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Frei Patrício: A única resposta que Deus espera de nós é “aqui estou”

“Eis-me aqui!”, esta é a resposta que os profetas dão diante da mensagem de Deus, esta é a resposta que a Virgem Maria dá ao anjo, é a resposta que o próprio Jesus exige dos seus Apóstolos quando os chama, e é também a resposta que Jesus dá ao Pai que O enviou ao mundo. 

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Vivemos como sempre temos vivido, em uma luta interior entre a nossa vontade e a vontade de Deus. Nem sempre é fácil descobrir a vontade de Deus sobre a nossa vida e muito mais difícil ainda sobre a vida dos outros. Normalmente, Deus não pede coisas fáceis aos que Ele ama, mas sempre coisas difíceis, e as mais difíceis. Isso porque sabe que devemos esvaziar os nossos desejos e sonhos, para acolher o Seu projeto, em que, está escondida a nossa inteligência humana. 

Para se convencer disto, é suficiente ler a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse, a vida dos santos e os livros sobre o discernimento. No fim, a cruz faz parte da pedagogia de Deus, que nos purifica, para que sejamos uma transparência do Seu amor. 

Eis-me aqui

O amor e a cruz sempre nos transfiguram e nos tornam luz divina que rompe as trevas da humanidade. A resposta que Deus espera de nós, em todos os momentos que nos chama, não é um longo discurso filosófico e dialético, mas uma simples resposta composta de duas palavras-chave que escondem toda a obediência e disponibilidade com a vida. Elas são: “Eis-me aqui”. 

Muitas palavras não são nunca sinal de amor concreto. Muitas vezes nos deixamos levar por uma loquacidade que quer explicar o inexplicável, fazendo um giro de palavras que não dizem nada. Em outras vezes, buscamos interpretações até encontrarmos aquela que explica a nossa incoerência humana e espiritual. É necessário, porém, voltar ao Evangelho puro, no qual as palavras comunicam o essencial e não são papel de embrulho de nada. 

“Eis-me aqui!”, esta é a resposta que os profetas dão diante da mensagem de Deus, esta é a resposta que a Virgem Maria dá ao anjo, é a resposta que o próprio Jesus exige dos seus Apóstolos quando os chama, e é também a resposta que Jesus dá ao Pai que O enviou ao mundo. 

Quando demoramos muito para responder, acabamos ou por não fazê-lo ou adiamos de tal forma que pode nos faltar tempo, pois a morte fecha qualquer possibilidade de responder ao chamado de Deus.

Sabemos como somos apavorados por uma palavra que é bíblica e que tem um sabor de eternidade, de para sempre. Nós corremos atrás do fantasma da felicidade, o alcançamos, mas o que acontece é, na verdade, o seu reverso: corremos para mais longe da cruz e da cotidianidade, na qual somos chamados, sim, a viver a felicidade. 

A felicidade está dentro do nosso coração, mas a jogamos fora por causa do pecado. Peçamos ao Senhor a coragem de responder a sua Palavra com alegria e prontidão, sem pestanejar nem discutir. Que nós possamos dizer-Lhe: “Eis-me aqui, Senhor!” Desse modo, Deus vai nos surpreender com Sua misericórdia, concedendo-nos mais do que esperamos. Dizer “Eis-me aqui” é assinar uma página em branco para Deus. Confiemos, como nos diz Santa Teresa d’Ávila, que Ele, o Senhor, é bom pagador. 

Ser pobre no coração, isso é santidade

“Lucas não fala duma pobreza ‘em espírito’, mas simplesmente de ser ‘pobre’ (cf. Lc 6,20), convidando-nos assim a uma vida também austera e essencial. Desta forma, chama-nos a compartilhar a vida dos mais necessitados, a vida que levaram os Apóstolos e, em última análise, a configurar-nos a Jesus, que, ‘sendo rico, Se fez pobre’ (2Cor 8,9). Ser pobre no coração: isto é santidade. ‘Felizes os mansos, porque possuirão a terra’”. (GE 70)

Este número é ágil e seco, mas essencial. Antes de mais nada, nos faz notar que o evangelista Lucas, que assimilou a mentalidade grega e vem de um mundo diferente, quando fala das bem-aventuranças, não usa a palavra “espírito”, mas somente “pobres”. Com isso, abre uma outra porta importante para compreendermos a pobreza como mistério e também como caminho de santidade. 

