, e aí olhavam para o templo e viam a presença de Deus.

Isaías primeiro era o grande Profeta da contemplação da santidade de Deus. Ele teve aquela visão em Isaías 6 dos Serafins que cantam diante de Deus e a glória de Deus enche o templo, e Isaías diz: “Ai de mim que sou homem de lábios impuros, que fala a um povo de lábios impuros”.

Ele faz a experiência da santidade de Deus que vem purificar os seus lábios e o seu coração. Então, Isaías é o grande profeta da santidade de Deus, Deus santo, o Deus transcendente, o Deus único, e que vem estar conosco.

Quando o povo é deportado para a Babilônia, no final do ministério de Jeremias, em 597 A.C., uma parte de Jerusalém é deportada, e em 587 A.C, dez anos depois, toda a elite sacerdotal, toda a elite intelectual do povo é deportada para a Babilônia.

Fica em Jerusalém somente o povo mais simples, mais miserável, mais pobre, aquele povinho mesmo “o resto do resto”. É deportado para a Babilônia a parte mesmo pensante do povo, a parte intelectual mesmo do povo de Israel.

Eles entram em crise: “Nós saímos de Jerusalém”. Tem um Salmo que diz: “O nosso invasor nos pede para cantar os cânticos de Sião, mas como podemos cantar os cânticos de Sião se nós estamos aqui em exílio, ó Jerusalém”[1], e aí choram com saudade da terra prometida e do lugar santo.

Mas eles fazem a experiência com o Profeta Ezequiel, que é um Profeta do tempo do exílio também, que vai se manifestar no tempo do exílio.

Mas também com o segundo Isaías, que é aquele que escreve essa parte que vamos falar um pouco hoje, eles fazem uma experiência de que Deus foi com eles para o exílio, que Deus não os havia abandonado naquela terra, que Deus tinha permitido o castigo devido à infidelidade e à idolatria do povo, devido ao fato de honrarem Deus com os lábios, mas terem o coração longe de Deus.

Então, eles colhem os frutos das suas ações e partem em exílio, mas vão descobrindo um Deus que não é prisioneiro do templo, mas que vai com o povo para o seu castigo, que está presente na vida do povo em terra de exílio.

Nesse contexto de exílio vai aparecer a figura misteriosa do Ebed Iahweh, que é o servo de Iahweh. O servo de Iahweh é essa figura misteriosa desse homem ou desse povo, porque a interpretação judaica vai ver nele a figura do povo que é perseguido, essa figura que é representada em 4 ou 5 cânticos, segundo a exegese que é feita, os cânticos do servo sofredor.

Essa leitura de Isaías de hoje é o segundo cântico do servo sofredor. Quem é esse servo? No primeiro cântico, em Isaías 43, vamos ver Deus chamando um servo: “Eu te chamo”.

E aqui, no dia de hoje, na leitura de hoje, vemos o próprio servo, o profeta, manifestando como foi o chamado dele.

Ele diz: “O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, e disse-me: ‘Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado’”.

E aí vai se desenhando a figura do servo de Iahweh. Diz que que é Israel, mas esse servo vai reinar no primeiro cântico do servo sofredor.

Deus vai dizer que vai ser um servo que vai manifestar a glória de Deus, que vai trazer de volta o povo para o serviço de Deus, que vai reinar sobre as nações, mas ele não reina como os outros reis.

Ele vai dizer como vai acontecendo essa influência do servo na vida do povo. É a sua palavra que vai tocando os corações e que vai trazendo de volta os pais para os filhos, mas aí começa a aparecer os sofrimentos desse servo.

O servo diz: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto”, e aí ele coloca sua confiança em Deus. E Deus diz para ele: “Eu te preparei desde o nascimento para ser este Servo”, Ebed Iahweh.

“Que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele”. A função desse servo é trazer de volta o povo para Deus. É uma função que nenhum outro profeta tinha conseguido fazer ainda.

Como assim?

O povo vai ser plenamente fiel do interior para o exterior, não apenas uma fidelidade visível, comportamental, mas um coração que vai unir-se a Deus. Essa é a missão do servo.

“Aos olhos do Senhor esta é a minha glória. Disse ele: ‘Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações”, e aqui se vê uma profecia da universalidade da salvação que esse servo de Iahweh vai trazer.

Ele vai salvar Israel, mas ele é mediador de uma salvação, ele é escolhido em vista de trazer essa salvação para os confins da terra.

