Formação

Frei Patrício: A Trindade é uma Comunidade de amor e de vida

Esta é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, uma Comunidade de amor e de vida. Dentro de nós que mora a Santíssima Trindade e a transforma totalmente em docilidade, em escuta e em amor.

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A Igreja é sempre atenta ao caminho litúrgico do novo de Deus durante todo o ciclo do ano. Depois de celebrar o mistério pascal, nos preparamos para celebrar também a festa da “Família Divina”. Uma festa única na qual dobramos os nossos joelhos diante do Pai, do Filho e do Espírito Santo, único Deus em três Pessoas iguais e distintas. Deus é Deus. Todas as vezes que fazemos o sinal da Santa Cruz, recordamos com alegria toda a família santa de Deus.

O orgulho humano muitas vezes a rejeita o Mistério, por este ser como algo que é contra a nossa inteligência. Não saber de tudo é um ato de verdadeira humildade que agrada a Deus e aos outros. Sabemos que a palavra “Trindade” não se encontra na Bíblia. Por que a teologia da Igreja fala de Trindade se não existe na Bíblia? É verdade que não está na Bíblia, mas existe fortemente nos livros seja da Antiga Aliança e especialmente na Nova Aliança, pela qual Jesus mesmo fala do Pai, de Si mesmo e do Espírito Santo. E, principalmente, nos ensinamentos do grande teólogo e místico Paulo, que inicia suas cartas dando Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Esta é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, uma Comunidade de amor e de vida. Dentro de nós que mora a Santíssima Trindade e a transforma totalmente em docilidade, em escuta e em amor. Vejamos o que diz São João da Cruz: “Se a alma, com efeito, não se transformasse nas três divinas pessoas da Santíssima Trindade num grau revelado e manifesto, não seria verdadeira e total a sua transformação”.

Deixa-te transformar

Se queremos progredir no caminho da santidade que Deus nos oferece, são necessárias duas atitudes fundamentais que sempre devemos seguir sem medo:

  1. Deixar-se transformar por Deus para que todo o nosso agir seja orientado pela Glória de Deus, pelo amor ao próximo e para o nosso bem pessoal. Deus sempre nos quer felizes e realizados através da vivência das bem-aventuranças.
  2. Não abandonar nunca o caminho do amor e permanecer sempre abertos à luz do Espírito Santo que nos ajuda a discernir o que e como devemos fazer nas situações concretas da nossa vida.

É necessário viver com coerência a Palavra e a vida. Não podem existir divórcios, mas comunhão e união na nossa vida. Santidade não é um dicionário de belas palavras, é realidade de vida feita de amor e de paz.

Moysés subiu sozinho no monte

É um dos textos mais belos da Escritura, no qual Deus mostra todo o Seu amor a Moisés, com quem fala como um amigo, com o seu amigo face a face, sem meias palavras e sem medo. Moisés sobe sozinho no monte do Senhor e leva consigo as tábuas em que eram escritas as Dez Palavras que seriam luz para todo o povo e para toda a humanidade. Deus passa na frente de Moisés revelando-se com uma narração descritiva quem é Ele. Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: ‘Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel’ (Ex 34,6).

Quando queremos conhecer Deus, devemos voltar a ler, escutar e meditar este texto e, diante desta revelação de Deus, o ser humano não poderá nunca mais ter medo de Deus que julga com amor, perdão e nos doa o Seu amor. O Salmo responsorial é um trecho do maravilhoso Cântico de Daniel que louva, bendiz e canta as maravilhosas  manifestações do amor de Deus.

Deus Pai, Filho e Espírito Santo habitam em nós

No fim de sua Segunda Carta aos Coríntios, Paulo nos convida a ver em todos não competidores, mas irmãos e irmãs habitados pelo Deus vivo, irmãos e irmãs que caminham conosco na construção do Reino novo, instaurado por Cristo Jesus. Devemos saudar-nos não de forma profana, mas de forma santa, e dar entre nós o “beijo santo”. Esta belíssima expressão de Paulo recorda o beijo traidor de Judas e os seus mesmos beijos de traição a Cristo na perseguição quando era ainda judeu.

No mundo em vivemos, somos filhos de uma cultura “descristianizada”, “profaníssima”, sem Deus. Devemos ter a coragem de anunciar Jesus sempre, até nas saudações. “Bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, isoladamente, não dizem nada. Mas “bom dia, Deus te abençoe”, “boa tarde, Jesus te bendiga”, “boa noite e que os anjos te protejam”, significa muito para quem tem fé.

Deus enviou, por amor, seu próprio filho

O amor pode ter várias gradações, mas o maior sinal de amor é dar a própria vida e a do próprio Filho gerado no amor. Este é o amor de Deus para conosco, e João Evangelista proclama com força e coragem no seu Evangelho: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu próprio filho unigênito…” (Jo 3,16).  Mas qual o caminho da Salvação? Crer em Jesus de Nazaré, Filho de Deus, que foi enviado para nos salvar e nos dar a vida com a própria vida; “Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. “Também nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos” (1Jo 3,16). Esse é o grande segredo do Evangelho que sempre vai fermentando a humanidade com novo vigor. Às vezes queremos “dulcificar” o Evangelho segundo os nossos gostos, dizendo que devemos reinterpretar o Evangelho para saber o que a Bíblia quer dizer. Estas teorias vêm de corações e cabeças que não creem em Jesus de Nazaré e no amor do Pai que nos deu o seu próprio Filho por amor e com amor. Os santos não eram bons exegetas, mas sabiam viver a palavra de Jesus, como diz Francisco de Assis: sine glossa, sem acréscimo. “Todos os livros me cansam”, dizia Teresa do Menino Jesus, “menos o Evangelho, nele encontro tudo o que eu quero”.

A Palavra de Deus nos pede hoje para pararmos um pouco e com Moisés, pensar em Deus fiel, misericordioso; com Paulo, a pensar no nosso aperfeiçoamento, na concórdia e na paz; e com o Evangelho, a agradecer a Deus por ter nos dado a Sua vida em Cristo Jesus. Só seremos felizes e salvos se crermos não com a boca, mas com a vida.


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