Não existe fichas, nem hora marcada. O atendimento é por ordem de chegada. Todos os dias das 15h30 às 17h30. Sempre existe fila, é inevitável, afinal muitos são os enfermos. Nas três salas, com portas brancas e uma janelinha de vidro que possibilita ver se a sala está ocupada, estão os médicos.
Dentro da sala, o atendimento varia de pessoa para pessoa, alguns demoram 5 minutos outros 30. O importante é que o médico está lá para o tempo que você precisar. Te escuta. Depois receita.
Na sala de espera as pessoas não conversam entre si. O silêncio reina. Os olhos ficam atentos para a tal chegada “nossa vez”. O coração acelera um pouco, é verdade. A vergonha muitas vezes vem à tona: “Realmente vou contar isso? Vou ter coragem?”. Ou somos até mesmo movidos por uma desesperança: “de novo eu aqui com a mesma doença?”.
Mas existe algo diferente que acontece naquela fila. Enquanto vários sentimentos vão digladiando dentro de nós, ao olharmos cada pessoa saindo do “consultório” com um sorriso, ou até mesmo com lágrimas de conforto, de misericórdia, vão nos enchendo de coragem e logo todo nosso ser é tomado de uma ansiedade para que chegue a nossa vez.
Quando chega, levantamos depressa (para não perder o tempo do próximo da fila), seguramos a maçaneta ainda meio trêmulos. E somos surpreendidos por um:
– Boa tarde, minha filha, sente aqui. Quando foi sua última confissão?
– Boa tarde, padre….
Ah, aí a conversa rola solto, a alma é lavada, purificada. Toda doença é entregue nas mãos dAquele que pode nos curar. Na sala os únicos materiais são um crucifixo, as mãos do sacerdote sobre a nossa cabeça e as suas palavras:
– Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo Ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo. Amém.
Pronto. Saímos curados. Sim, curados! A única receita que levamos para casa é o cumprimento da penitência e um convite de amor a não pecarmos mais. Não existe melhor remédio para nossa alma que o perdão do Pai. Podemos sair da sala inundados em lágrimas ou em sorrisos, a expressão corporal só expressa um estado: uma alma inundada de Paz e da certeza que é amada.
Mais uma vez perdoada, mais uma vez leve, mais uma vez ela tem a chance de recomeçar e continuar o caminho. Ela sabe que ainda será necessário voltar várias vezes a esse consultório, mas as visitas fortalecem nela cada dia mais a certeza de que precisa retornar porque é ali que será plenamente curada.
Lydiana Rossetti
Consagrada da Comunidade de Vida