Não é necessário viver apenas “a santa indiferença”, mas saber compartilhar os bens que temos com os que não têm nada. Sem esta maneira de viver a pobreza, as portas do céu se mantêm fechadas. Há um direito fundamental que é o direito à vida, à comida, à moradia, aos medicamentos, ao estudo. Para ser concreto, ele exige partilha e participação. Não se pode ser feliz sozinho. Devemos, pois, buscar a felicidade de todos.

Estou aqui

As leituras deste segundo domingo da Quaresma nos convidam a examinar a nossa consciência e ver como estamos diante de Deus. Se estamos disponíveis para dar a Ele tudo o que o Senhor quer, mesmo que seja o nosso único filho, que amamos mais do que a todos. Com esta expressão “único filho”, devemos entender tudo o que ocupa o nosso coração e é o nosso único amor. Só é possível fazer isto, se somos capazes de responder, desde o início, com um generoso “Estou aqui. Fala, Senhor”. 

Abraão, nosso pai na fé, modelo de relacionamento com Deus, primeiro entre os que não negaram nada a Ele, nos ensina a não discutir com Deus, a não colocar nenhum porém, mas a dizer “Amém, Senhor”.

Para todos nós existe o nosso monte Moriá, em que se deve subir e oferecer o que se tem de mais precioso. Deus, vendo a nossa generosidade, envia um anjo para nos devolver tudo com abundância. Não se pode negar o amor.

O Salmo 115 é uma resposta do homem ao chamado de Deus: “Andarei pelos caminhos do Senhor”. Caminhar nos nossos próprios caminhos é perigoso, pois eles não levam a nada, já os caminhos do Senhor, mesmo desconhecidos, são sempre fonte de luz.

Com Deus nada temo

Em poucas linhas, o apóstolo Paulo coloca sete pontos de interrogação, perguntas que esperam uma resposta, que ele sabe qual é. Também nós devemos dar a nossa resposta pessoal, cheia de fé, esperança e amor. 

A resposta é que com Jesus não podemos nem devemos ter medo de nada nem de ninguém, nem mesmo dos nossos pecados, que são os piores inimigos que podemos ter. Pela morte de Jesus na cruz, somos salvos pelo seu Sangue para sempre. 

Deus nos amou e nos ama tanto, que está disposto a tudo, até o sacrifício do Seu único Filho. Abraão também estava disposto a dar o seu único filho a Deus Pai, que, por Sua vez, deu o Seu único Filho nas mãos dos algozes, para que nós fôssemos salvos. O amor de Deus e a força do Cristo venceram para sempre a morte com a ressurreição. O pecado foi assim derrotado.

Cantemos em todos os momentos de nossa vida o nosso hino de vitória! A cruz e a ressurreição venceram a morte! Esta também é nossa vitória!

Pedro não sabia o que dizia

Neste domingo, a Igreja nos convida a ler o texto de Marcos sobre a Transfiguração de Jesus no monte Tabor. Sem a fé, no entanto, não se pode compreender esse acontecimento. Mas, com ela unida ao amor, tudo se faz claro na nossa pobre inteligência. 

A vinda de Jesus é a síntese entre o Antigo e o Novo Testamento. Para que isso seja comprovado, aparecem, ao lado de Jesus – Salvação e liberdade plena –, Moisés, que é a Lei, e Elias, que é o profetismo. Os discípulos, dando testemunho de tudo isto, não sabem o que dizer. Eles são como tontos, entre incredulidade e fé. Pedro é então tomado de medo e alegria, desejando, assim, fazer três tendas, a fim de não se separar de tão bela contemplação. É no silêncio do mistério que se ouve a Palavra do Pai, que consagra o Seu único Filho, Jesus, para a Sua missão: “Este é o meu filho amado. Escutai o que Ele diz.”

Palavra que ilumina a semana

Encontre um momento de silêncio para escutar a voz de Jesus, que convida você à santidade, a fazer o bem e a proclamar, a anunciar o Evangelho.


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