Ainda vivemos o clima do Círio 2007 enquanto as peregrinações continuam movimentando a comunidade: hoje, romaria das bicicletas e peregrinação da juventude, e amanhã a das crianças. As demais romarias e peregrinações prosseguem também em outros lugares, como Castanhal neste final de semana, onde aconteceu também a Assembléia Nacional da Cáritas, que reelegeu pela quarta vez o seu presidente. Foi nesta semana que foi anunciada a nomeação do Arcebispo de São Paulo como o mais novo Cardeal, a quem cumprimentamos. Neste sábado foi beatificada a jovem brasileira Albertina Berkenbrock em Tubarão-SC, que é um sinal refulgente em nosso tempo pela sua vida e sua coragem em idade tão jovem para o martírio. E é neste final de semana que celebramos o Dia Mundial das Missões neste mês totalmente dedicado à reflexão e à tomada de posições com relação à nossa missão evangelizadora.
Como acontece sempre na Igreja, o fato existe muito antes da criação do dia. É essencial para a Igreja ser missionária! Desde a sua fundação por Jesus Cristo a missão da Igreja foi Evangelizar, anunciar a Boa Notícia da Salvação a todos os povos e lugares. E assim o fez durante toda a história! Temos uma notícia muito importante para o mundo e não podemos nos omitir em anunciá-la. Foi neste mesmo clima que vieram para a nossa região, há quase 400 anos, os primeiros missionários trazendo a Palavra de Deus às nossas terras. Porém, o Dia Mundial é de recente criação. Foi criado pelo Papa Pio XI em 14 de abril de 1926 marcando o dia para o penúltimo domingo de outubro, tendo sido celebrado o primeiro dia em 1927. Estamos portanto no 81º Dia Mundial das Missões.
O dia destina-se a esclarecimento e animação missionária de todo o povo de Deus e também em fazer uma coleta mundial pelas missões. Com essa coleta é que a Igreja continua enviando missionários para regiões onde ainda não existe a Igreja implantada. Com essa ajuda é que em muitas regiões continuamos o trabalho de evangelização e de promoção social dos povos a serem evangelizados.
Cada ano o Papa entrega uma reflexão sobre esse dia – neste ano o tema é “Todas as Igrejas para o mundo inteiro”, quando o Papa Bento XVI “convida as Igrejas locais de cada continente a uma partilhada consciência sobre a urgente necessidade de relançar a ação missionária perante os numerosos e graves desafios do nosso tempo”. Ele espera que “o Dia Missionário Mundial contribua para tornar cada vez mais conscientes todas as comunidades cristãs e cada batizado, que a chamada de Cristo é universal para propagar o seu Reino até aos extremos do planeta”.
Recordamos com muito carinho também o cinqüentenário da encíclica “Fidei Donum” do Papa Pio XII, que lembra a necessidade de “uma cooperação entre as Igrejas ao serviço da missão”. Temos em nossa região muitos padres que vieram para o trabalho missionário como “fidei donum” e exercem sua missão evangelizadora em nossas dioceses.
Recordamos ainda de muitas famílias religiosas missionárias que para cá vieram e foram os primeiros evangelizadores destas terras ainda desconhecidas. Muitos deram suas vidas pela evangelização e aqui foram sepultados depois de uma vida dedicada às missões. E entre eles tantos mártires, santos, animados pelo Espírito de Deus em consumir-se pelo Evangelho!
Inspirados na Campanha da Fraternidade sobre a Amazônia e no tema mundial das missões foi que as Pontifícias Obras Missionárias do Brasil propuseram neste ano o tema: “Deus ama sem fronteiras: da Amazônia para o mundo!”
Esse tema revoluciona a costumeira visão que se tem da Amazônia como o local apenas necessitado de missionários, padres, evangelizadores para olhar para a situação contrária: dessas igrejas da Amazônia já deveria haver missionários não só para as nossas cidades e periferias a serem evangelizadas, mas teríamos também pessoas (padres, religiosos e leigos) disponíveis para serem enviadas por nós para ajudar na evangelização do mundo.
De uma Igreja que amadurece se espera justamente vocações para as diversas funções e missões, ao mesmo tempo em que não se aguarda que tenhamos todas as necessidades de evangelização resolvidas para só depois enviarmos missionários. Os documentos da Igreja lembram sempre que somos chamados a “dar de nossa pobreza”, partilhar o pouco que temos. Temos certeza de que o Senhor nos abençoará ao ver esses gestos de partilha!
Que a consciência missionária seja ainda mais aprofundada neste final de semana e nos ajude a ser e formar comunidades missionárias junto com a Rainha da Amazônia!
Dom Orani João Tempesta, 57, Arcebispo de Belém (PA) e presidente da Comissão Episcopal para a Educação, Cultura e Comunicação da CNBB.
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