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Frei Patrício: A vitória é sempre da vida

Basta olhar para a história da humanidade para nos convencermos disso. Depois de milhões de anos, a raça humana continua viva.

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Entre a morte e a vida há uma luta aberta. Às vezes, nos parece que a morte ganha e com larga diferença, mas é apenas aparência. A vitória é sempre da vida.

Basta olhar para a história da humanidade, para nos convencermos disso. Porque depois de milhões de anos, a raça humana continua viva, buscando sempre caminhos novos para conviver na paz e na construção de um mundo melhor.

Esta certeza não vem somente pela fé, mas também pela ciência, pela realidade que podemos constatar em todos os momentos. Nenhuma catástrofe natural tem tido o poder de anular a vida sobre a Terra. Isto quer dizer que a força da vida é maior que a da morte.

Um medo obscuro

Mas, tem um porém. Parece que o arsenal das armas que os poderosos da Terra têm detém o poder de destruir mil vezes mais que todos os terremotos que poderiam acontecer de uma só vez. As armas atômicas, por exemplo, estão aí guardadas para uma guerra destruidora.

Mas por que esta loucura? Medo de quem?

A resposta é: de nós mesmos.

A natureza se rebela contra o ser humano. A voz do Papa, da Igreja, das pessoas que têm um pouco de cabeça, grita contra esta monstruosidade das guerras, mas os chefes de Estado, surdos e com o coração e a cabeça de pedra, vão acumulando morte e medo. É uma triste realidade.

Somos todos frágeis, mas chamados à santidade

Este é um tempo precioso para entrarmos dentro de nós mesmos e tomarmos consciência da nossa fragilidade. Um mosquito tem mais poder sobre a vida do que uma arma. Ele o pica e você pode morrer em segundos. E o mosquito não pede licença para ninguém para entrar em casa nem tem necessidade de passaporte, nem de visto.

Pode ser que o meu discurso seja uma fantasia, mas me parece que se queremos vencer a morte com a vida, o único caminho é não ajudar a morte a se fortalecer, mas ajudar a vida, com a vitamina do amor e da paz.

“Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.” (Gaudete et Exsultate, 14)

Toda pessoa é chamada a ser santa. Ser santo não é fruto da universidade, da cultura, mas do amor, que é dom de Deus que inunda os nossos corações. Estou pessoalmente convencido de que há muitos santos mais santos do que os que são proclamados santos pela Igreja.

Ainda vai passar muito tempo para chegarmos a esta realidade, mas um dia devemos romper todos os muros e barreiras que são fruto do orgulho humano, e não do amor de Deus.

O Espírito de Deus nos fará ressuscitar

Vivemos em um cemitério de vivos que andam por aí comemorando, vendendo, lutando para sobreviver, vivos nos corpos e mortos no espírito. Deus vai enviar sobre estes mortos-vivos e vivos-mortos o seu Espírito de vida nova, e todos poderemos, com a graça de Deus, sair dos nossos sepulcros para anunciar a todos um novo tempo, feito de fraternidade, de paz, de justiça.

Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos, precisamos somente crer que é possível nos libertar dos nossos pecados, das amarras que nos prendem e nos escravizam.

Quando o Espírito de Deus entra em nós, a vida nova brilha nos nossos corações, e juntos vamos construindo uma outra civilização: a do amor.

O Salmo 130 nos convida a cantar a misericórdia do Senhor, que existe para se manifestar e se manifesta na vida nova, fruto de penitência e de conversão.

Romper com a carne e buscar o essencial

Paulo não manda recados, diz a verdade, assim como ela é. Quem está debaixo do domínio da carne, isto é, dos desejos que nascem do pecado, não pode agradar a Deus.

Não é suficiente sermos batizados. Para vencer o mal que está em nós, é preciso enfrentar uma luta constante até o fim da vida; mas esse é também, o primeiro passo para sermos livres.

Paulo nos diz que o cristão não está mais debaixo do poder da carne, porque a Ressurreição de Jesus destruiu a morte e nos deu a vida em plenitude.

Se Cristo vive em nós, nós somos novas criaturas. Com a vida dentro de nós que deve se revelar, ser manifestada por meio de obras boas, de palavras boas, todo o nosso ser é chamado a ser viva transparência da Ressurreição de Jesus.

Não teria sentido crer em Jesus, se a nossa vida continuasse como se fosse sem Ele.

Quais são as suas cegueiras?

Paulo fez a experiência de Deus na sua vida. Ele era morto, cego, fundamentalista. Combatia a todos os que acreditavam em Jesus, mas, quando O aceitou, tudo mudou e ele mesmo, com vida nova, anunciou a todos o mistério da Ressurreição.

É isto que cada um de nós deve fazer, não com palavras, mas com a vida.

Em Cristo, podemos nascer para a verdadeira vida

Jesus passou toda a Sua vida nesta Terra fazendo milagres, ressuscitando mortos, multiplicando pães, expulsando demônios, e curando os enfermos. Não teria sentido nem nos animaria continuar a nossa missão se não pudéssemos realizá-los também.

Ele operou milagres com sabedoria, dando prova de Seu poder e deixando a nós a fossilidade de operar os mesmos milagres no corpo e no espírito.

Amo muito a Ressurreição de Lázaro, porque apresenta muitos ensinamentos que nos ajudam no nosso caminho humano. Nos faz compreender a ternura e beleza da amizade de Jesus com Lázaro, a beleza da acolhida e hospitalidade, a tristeza quando morre um amigo.

Nos ensina a não ter vergonha de chorar pela perda das pessoas queridas, pois Jesus também chorou. Nos faz compreender também que Jesus é força que cura as feridas da alma e do corpo provocadas pelo pecado.

Mas, além de tudo isso, é especialmente um trecho da vida de Cristo em que Ele nos fala da Sua missão de vencedor da morte: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

Coragem!

A luta contra a morte em todas as suas manifestações continua, é nossa obra de cooperar com Deus e com todos os que defendem a vida. A morte é derrota. A vida é a vitória!


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