Há na Igreja e no mundo pessoas muito bem-intencionadas, porém com reduzido senso prático. Não conseguem transcender os discursos com atos. Os valores precisam se encarnar na vida, caso contrário, tornam-se apenas mais uma teoria discursiva. Jesus como um excelente mestre, um eficiente treinador, conhece bem essa tendência humana. Assim, ele oferece em seus ensinamentos preciosas sugestões práticas.
“Jesus respondeu-lhe: Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (João 14, 23-26).
Ao ler esses direcionamentos de Jesus, os ativistas de causas sociais e políticas no meio cristão devem gritar: “Aleluia!” Porém, toda ação exterior humana, na lógica cristã é na verdade um transbordamento de uma ação da graça no interior do fiel. Num cristão maduro é possível contemplar suas convicções, tocar no que ele crê, pelo modo como ele vive.
A fé sem obras é uma fé morta (Cf. Tiago 2, 14). Nossas ações, por mais positivas que sejam, se não forem um transbordamento de nossa comunhão com Deus, são um ativismo social apenas.
Conheço cristãos maravilhosos que se envolveram com ativismos eclesiais, profissionais, políticos e sociais e esqueceram quem eles eram. Outros que sob o pretexto de uma vida espiritual elevada tornaram-se desumanos. Quer um conceito seguro de fé e obra, teoria e prática na lógica cristã? Leia essas palavras do apóstolo:
“Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; se então alguém de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos, e comei à vontade sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso? Assim também a fé: se não se traduz em obras, por si só está morta. Em compensação, alguém poderá dizer: Tu tens a fé e eu tenho a prática! Tu, mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras!” (Tiago 2, 14-18)
Nos esforcemos por uma vida coerente, onde nossos atos sejam uma fotografia o mais fiel possível daquilo que professamos com o coração e lemos em nossos livros sagrados.
Deus abençoe você sempre, Shalom!
Por Rodrigo Santos
