Formação

Felizes os pobres … o reino lhes pertence

Pessoas fartas,totalmente saciadas, nunca estão plenamente realizadas. A felicidade está em viver livres, ser livres diante das dos bens materiais que falsamente prometem felicidade.

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“Nosso tempo está marcado por um acúmulo de riquezas, cada vez maior. Muitas pessoas se mostram ávidas de dinheiro e posses. Atrelam seu valor ao modelo de carro que possuem ou à grife da roupa que usam. As crianças também são vítimas disso. Na escola, tornam-se alvo de zombaria quando usam tênis baratos ou roupas simples que não obedecem aos padrões dos shoppings. E parece que a autoestima delas está tão baixa, que buscam sua aceitação, usando objetos caros da moda. Isso mostra que confiam tão pouco em si mesmas, que precisam de símbolos, de status externos para se esconder”.

Esta breve descrição de um monge contemplativo, retrata a dura realidade do consumismo, plantada no coração de todos, a começar pelas crianças.Vivemos em um mundo marcado pelas etiquetas e grifes, às vezes fabricada no fundo do quintal por quem ganha uma miséria para confeccionar, e na loja, se paga o que não vale, só porque tem ali estampado uma letra, um símbolo, uma marca convencionada na mídia, por um personagem importante.

Infelizmente o consumismo se alimenta de cada um de nós. Perguntamos então, o que fazer? Eu fui buscar uma resposta em um texto, escrito dos anos 153 a 205 da era cristã.

“Os bens estão em nossas mãos como ferramenta, como instrumentos dos quais retiramos bom uso, se soubermos manipulá-los. A natureza fez das riquezas, escravas e não senhoras. Destruamos pois, não os nossos bens,mas a cobiça… Nada lucrais em largar o dinheiro que tendes se continuardes a ser ricos em desejos desenfreados”. Eis de que forma concebe o Senhor o uso dos bens exteriores. Temos de nos desfazer, não de um dinheiro que nos permite viver, mas das forças que nos levam a usá-lo mal….temos de purificar a nossa alma, isto é, torná-la pobre e nua, para nesse estado ouvirmos o chamamento do Salvador: “Vem e segue-me”. (Esse texto é do Teólogo Clemente de Alexandria que viveu de 153 a 205).

O coração humano é insaciável, tem desejos incontroláveis, sentimentos de toda ordem, e o pior de tudo que vivemos continuamente, pensando,tramando, articulando, fazendo de tudo para saciá-los.  Saciado agora,se acalma, se tranqüiliza, e de repente se dá conta de que “eu não precisava disso”, “poderia viver sem ter gasto nisto ou naquilo”,porque assumi este compromisso financeiro agora?

Quantas dores de cabeça, quanto estresse,  por não usar a cabeça, a razão, cuja característica nos fazem diferentes dos outros seres. Como dizia Clemente: destruamos não os bens e sim a cobiça. Pessoas fartas,totalmente saciadas, nunca estão plenamente realizadas. A felicidade está em viver livres, ser livres diante das dos bens materiais que falsamente prometem felicidade.

Assim,esta primeira bem-aventurança é um caminho para a liberdade e para a verdadeira felicidade. Ao mesmo tempo esta bem-aventurança é dirigida para todos aqueles que não têm nada em suas mãos, se sentem impotentes diante de Deus, e colocam toda a esperança Nele.

Certamente,neste mundo onde os pobres não só perderam os bens materiais, mas a própria dignidade, precisamos olhar a segunda parte desta promessa de Jesus, onde encontramos o rosto da felicidade. Após a bem-aventurança dos pobres em espírito, segue a frase: “pois o Reino dos Céus lhes pertence”. Reino dos Céus é o mesmo que dizer Reino de Deus, ou seja, é o lugar onde Deus mora, reina, vive. O pobre em espírito renuncia ao poder e ao domínio de tudo, para deixar Deus dominar em seu próprio coração.

Dom Anuar Battisti

 


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