Meus irmãos, nestes dias compreendi como o evangelho é vivo! Tive o privilégio de visitar a missão de Chaves na Ilha do Marajó, extremo norte do Brasil. Nessa pequena cidade compreendi tantas coisas:
– Compreendi a providência divina e a comunhão de bens, não porque partilhei do que eu trazia, mas porque, sem nenhum esforço, os pobres partilharam comigo. Durante o almoço, bateu à nossa porta uma moradora local muito pobre dizendo: “trouxe uma bacia com limões para vocês…”, nesse momento meus olhos se abriram e eu vi Jesus Pobre.
Na cidade de Chaves eu pude compreender também, a dimensão do serviço, não porque eu servi, mas porque, visitando um casebre paupérrimo de um único cômodo durante a chuva, com meus pés atolados em lama, uma senhora atenta, rapidamente, me ofereceu sua “melhor” água, da qual tinha sido armazenada da chuva e esperava seu consumo e com todo cuidado me ofereceu para lavar os meus pés. Nesse momento, através daquela senhora, eu vi Jesus Servo.
Foi durante a minha visita a cidade de Chaves que pude compreender as palavras do Senhor em Mt 6, não porque eu quis, mas porque os pobres me ensinaram! Eles me mostraram que ao depender do horário da “maré” para poder embarcar se faz necessário viver um dia de cada vez! Para os barcos navegarem eles esperam o “rio subir” e dessa forma eles, mesmo sem perceberem, me contaram um precioso segredo: a vaidade de confiar nas minhas próprias forças adoece e mata! Que as preocupações de amanhã ainda não existem, são vãs e fazem de mim um idólatra.
Como um amigo que confidencia segredos eles me mostraram: que só existe um tesouro verdadeiro e a pobreza é o passaporte para alcançá-lo! Em Chaves entendi o Papa Francisco quando explica, de forma simples, o que é necessário para se ganhar o céu: “para lá não vale o que se tem mas o que se dá”. Nesse momento, bem na minha frente, fitando os meus olhos, eu vi Jesus Senhor!
Eduardo Bezerra – discípulo CA





