É tão comum ver relacionamentos cheios de idas e vindas, cheios de inconstâncias e incertezas. Relacionamentos vazios que buscam se preencher de um amor mais vazio ainda. Mas, afinal, como amar e se permitir ser amado sem conhecer o verdadeiro Amor?
Lá em I Coríntios 13, 4 – 7, diz: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
Pois bem, está tudo aí, é como se fosse uma receitinha de bolo, sabe? Essa é a receita do amor, fora disso, pode existir qualquer coisa, qualquer sentimento, mas eu sinto dizer, não é amor.
Na adolescência, sofri e causei tantas feridas por buscar esse amor, de forma desregrada e interesseira, que apenas desisti de procurar e me fechei totalmente para isso. Namorar para quê? Dá trabalho esse negócio de namoro.
Sim, dá trabalho esse negócio de namoro, mas é que nem plantar uma semente, exige paciência, esforço, tempo, dedicação, mas quando a árvore enfim começa a brotar e vai crescendo, florescendo e dando frutos, a gente percebe o quanto vale a pena. Hoje eu sei quais as graças de um namoro, e são tantas e tão grandes para não querer vivê-las.
Conheci o Raul há alguns anos e não ia nem um pouco com a cara dele, sabe aquela história de julgar um livro pela capa? Pois bem, não façam isso! (risos). Quando nos aproximamos, fui percebendo o quanto tínhamos em comum e a amizade simplesmente fluiu, foi tão natural que não sei ao certo onde foi que ela começou.
Fazemos o mesmo curso na faculdade e, no Shalom, éramos do mesmo ministério, por isso, passamos a estar sempre juntos e ele se tornou meu melhor amigo, mas, com o tempo, fui percebendo que existia algo a mais.
Foi uma longa jornada até o namoro, tempo de fortalecer a amizade, de oração. Sim, ORAÇÃO. Sem isso, como saberíamos se era vontade de Deus? Foi preciso calar as nossas paixões e submeter a nossa vontade à vontade de Deus, e isso só é possível por meio da oração. E assim crescemos no autoconhecimento, no conhecimento um do outro, na maturidade humana e no amor um pelo outro por meio da amizade. Pudemos provar verdadeiramente que “o amor é paciente, o amor é bondoso […] tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.
Não vou mentir, por vezes não foi fácil, afinal eu sabia o que sentia por ele e ia descobrindo o que ele sentia por mim. Mas, acima de tudo isso, das minhas vontades e desejos, eu queria a vontade de Deus, e Ele era muito claro conosco acerca de que existe um tempo para cada coisa, e que este caminho nos prepararia para a vivência de um namoro santo.
E existe esse negócio de “namoro santo”? Então, existe sim!
Algo que Deus deixava muito claro antes mesmo de começarmos a namorar é que “esse relacionamento não seria para nós mesmos”.
Não somos um para o outro, somos para Deus, para glória de Deus, por misericórdia de Deus, e a vivência de um namoro santo nos dignifica e nos santifica.
Num mundo cada dia mais erotizado, em que as relações são cada vez mais passageiras e banais, se você fala sobre a vivência da castidade dentro de um namoro, isso gera espanto, risadas, repulsa. É um misto de sentimentos, mas nenhum deles é bom. Isso se dá justamente porque as pessoas desconhecem O Amor.
Sim, Amor com ‘A’ maiúsculo, porque não se trata apenas de um sentimento, O Amor é uma pessoa, uma pessoa que dá sentido às nossas vidas. O Amor é o próprio Deus.
Nós rezamos para iniciar o namoro. E hoje rezamos para que Deus nos sustente. Pedindo para viver a tal receitinha de bolo, lembra?
A vivência da castidade na caminhada nos preparou para as graças e alegrias do namoro, e a vivência da castidade no namoro nos guarda para um futuro que só será vivido em sua totalidade se vivermos cada coisa no tempo certo.
Hoje, vendo alguns dos frutos do que plantamos há um tempo, vejo o quanto Deus foi generoso por tudo que Ele nos permitiu viver até aqui e também pelo que ainda virá. Vejo o quanto valeu a pena a espera, as orações, a vivência da castidade, o cuidado, tudo isso gera em nós o amor.
Sou imensamente feliz e grata pelo homem que trilha esse caminho de santidade comigo e o amo porque juntos escolhemos plantar uma semente, juntos fomos vendo a árvore crescer e juntos vamos colhendo os frutos que hoje Deus nos permite.
Adrielle Barbosa
Consagrada na Comunidade Shalom
Missão de Natal