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Família nos dias de hoje, sim!

Testemunho a certeza de que o relativismo não tem a última palavra e que vale a pena lutar por valores, pela Verdade.

comshalom

Esse não é um testemunho tão incomum, não fosse ele sobre ser e ter família nos dias de hoje.  Falar de família ou de qualquer decisão que enalteça o que não passa, parece ser tabu, quando deveria ser o plausível, rotineiro. Sou Michele, casada, professora de História há mais ou menos 15 anos. Não diria que tenho vida mais estável no âmbito financeiro, mas diria estável no âmbito, feliz.

No final de 2017, junto ao meu noivo até então, demos um passo decidido, o do matrimônio. Com mais de 30 anos, poderia eu ter me embrenhado por outros rumos, já que por formação e inclinações acadêmicas, fui inserida numa geração feminista, questionadora quanto à “empoderadas” decisões. Durante grande parte de minha vida, ouvi coisas do tipo: Você é independente, não conseguiria submeter-se… Cuidado para não ser oprimida! Família hoje em dia não dura muito… Se não tiver uma estrutura financeira muito boa, o casamento não dura, pois custa caro ter filhos… Ter e criar filhos nos dias de hoje é loucura, olha essa violência… Enfim.

Sendo professora, ainda mais no contexto de periferia, permitiu-me tocar diversas realidades de desestrutura familiar. Creio que num contexto mais abastado também as tocaria, porém nas omissões, não tanto nas ausências concretas. Vi filhos sem pais, pais que não criam filhos, escola que recebe responsabilidades que seriam dos pais, dentre outras realidades que confrontariam um desejo concreto de maternidade. Não fosse por um simples detalhe: maternidade é dom e isso me veio inerente do estado de vida ao qual pertenço, o matrimônio.

Não tinha eu filhos gerados, mas sempre me foram confiados os filhos desse mundo. Ter participação na educação e formação do caráter de alguém nos faz pais (de misericórdia) desse alguém. Não estou aqui levantando bandeiras políticas, nem questionando o lugar de educadores e pais, mas correlacionando todo àquele que participa da construção do outro.

Nasci na década de 80, tempo de grandes tribulações políticas e econômicas no país. Pela estatística não seria um bom tempo para se ter filhos. Meus pais nunca me deram o que queria, mas sempre ofertaram seu melhor e o necessário, para que pudéssemos ser alguém de bem. Eram presentes, mesmo quando faltava o brinquedo, mesmo sob a luz de velas, mesmo na casa alugada, no pão restrito, era amor, lar. Não me faltou estudo, nem broncas necessárias, nem palavras de fé.

Hoje sou eu quem gera uma vida… Deus teve pressa e nos concedeu há pouco essa graça. Não vejo um mundo fácil lá fora, para uma criança que nem sabemos ser menino ou menina. Coração pequeno que pulsa acelerado, ansioso por vida e desenvolvimento. Não vejo um mundo fácil lá fora, mas há amor aqui dentro, há oração, há cuidado… Há uma fundação segura que levará essa vida a pisar firme e dizer um dia: – Meus pais quiseram que eu nascesse nesse mundo, pois é nele que tenho uma missão.

Testemunho um destemor tremendo, que tem nos envolvido nesse tempo. Estamos aprendendo a olhar além das janelas do medo, da desesperança tão disseminada hoje. A certeza de que os que farão a diferença precisam nascer queridos, desejados, abraçados por famílias de verdade, que desejam ser família. Testemunho a certeza de que o relativismo não tem a última palavra e que vale a pena lutar por valores, pela Verdade.

Termino ressaltando que viver para o que somos chamados não nos enfraquece, ou diminui, pelo contrário nos potencializa no amor. Nos faz fortes para darmos o melhor à Deus e ao mundo. Ser fecundo é amar o lugar e a terra que nos foi confiada, lá é o lugar das boas sementes.

(Michele Lobo Cunha é consagrada da Comunidade de Aliança na Comunidade Shalom de Santo Amaro, São Paulo.)

 

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