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Fobias: quando o medo é uma doença

Você sabe o que é uma fobia e quais são as suas possíveis causas?

Foto | Unsplash

O medo pode ser definido como uma sensação de perigo, ou de que algo de muito ruim está para acontecer. Em geral, ele é acompanhado de sintomas físicos que incomodam bastante. Quando esse medo é desproporcional à ameaça, por definição irracional (com fortíssimos sinais de perigo) e também seguido de evitação das situações causadoras de medo, é chamado de fobia. A fobia, na verdade, é uma crise de pânico desencadeada em situações específicas.

Em algumas pessoas, ela se manifesta como o medo generalizado de lugares ou situações em que pode ser difícil ou embaraçoso escapar, ou que o auxílio pode não estar disponível. Isso inclui estar fora de casa desacompanhado, ou no meio de multidões. A fobia social, por exemplo, acontece quando a pessoa tem um medo acentuado e persistente de passar vergonha na frente dos outros, muitas vezes por temor de que as outras pessoas percebam os seus sinais de ansiedade. Embora os sintomas sejam muito parecidos, as causas são diversas e usualmente relacionada a traumas passados.

Seis em cada dez pessoas que sofrem de alguma fobia conseguem se lembrar quando a crise de medo aconteceu pela primeira vez e conseguem ligar as sensações de pânico ao local ou a situação em que a crise ocorreu. Para essas pessoas, há uma ligação muito clara entre o objeto e a sensação de medo. 

Mas por qual motivo uma pessoa desenvolve uma fobia? E ainda, por quais razões algumas fobias são mais comuns que outras?

Vários neurocientistas acreditam que fatores biológicos também estejam ligados ao desenvolvimento das fobias. Já foi constatado, por exemplo aumento do fluxo sanguíneo e maior metabolismo no lado direito do cérebro em pacientes fóbicos. Assim como casos de gêmeos idênticos educados separadamente que desenvolveram um mesmo tipo de fobia, apesar de terem sido educados em ambientes diferentes.

Outra razão para o desenvolvimento das fobias pode ser o fato de que associamos perigo a coisas ou situações que não podemos prever ou controlar, como um raio numa tempestade ou o ataque de um animal. É comum que pacientes com quadro clínico de transtorno de pânico acabem desenvolvendo fobia às suas próprias crises, e em consequência evitando lugares ou situações em que possam se sentir embaraçados ou que não possam contar com ajuda imediata.

Há ainda a influência social. Por exemplo, um tipo de fobia chamada taijin kyofusho é comum apenas no Japão. Ao contrário da fobia social (em que o paciente sente medo de ser ele mesmo humilhado ou desconsiderado em situação social) tão comum no Ocidente, o taijin kyofusho é o medo de ofender as outras pessoas por excesso de modéstia e consideração. O paciente tem medo que seu comportamento social ou um defeito físico imaginário possa ofender ou constranger as outras pessoas. Esse tipo de fobia é bem pouco encontrado em países ocidentais. O que há em comum em todas as fobias, portanto, é o fato de que o cérebro faz poderosos links em situações traumáticas.

Para entender o que se passa no cérebro de quem tem fobia, é interessante lembrar de uma situação universal: você, provavelmente, em algum momento da sua vida, estava com alguém, em uma situação bastante agradável, e ao fundo tocava uma música. Agora, quando você ouve a música, lembra da situação. E se parar para pensar bem, não apenas lembra da situação, mas talvez sinta as mesmas sensações agradáveis. Para o cérebro, o fenômeno de associação é o mesmo. Fortes emoções em geral ficam ligadas ao que acontece em volta. 

Estar preso no trânsito, em um elevador, pegar um avião ou um barco, lidar com a presença de determinados tipos de insetos ou animais, é, para quem sofre de certos tipos de fobia, uma situação aparentemente sem saída, por isso essas pessoas ficam paralisadas. É muito importante, portanto, nunca ignorar a angústia dessa pessoa, mas permanecer ao lado dela, oferecendo suporte, carinho, e se possível, afastando-a da situação que desencadeou a tensão.

Texto publicado na Revista Shalom Maná


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