Abro mão de tudo, Senhor, tudo que hoje Tu me dás a graça de te entregar, todos os apegos, sonhos e projetos, tudo que não faz parte dos Teus sonhos para mim. Ainda não é o TUDO que posso dar, mas é meu tudo de hoje. Assim como peço a graça de dar meu sim, mesmo fraco, mas abraçado no grande SIM que disse Maria.
Hoje, o tudo que ofereço pode até parecer pouco, mas há quem diga que é muito. Tempo para família, amigos, estudo, lazer, tempo para não fazer nada. Movimento para alcançar o sonho profissional, acadêmico, pessoal. O abrir mão das escolhas que queremos: onde e com quem estar, o que fazer e não fazer. É deixarmos ser moldados por Ti e por aqueles a quem nos confiaste.
Tudo isso tem dado lugar para as Tuas coisas, para onde Tu desejas que estejamos e na companhia daqueles que Tu nos leva a encontrar. Tu tens conduzido e redirecionado docilmente nossas vontades. Tens nos educado para ser livres.
“A total renúncia a si mesmo significa aceitar com um sorriso o que Ele dá e o que Ele tira… Então, serás livre.” Santa Teresa de Calcutá
O mais estranho é que humanamente, às vezes, as renúncias parecem fracassos: tudo abandonar, ser o último, acolher que Deus deu e tirou, acolher que esse emprego, escolhas, estudo, mesmo lícitos, não são para nós nesse tempo.
Sim, a carne grita ao sentir que o prazer do ter e do ser estão ameaçados. Basta uma “fisgada” no orgulho e vaidades e pronto, estamos nós a iniciar o “chororô” com Jesus. Mas é esse o propósito: tudo perder, para tudo ganhar. Sim, loucura. Loucura para muitos, coragem para poucos. Quanto maior a loucura, maior a oferta.
Santa loucura, que ao nos fazer menores engrandece nossa alma. Vivenciar uma minúscula fração do que os santos viveram e dos motivos para os quais empenharam suas vidas, desde sua conversão: viver pra Deus. Ser para Deus e para os outros.
“Pra te amar só tenho hoje”
Santa Teresinha
Óh tarefa difícil. Difícil porque é simples e, humanos, gostamos de complicar, queremos adereços demais, dinheiro demais, reconhecimento demais. Queremos segurança, controle, posses, queremos ser donos. Fomos dependentes na infância, porém crescemos e começamos a achar que somos donos de nós mesmos. Invertemos a lógica natural.
É essa inversão que hoje Deus nos chama a reordenar. A voltar à essência do que somos: criaturas, filhos, dotados de inteligência e potências, mas filhos. E como tal precisamos reaprender a obedecer e acolher.
Que sejamos capazes de deixar nosso Pai nos conduzir na certeza de que Ele vê mais longe. Ele que sonda nossos corações e que sabe o que podemos dar.
Mesmo imperfeitos, que nosso TUDO de hoje seja simples e grande: tempo, dinheiro, presença, oração, silêncio, medo, fraquezas, não querer rezar, mágoas, sorrisos, aquele trabalho, romance, livro, amigos, família… E tudo o mais que hoje você deseja e precisa incluir nessa lista.
Porque sim Senhor, queremos abrir mão de tudo. Tudo que nos prende, retém e aprisiona, dentro e fora de nós. Dai-nos esta graça.
Que Deus acolha nossas mãos abertas com a oferta de nosso tudo de hoje.
Por: Elisangela Assis
