Formação

Fidelidade de Cristo. Fidelidades dos Sacerdotes

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Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo de Fortaleza

Iniciado o Ano Sacerdotal para toda a Igreja no dia 19 de junho,Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, os sacerdotes recebemos do PapaBento XVI uma Carta especial. Nela o mesmo Santo Padre propõe asmotivações e o tema para o Ano Sacerdotal iniciante. Motivação: acelebração dos 150 anos da morte de São João Maria Vianney, o Curad’Ars, padroeiro dos párocos. Lema: Fidelidade de Cristo. Fidelidadedos sacerdotes.

Este Ano especial quer motivar os sacerdotes e toda a comunidade dosfiéis a reconhecer o imenso dom de Deus que é o sacerdócio de Cristo emSua Igreja. Quer despertar para a gratidão pelo dom recebido eestimular maior santidade de vida e ministério nos sacerdotes, o que sereverterá em muito bem para todos os irmãos confiados a seu pastoreio.

O Santo Padre toma a vida e os ensinamentos do santo sacerdote Curad’Ars, São João Maria Vianney como luminoso modelo para todos ossacerdotes em sua vida consagrada e no exercício de seu ministériopastoral. A fidelidade de Cristo ao Pai e à humanidade se espelha nelee será também estímulo espiritual para todos os que são chamados,consagrados e enviados pelo mesmo Jesus, como participantes de suamissão salvadora.

Como o foi para o Santo Cura da cidade de Ars na França, será paratodo sacerdote o Coração de Jesus, em seu extremo de Amor pelahumanidade, fidelidade perfeita ao projeto amoroso do Pai para asalvação do mundo, fidelidade de Amor misericordioso para com oshomens, modelo do sacerdote formado “coração a coração” com Cristo, oBom Pastor que, tomado de compaixão, dá a vida por suas ovelhas.

“Deixar-se conquistar plenamente por Cristo! Esta foi a finalidadede toda a vida de São Paulo, a quem dirigimos a nossa atenção durante oAno paulino que já está próximo do seu encerramento; esta foi a meta detodo o ministério do Santo Cura d’Ars, que invocaremos durante o Anosacerdotal; este seja também o objetivo principal de cada um de nós.Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil o estudocom uma formação pastoral atenta e permanente, mas é ainda maisnecessária a “ciência do amor”, que só se aprende de “coração acoração” com Cristo. Com efeito, é Ele que nos chama a partir o pão doseu amor, para perdoar os pecados e para guiar o rebanho em seu nome.Precisamente por isso nunca devemos afastar-nos da nascente do Amor queé o seu Coração trespassado na cruz.” (da homilia de Bento XVI naabertura do Ano Sacerdotal 19 de junho de 2009)

Da santidade de vida e entusiasmo generoso no ministério, osacerdote será dom especial de Deus para tornar presente o próprioJesus para os irmãos, para que seus gestos salvadores se prolonguem notempo e cheguem a todas as pessoas.

“Só assim seremos capazes de cooperar eficazmente para o misterioso“desígnio do Pai”, que consiste em “fazer de Cristo o coração domundo”! Desígnio que se realiza na história, na medida em que Cristo setorna o Coração dos corações humanos, começando a partir daqueles quesão chamados a estar mais próximos dele, precisamente os sacerdotes.Chamam-nos a este compromisso constante as “promessas sacerdotais”, quepronunciamos no dia da nossa Ordenação e que renovamos todos os anos naQuinta-Feira Santa, na Missa crismal. Até as nossas carências, osnossos limites e debilidades devem reconduzir-nos ao Coração de Jesus.Com efeito, é verdade que os pecadores, contemplando-O, devem aprenderdele a necessária “dor dos pecados” que os reconduza ao Pai, isto valeainda mais para os ministros sagrados. Como esquecer, a este propósito,que nada faz sofrer tanto a Igreja, Corpo de Cristo, como os pecadosdos seus pastores, sobretudo daqueles que se transformam em “ladrões deovelhas” (Jo 10, 1 ss.), porque as desviam com as suas doutrinasparticulares, ou porque as prendem com laços de pecado e de morte?Estimados sacerdotes, também para nós é válido o apelo à conversão e aorecurso à Misericórdia Divina, e devemos igualmente dirigir comhumildade uma súplica urgente e incessante ao Coração de Jesus, paraque nos preserve do terrível risco de prejudicar aqueles que somoschamados a salvar.” (idem)

E a beleza do testemunho de vida será confirmadora da graça de Deus que o sacerdote anuncia e serve aos irmãos.

Toda a Igreja é chamada a se envolver neste Ano Sacerdotal. A oraçãoda Igreja pelos seus pastores, a colaboração fraterna e generosa, oestímulo da própria santidade de vida dos fiéis, será de proveito paratodos aqueles que devem ser os servidores da mesma vida divina à Igrejae ao mundo.


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