“Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado. Ele disse-lhes: ‘Vinde à parte, para algum lugar deserto e descansai um pouco’. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer.” Mc 6,30-31
Todas as vezes que medito essa passagem do Evangelho de Marcos, muitas coisas vêm ao meu coração. Fico a meditar o cuidado, o zelo que Jesus tem para com seus seguidores. Zelo com aqueles que deixaram tudo para segui-lo. Nessa passagem, fica claro para todas as necessidades que o Discípulo tem de descansar. Descansar no tempo certo, da maneira certa.
Jesus percebeu que seus apóstolos estavam cansados da labuta diária na propagação da Boa Nova. Nós, missionários, sabemos o quanto essa labuta é exigente. Temos muitos trabalhos a cada dia. Lidamos com realidades espirituais e humanas. Lidamos com a graça divina e a fraqueza humana. Força e fraqueza.
Evangelizamos um mundo hostil, que a cada dia manifesta sua repulsa à Boa Nova trazida por Cristo, da qual a Igreja é portadora.
Além de toda essa realidade externa, há ainda um mundo interior dentro de cada um de nós. Um mundo que clama por conversão. Um mundo com muitas zonas de conflito. Digamos que há dentro de cada homem uma espécie de “Faixa de Gaza”, zona que precisa ser cristificada, evangelizada com urgência. De lá emanam as paixões ainda não domadas pelo homem novo. Essas paixões, quando se levantam e não são freiadas, fazem um grande estrago na alma do homem.
Lembrei-me dos noticiários que acompanhei, nos quais as manchetes eram os conflitos no Oriente Médio, na Faixa de Gaza. Esse é o mundo em que vivemos.
Nossa missão de discípulos e ministros da Paz é bastante exigente. Requer, de fato, coragem, disposição e renúncia.
Retornemos agora às palavras de Jesus no Evangelho de Marcos. Jesus convida os Apóstolos a descansar: “Vinde vós à parte num lugar deserto e descansai um pouco”.
Meu caro irmão, o Senhor sabe que precisamos descansar, parar de vez em quando para nos recompor, restaurar as forças físicas e espirituais para nos darmos mais àqueles que tanto necessitam.
No dia a dia, a providência divina nos proporciona esse “parar e descansar”. Uma oração pessoal bem vivida, uma lectio divina bem feita, a Eucaristia diária, a oração comunitária e a convivência sadia com os irmãos são, certamente, meios eficazes que o Senhor nos dá para descansarmos, renovarmos as nossas forças.
Aqui também quero ressaltar outro meio de descanso proposto pelo Senhor no início de cada ano. Na Comunidade de Vida Shalom, trata-se das tão aguardadas férias comunitárias, momento de lazer, descanso e intensa convivência fraterna.
É tempo de atender a essa ordem de Jesus. Entremos nesse “lugar deserto” e descansemos. Para que esse tempo de férias seja bem vivido, é bom lembrar que Jesus não fez esse convite a um único apóstolo. Não o fez a um pequeno grupinho. O convite é para todos: “Vinde vós à parte num lugar deserto e descansai um pouco”.
Por tanto meu caro irmão, deixemo-nos restaurar pelo Senhor na companhia dos nossos irmãos. Não nos preocupemos apenas em descansar, mas também em favorecer o descanso do outro. Saiamos de nós mesmos. Sejamos criativos e dinâmicos nessas férias.
Bom, acabei de lembrar que ainda não terminei de arrumar minha mala, e talvez estejam precisando de ajuda pra arrumar as coisas da cozinha. Preciso ir.
Depois dessa simples reflexão sobre as férias comunitárias como descanso pessoal e comunitário, voltemos ao Evangelho de Marcos, os versículos seguintes, que narram o que aconteceu logo após esse merecido descanso dos discípulos com o mestre.
Pra terminar de verdade: descansemos para amar mais, para evangelizar mais.
Boas férias. Aproveite bem esses dias.
Vanilton Lima

É a primeira vez que li o comentário da comshlom, foi um comentário direto com colocações do mundo atual. Abraços.
Muito obrigado por essa reflexão. Estava justamente buscando ess es versos quando encontrei estes.
Um abraço
Sabe o que eu mais fico admirado com Jesus. É que o chamado aos discípulos era de fato para o descanso. Mais chegando lá ele vê a fome da multidão, que como ovelha se encontravam .. . E ele deixa tudo de imediato, quando vê a multidão.
.. . E os discipulos falam pra Jesus, MANDE ELA EMBORA, AQUI NÃO TEM COMIDA. .
Mais Jesus diz a eles VÃO VOCÊS E DÊEM A ELES DE COMER. Como acabou essas férias?
Posso te falar? Terminou Jesus amando a multidão, e acabando com as férias da galera!
Ouço o apóstolo Paulo dizendo:
8. Assim sendo, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, prisioneiro dele; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos pela causa do Evangelho conforme o poder de Deus.
9. Pois Ele nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas em função da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi outorgada em Cristo Jesus desde os tempos eternos,
(2 Timóteo, 1)
30. Retornaram os apóstolos e reuniram-se com Jesus para lhe relatar tudo quanto haviam realizado e ensinado.
31. Então convidou-lhes Jesus: “Vinde somente vós comigo, para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Pois, a multidão dos que chegavam e partiam era tão grande que eles sequer tinham tempo para comer.
32. E saindo de barco foram para um local despovoado.
33. Entretanto, muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, saíram correndo a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles.
34. Quando Jesus desceu do barco e observou aquele enorme ajuntamento de pessoas, sentiu compaixão por elas, porquanto eram como ovelhas sem pastor. E, sem demora, passou a ministrar-lhes muitas orientações.
35. Com o passar das horas, o final da tarde estáva chegando, e por isso, os discípulos se aproximaram de Jesus e avisaram: “Este lugar é deserto e a hora já muito avançada!
36. Despede, pois, a multidão para que possam ir aos campos e povoados vizinhos comprar para si o que comer”.
37. Jesus porém os instruiu: “Provede-lhes vós mesmos de comer”. Ao que lhe replicaram: “Devemos ir e comprar cerca de duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?”
(Marcos, 6)