Li um dia desses que da vida não se espera respostas. É verdade. Ficamos muitas vezes perguntando para Deus, para a vida, a natureza e o Universo o sentido de todas as coisas, mas, na real, somos nós que respondemos à vida. Está nas nossas mãos o poder de dar sentido às situações – veio junto com o pacote do livre-arbítrio. Sabe aquela frase de “se a vida te deu um limão…”, então, mais ou menos isso.
Sentido da Vida
Gosto muito de um pensador contemporâneo chamado Victor Frankl. Talvez, você já deva ter lido alguma coisa sobre ele. Se não, te apresento um psicólogo que sobreviveu aos campos de concentração nazistas – pra começo de conversa. Frankl se deparou muitas vezes com situações-limite no seu confinamento. Não existia uma única razão concreta para que a vida continuasse: a comida era pouca; a humilhação, constante; a família, assassinada; o corpo, sem forças; a chance de escapar, ínfima. E, com tudo isso, ele continuou vivendo e lutando, um dia por vez.
Frankl se manteve fiel aos valores que acreditava: fidelidade, honestidade, verdade. Viveu ressignificando cada momento dentro do campo de concentração, entendendo que, se aquela era a sua vida, era seu papel responder a ela da melhor forma possível. Teve crises, claro, como qualquer pessoa, mas decidiu que viveria. Talvez essa tenha sido sua resposta para a vida: sim, eu quero e vou viver.
Agora, sê forte e sinta-se vivo!
Acredito que a maioria das pessoas que admiramos tenham isso em comum: a persistência e a coragem. Santa Teresa D’Ávila diz que ouviu de Deus, no meio de uma grande provação para conseguir fundar um novo Carmelo, “Agora, Teresa, sê forte”, e, obedecendo a voz de Deus, decidiu determinadamente ser forte, reformando toda uma ordem religiosa. Outra Teresa, dessa vez vencedora do Nobel da paz, Madre de Calcutá, disse uma certa vez: “enquanto estiver vivo(a), sinta-se vivo(a)”, e não há quem olhe para suas fotos, conheça sua história e diga que não viveu.
Elas, como todos nós, foram cercadas pela fragilidade de ser alguém, vivo no mundo real. Não foram melhores, nem tiveram mais aptidões. Erraram, caíram, desistiram… Mas recomeçaram e decidiram viver. Depois, desistiram de novo e começaram de novo, como uma criança que cai muitas vezes antes de dar passos firmes.
Quantos sonhos, desejos, planos e valores desistimos de viver por não acharmos que valem o nosso tempo? Escolha sua desculpa preferida: “Afinal, o que os outros vão pensar?”, “é muito grande pra mim, arriscado demais!”, “exige muito!”… Bom, estamos de quarentena, talvez “dê tempo” de reavaliar sua vida agora.
O que vai ficar?
Em tempos em que sentimos tanta falta uns dos outros, da rua, da vida ordinária, é tempo de perguntar o que faz os nossos dias extraordinários. O que te faz realmente feliz? Com o que você mais se preocupa? Onde ou em que você colocou a sua prioridade? O seu tempo de vida foi investido no que mesmo?
Uma coisa é fato: o tempo passa e, com ele, várias outras coisas. A quarentena passa, os jogos vorazes por álcool gel passam, a gente volta a trabalhar presencialmente, vamos enfrentar de novo os cansaços do deslocamento casa-emprego-faculdade… o que fica? Presente no livre-arbítrio pra gente lidar.
Por Isabelle Merlini