Desde a patrística, desde os Padres da Igreja e até no Novo Testamento já se vê quando, por exemplo, o eunuco nos Atos dos Apóstolos estava lendo o livro do Profeta Isaías e o diácono Filipe aproxima-se dele para explicar a palavra[2], qual é a leitura que o eunuco está lendo?

Você lembra?

É a leitura do servo sofredor, que é o terceiro ou quarto cântico do servo. É aquele cântico que é a primeira leitura da Sexta-feira Santa (Is 52,13 – 53,12), onde ele vai dizer o quê? 

Vamos lembrar rapidamente para contextualizar.

É o quarto cântico do servo:

Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano -, do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos.

Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram. ‘Quem de nós deu crédito ao que ouvimos?

E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor?

Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca. Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.

A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!

Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura.

Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós’.

Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi atormentado pela angústia e foi condenado. Quem se preocuparia com sua história de origem?

Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer. Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal nem se encontrou falsidade em suas palavras. O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos.

Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita.

Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores.

Ele tomou sobre si as nossas enfermidades. Pelas suas feridas nós somos curados. Ele era tido como rejeitado por Deus. Ele era desprezado e riam dele, mas ele carregava sobre si os nossos pecados. Por isso Deus o exaltou.

Esse cântico do servo sofredor que será a primeira leitura da Sexta-feira Santa, da celebração da Paixão. A leitura cristológica dele vê nesse servo a figura de Jesus, porque a nenhum profeta do Antigo Testamento tinha sido pedido para carregar sobre si os pecados do povo.

Era algo muito novo. Só Deus pode perdoar pecados. E de repente aparece a figura misteriosa de um servo que vem reinar não com um autoritarismo, mas com uma doçura, não trazendo castigos, mas levando sobre si o castigo que pesava sobre o povo, não ferindo os infiéis, mas trazendo sobre si as feridas para que as nossas feridas fossem curadas. A leitura cristológica é justamente essa que vê na figura do servo sofredor a figura do servo por excelência de Iahweh.

Em Isaías 52,13 – 53,12, o quarto cântico do servo, vemos que até os judeus enxergam nesse que sofre pelos outros a figura do povo eleito.

Como eles não reconhecem Jesus, o Messias, ele dizem que o povo é esse servo sofredor que carrega os pecados da humanidade, mas já desde o Novo Testamento, os Atos dos Apóstolos, se vê que Jesus é a revelação desse misterioso personagem do servo sofredor.

Nós vamos lendo nessa Semana Santa todos os cânticos do servo. O primeiro Cântico é em Isaías 42, 1-4, que Deus proclama que há esse servo:

“Eis o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido no qual a minha alma se agrada. Tenho posto sobre ele o meu espírito, ele fará sair juízo às nações. Não clamará, nem levantará, nem fará ouvir a sua voz na rua. Não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega; com verdade fará sair o juízo”, ou seja, ele não vai julgar com violência, mas com a verdade, com a doçura. Ele não vai gritar nas praças, mas pelo seu testemunho de vida ele vai conquistar os corações.”

O segundo poema, que e o de hoje, é o do ponto de vista do servo quando ele é chamado: “O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe”, que lemos acima.

O terceiro cântico ou poema já vai entrando num tom mais sombrio, que é Isaías 50, 4-9:

“O Senhor Deus deu-me a língua dos que são instruídos, para que eu saiba sustentar com palavras o que está cansado: desperta-me de manhã em manhã, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os que são instruídos. O Senhor Deus abriu-me o ouvido, e eu não fui rebelde, nem me retirei para trás. Dei as minhas costas aos que me feriam, e as minhas faces aos que me arrancavam os cabelos da barba; o meu rosto, não o escondi de opróbrios e de escarros”.

Você já vê na figura do servo o que Jesus vai viver na Sua Paixão. “O Senhor Deus, porém, me ajudará; pelo que não me sinto confundido, e por este motivo pus o meu rosto como uma pederneira, e sei que não serei envergonhado. Perto está aquele que me justifica”.

O quarto cântico do servo é justamente o que mais delinha, o que mais mostra, revela, toda a Paixão de Jesus.

