Como missionário católico, já tive muitas oportunidades de acompanhar, pastorear, pessoas que buscavam orientações e aconselhamentos. Entre as inúmeras perguntas que já ouvi, vindas de pessoas que iniciaram um caminho de fé, a maioria queria saber o seguinte: “Como amar, agradar e servir a Deus?”
Eu, no esforço de responder a essas benditas e santas perguntas, recorria sempre aos seguintes textos da Sagrada escritura: “Quero amor e não sacrifício, conhecimento de Deus, mais do que holocausto” (Oséias 6, 6). E continuava orientando ainda iluminado por outros textos bíblico: “Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido” (SL 50).
Um ou outro que orientei ficou com aquela cara de: “só isso?” Eu sempre motivava, vá, coloque em prática, daqui a alguns dias conversaremos novamente. O engraçado é que um tempo depois, os que tinham coragem me procuravam de novo, e o “só isso?” de antes, virava agora: “Tudo isso?”
No Evangelho, encontramos algumas passagens onde os ouvintes sentiram essa exigência libertadora e gratificante do amor, nas palavras de Jesus. Numa dessas passagens, o Mestre conta uma parábola que no final um bom cearense diria: “Bufuuu, vai Nanais!” Tamanha a exigência e libertadora sabedoria da expressão.
Assim, diz o texto: “Dois homens subiram no templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. O fariseu em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus lucros” (LC 18,9). Continua o texto: ” O publicano, porém, mantendo se a distância, não ousava se quer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito dizendo: Ó Deus tem piedade de mim, porque sou pecador!” (LC 18, 13)
O amor se vivido com seriedade, como nos é apresentado e ensinando por Jesus no evangelho, é uma libertadora exigência. Na hora, achamos quase impossível, depois nos perguntamos: “como consegui viver tanto tempo sem amar?” Jesus então conclui fazendo uma surpreendente revelação:” Eu vos digo, este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se elevar será humilhado e quem se humilhar será exaltado (V 53,14).
Termino irmãos essa reflexão, alertando o seguinte: humildade não é nem de longe, complexo de inferioridade. O verdadeiro humilde é tão seguro de si, de quem ele é, e dos seus valores sobretudo diante de Deus, que não precisa ficar se autoafirmando e nem se achando a pior pessoa do mundo.
Eu sou o que Deus pensa de mim e pronto, com virtudes e limites. Que Deus nos ajude a estarmos sempre atentos a oportunidade de ama-lo e servi-lo, sendo assim luz para os que ainda estão nas trevas do desconhecimento de Deus. O Senhor nos abençoe sempre, Shalom!
Rodrigo Santos
