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Frei Patrício: A Virgem Maria nos espera nos céus

Hoje, celebramos a Solenidade da Assunção ao céu da Virgem Maria, nossa mãe. Esta é uma festa bela, em que contemplamos a nossa vocação humana cristã.

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Sabemos como o mês de agosto é importante para a Igreja do Brasil. Este é o mês vocacional, no que se reflete não somente sobre as vocações dos sacerdotes ou da vida religiosa, mas sobre todas as vocações, uma vez que todos são chamados a ser santos, pessoas animadas pelo Espírito Santo, caminhando com alegria para a nossa morada definitiva, o céu.

Hoje, celebramos a Solenidade da Assunção ao céu da Virgem Maria, nossa mãe. Esta é uma festa bela, em que contemplamos a nossa vocação humana cristã. Também hoje se celebra o dia dos consagrados e consagradas, que são todas as pessoas que, escutando o chamado de Deus, deixam tudo por um amor apaixonado por Jesus, que os chama também a servir aos outros como anunciadores do Evangelho, como servidores dos mais pobres, das crianças, e o fazem com um amor especial. Vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica sobre a Assunção.

“‘Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte’. A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:

‘No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás-de livrar as nossas almas da morte’” (CIC 966).

Cuidado com as propostas enganadoras

“Neste contexto, desejo chamar a atenção para duas falsificações da santidade que poderiam extraviar-nos: o gnosticismo e o pelagianismo. São duas heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade. Ainda hoje os corações de muitos cristãos, talvez inconscientemente, deixam-se seduzir por estas propostas enganadoras. Nelas aparece expresso um imanentismo antropocêntrico, disfarçado de verdade católica. Vejamos estas duas formas de segurança doutrinária ou disciplinar, que dão origem ‘a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar. Em ambos os casos, nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente’” (GE, 35).

Começamos o segundo capítulo da Gaudete et Exultate, o qual é importante ser lido e meditado com bastante atenção. Ele nos fala sobre os inimigos da santidade. Devemos estar sempre alertas para descobrir as propostas enganadoras quanto a nossa fé. Pensar que a santidade se adquire a preço barato é um grande engano. Pensar que para alcançar a santidade e a comunhão com Deus basta fazer exercício de yoga é um outro engano. Pensar, ainda, que a santidade desce do céu como chuva é mais um engano. Se queremos viver o Evangelho e anunciá-lo aos que encontramos no nosso caminho e queremos ser pessoas que buscam com verdade a Deus, devemos arregaçar as mangas e trabalhar bastante, vencendo as propostas fáceis que encontramos por aí. Nunca as coisas sérias, como o estudo e o trabalho profissional, surgem com facilidade.

É preciso determinação, coragem e perseverança

O Filho foi arrebatado para o céu Convido você, leitor(a), a ler todo o capítulo 11 e também o 12 do Livro do Apocalipse, para que possa compreender a beleza da visão que teve o evangelista João, exilado na Ilha de Patmos. Ele viu uma mulher que estava grávida prestes a dar à luz, que foi levada ao deserto. Viu também o dragão que queria devorar a criança, que foi arrebatada para o céu, diante do trono de Deus. Sabemos que a Igreja sempre leu esses textos em leitura mariológica e cristológica. O dragão é fácil de compreender quem seja. Ele é o diabo, que tenta devorar Jesus com as tentações, mas nunca o conseguirá, pois a força de Deus sempre o protegerá. O Senhor Jesus foi vitorioso sobre o diabo e sobre a morte.

Contemplar a Virgem Maria, que está vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Que beleza! Como é bela a Virgem Maria, nossa mãe, que esmagará a cabeça da serpente que tenta envenenar a nossa vida com o pecado e com o mal. A Assunção é a vitória final sobre a morte para todos nós.

O Salmo responsorial é o grande Salmo lido em chave mariológica, de uma beleza única do amor entre a rainha e o rei, entre Maria e Jesus, seu filho e seu Salvador. Cristo, o primeiro Ressuscitado Ninguém pensa com alegria na morte, mas existem momentos em que, querendo ou não, somos obrigados a pensar nela, como faço agora, em que estou escrevendo em plena pandemia do coronavírus. Não sei como estará o mundo agora, quando você lê esta reflexão.

O ser humano tenta se alienar do pensamento da morte, pensando em outras coisas que, muitas vezes, não levam a nada. É salutar pensar na morte, porque compreendemos a fragilidade da vida e ao mesmo tempo vemos que estamos no caminho para uma vida diferente. A vida eterna é um valor do qual nem sempre estamos conscientes. O apóstolo Paulo nos fala de Jesus, o vencedor da morte com a sua Ressurreição. Assim, também nós venceremos a morte, crendo e tendo a certeza da ressurreição. Nós o professamos todas as vezes que rezamos o Credo: “creio na ressurreição dos mortos”.

O nosso Magnificat na vida e na morte

O evangelista Lucas, sensível à vida da Virgem Maria, nos oferece o Magnificat, que é a mais bela oração que, todos os dias ao entardecer, a Igreja canta com alegria para agradecer pelo dia passado e com os olhos fixos no futuro. Podemos considerar o Magnificat como o credo da Virgem Maria, que canta as maravilhas que o Senhor nela operou: a causa da sua pobreza e da sua humildade. Recorda que Deus faz cair dos tronos os poderosos e exalta os pobres, dando a eles a certeza do amor de um Deus Pai que nunca abandona os que sofrem. No Magnificat cantamos também a fidelidade de Deus, para que não esqueça o que prometeu a Abraão e que de geração em geração mantém a sua fidelidade por todos os tempos. A Solenidade da assunção ao céu da Virgem Maria nos anima a continuar o nosso caminho de fé, de esperança e de amor.

Frei Patrício Sciadini, OCD


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