É o cântico que é a primeira leitura da Sexta-feira Santa, Isaías 52,13 – 53,12:

“O meu servo vai ter sucesso, mas ele não tinha beleza e nem formosura. Ele não tinha beleza nem formosura; quando olhávamos para ele, não mostrava beleza, para que nele tivéssemos prazer. Era desprezado e rejeitado dos homens; um varão de dores, e que tinha experiência de enfermidades. Como um de quem os homens escondiam o rosto, era ele desprezado, e dele não fizemos caso”.

E aqui o sentido teológico que é raro no Antigo Testamento: Uma pessoa que toma sobre si as enfermidades da outra.

Já é uma teologia muito mais profunda que é revelada, e é verdade que como os cânticos do servo sofredor são uma imagem também do povo eleito, porque foram escritos na época do exílio da Babilônia, aonde o povo viveu tudo isso, então é a partir da experiência do exílio que o povo vai entender porque é que o justo sofre.

Existe uma razão no sofrimento do justo, daquele que não mereceria sofrer tanto. Na primeira parte do exílio eles reconhecem os pecados que cometeram e que os levaram ao exílio, mas depois, como o exílio durou mais de 50 anos, eles vão vendo:

“Meu Deus! É tanto sofrimento! Existe uma razão para o sofrimento daqueles que são Teus servos? Daqueles que são Teus eleitos?”. E aí a teologia da época vai buscando o sentido e vê na figura do eleito de Deus a figura daquela pessoa que toma sobre si as enfermidades dos outros, que carrega as dores dos outros.

“Verdadeiramente foi ele quem tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos nós sarados. Todos nós temos andado desgarrados como ovelhas; temo-nos desviado cada um para o seu caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido, contudo humilhou-se a si mesmo, e não abriu a boca. Como o cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda diante dos que a tosquiam; assim não abriu ele a boca”.

E aí você pode ler depois, quando for rezar com essa palavra sexta-feira, mergulhar.

O eleito de Deus, o eleito por excelência, que é o Messias, que é Jesus, ele traz sobre si essa missão de não penas anunciar a boa nova, mas de curar as feridas do povo trazendo-as sobre si.

E aí podemos, num último momento dessa palavra, dessa leitura, desse contexto dos cânticos do servo sofredor, pensar também em nós, cristãos, como eleitos de Deus.

Deus nos escolheu e às vezes nós passamos por provas, por situações, e ficamos pensando:

“Senhor, eu sei que sou pecador e tudo, mas qual é o sentido? Tem algum sentido para essa prova em especial, para essa provação, para essa tribulação que Tu permites na minha vida? Tem sentido nessa doença? Tem sentido nesse período de sofrimento, de perseguição?”

Uma coisa que precisamos entender é que às vezes na nossa fé falamos muito de certa teologia da prosperidade:

“Deus vai fazer com que tudo dê certo”, e esquecemos de que Deus nos escolheu também para completar na nossa carne o que falta à Paixão de Cristo[3], como diz São Paulo.

Não é que falte alguma coisa na Paixão de Cristo, mas é porque Paulo identifica a Igreja ao corpo de Cristo. Eu sou Igreja, você é Igreja, quem é batizado é Igreja.

Então, nós completamos na nossa vida, nós participamos dos sofrimentos de Jesus.

Completamos no sentido de participantes. Nós somos coparticipantes da Paixão de Jesus, trazendo sobre nós as feridas da humanidade para que Deus possa ir curar a humanidade.

E é preciso que nós contemplemos o Crucificado por amor para que os nossos sofrimentos se transformem em sofrimentos vividos por amor também, e essa é a gloria de Deus que se manifesta na nossa vida também, não apenas quando Deus nos cura, não apenas quando as provações passam, não apenas quando vemos que tudo dá certo, mas também quando carregamos a nossa cruz nós somos tratados como eleitos de Deus, nós somos tratados como pessoas com quem Deus pode contar para ir perdoando os crimes da humanidade, para ir salvando a humanidade.

Veja que alta dignidade nós temos pelo nosso batismo, e se você é consagrado em alguma comunidade, pela sua consagração de vida!

Senhor, nós queremos nos unir a Ti nessa Semana Santa. Dai-nos um coração que não foge da cruz. Só o demônio foge da cruz. Nós queremos vivê-la por amor a Ti e no nosso nível carregarmos na nossa vida os sofrimentos que pesam sobre a humanidade.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado! Shalom!

[1] Salmo 137. | [2] Atos 8, 26-40. | [3] Colossenses 1.

Daniel Ramos, Missionário da Comunidade de Vida Shalom na França


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