Institucional

“Francisco e Teresa na Vocação Shalom”, por Emmir Nogueira

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baluartesEm 1980, não conhecíamos praticamente nada sobre a vida de São Francisco de Assis e de Santa Teresa. A cidade de Fortaleza não era a mais bem suprida com relação a livros. Em 1981, eu fui a uma excursão da Renovação Carismática Católica pela Europa (nesta época, eu já conhecia o Moysés, já éramos amigos há 4 anos). Eu fui a Assis, na Itália, e fiquei encantada com São Francisco, a sua vida, as ruas por onde ele andou, as pedras em que ele colocou a mão. Eu andava pela cidade passando as mãos nas paredes, andando descalça, porque, de repente, Francisco tinha posto os pés ali.

Eu trouxe de Assis uma cruz de São Damião e a dei de presente ao Moysés. Ele nunca a tinha visto e, para ser sincera, eu também não. A primeira vez que eu vi esta cruz foi em Assis. Lembro-me que quando fiquei na frente do crucifixo de São Damião, eu não queria mais sair, não conseguia. Depois, eu atravessei a cidade toda perguntando onde era o convento de Santa Clara, porque lá está a cruz de São Damião e eu queria novamente rezar diante dela.

Esse foi o primeiro contato mais palpável que tivemos com Francisco. Logo depois, foi lançado o filme Irmão sol, irmã lua. Um dia, Moysés me telefonou e disse: “Emmir, está todo mundo indo ver o filme Irmão sol, Irmã lua. Você tem que ir, hoje é o último dia”. Foi um dos momentos em que eu me vi entre o meu trabalho, minha responsabilidade, minha obrigação e aquela graça que estava tomando conta de mim, que era a graça da vocação. Então eu fui ver o filme, e não era apenas eu quem chorava, éramos umas 15 pessoas, todas sentadas perto uma da outra, no Cine São Luís.

Francisco entrou na nossa vocação assim, pela beleza e radicalidade evangélica do seu chamado, o tirar a roupa na praça e dizer: “O meu pai agora é Deus”. Nós herdamos de Francisco esse amor pela pobreza, a percepção de que a obra de Deus só pode acontecer se formos pobres. Há toda uma influência da minoridade franciscana nas nossas Regras, nos nossos Estatutos, na nossa espiritualidade, no espírito do nosso fundador. Moysés, além de ser um extraordinário homem de fé, é um homem que sabe exatamente que ele não é nada. Pela vida do Moysés, eu tenho aprendido que quanto mais você percebe que não é nada, mais você confia em Deus. Isso nós herdamos de Francisco: o sentido da minoridade, da fé, do louvor. A oração fervorosa, espontânea e a vida fraterna de Francisco também nos atraíram imensamente, bem como a fraternidade e o entranhado sentido de serviço e amor incondicional à Igreja.

Eu estava em casa, e o Moysés me ligou dizendo: “Emmir, reza, porque eu vou falar com Dom Aluísio sobre a Comunidade”. Quando eu comecei a rezar, Deus me deu uma palavra clara: a espiritualidade! “Diga ao Moysés que fale com o bispo sobre a espiritualidade”. Ora, eu não fazia ideia de que uma vocação tinha uma espiritualidade. Nós estávamos começando, a lanchonete já tinha sido inaugurada. Eu corri para o telefone para tentar alcançar o Moysés antes que ele saísse de casa, e disse-lhe: “Moysés, Deus me disse para você falar com o bispo sobre a espiritualidade”.

Moysés foi e perguntou a Dom Aluísio se ele tinha alguma sugestão, alguma orientação. Dom Aluísio é franciscano, detalhe importante, e ele, que é doutor em espiritualidade, disse ao Moysés: “Leiam Santa Teresa D’Ávila”. Eu quase tive uma síncope, porque, naquela época, naquele exato momento, eu estava lendo o livro Caminho de Perfeição, e estava no capítulo sobre a humildade, só que eu não conseguia passar dele. Eu pensava: “É duro demais! Essa mulher é exigente demais”. Eu via a obra com a linguagem barroca, muito rebuscada, o assunto muito difícil e uma espiritualidade que eu dizia “meu Deus, como é que alguém vai conseguir viver isso?”. Pois bem, eu estava exatamente nesse drama com o livro quando Moysés chegou com essa notícia. Na época, resolvemos comprar o primeiro exemplar dos Escritos de Santa Teresa de Jesus.

Santa Teresa e São Francisco nos influenciaram imensamente, caíram no coração do Moysés e no meu coração e moldaram os nossos corações, não para que fôssemos franciscanos ou carmelitas; mas, dessa junção de Teresa, de Francisco, da espiritualidade da Renovação e do espírito do fundador, surgiu isso que hoje nós chamamos espiritualidade Shalom.

Maria Emmir Nogueira, cofundadora da Comunidade Católica Shalom

Este artigo está disponível na edição de outubro da Revista Shalom Maná. Saiba mais sobre esta publicação:

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