Formação

Frei Patrício: Deus não perde a batalha e nem a guerra

Uma das características mais belas de Jesus e de quem O segue é de nunca desanimar e nem deixar passar sequer pela cabeça que o mal será vitorioso. Nunca! As vitórias do mal são aparentes e momentâneas. Já as vitórias do bem e da verdade são para sempre e permanentes.

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Há um ditado de que eu gosto muito, porque tenho a cabeça dura, de forma que preciso de muito tempo para me convencer de uma verdade, que é: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. O tempo do Advento e o tempo da Quaresma são gostas de água divina que batem forte no telhado da nossa cabeça e do nosso coração, até que nos convencemos de que é necessário nos converter e mudar de vida. Deus não desiste de nos chamar a atenção diante dos nossos pecados, de nos oferecer a Salvação e a vida plena, que nos vêm da rocha viva, que é Jesus.

Deus não perde nem a batalha nem a guerra. Ele é sempre vitorioso, mesmo que às vezes não pareça. Nestes últimos tempos, temos visto muitas coisas na Igreja de Deus e ainda veremos outras que fazem o mal. Devemos, portanto, rezar muito, para não nos escandalizarmos, pedir também a Deus que nos proteja e que estas coisas não aconteçam conosco e que, se por acaso vierem a acontecer, sejamos humildes para nos converter.

Uma coisa é certa: Deus não tem medo do pecado, Ele veio para destruí-lo e, no lugar do pecado, fazer florescer a santidade e dar frutos. O tempo do Advento é chamado “tempo forte”, “tempo de graça”, quando cada um de nós deve viver alerta, para saber reconhecer a nossa fragilidade e do que temos necessidade para sermos cristãos de verdade e não de aparência, ou ainda, como diz o Papa Francisco, cristãos de água destilada.

O mal não vence jamais

Uma das características mais belas de Jesus e de quem O segue é de nunca desanimar e nem deixar passar sequer pela cabeça que o mal será vitorioso. Nunca! As vitórias do mal são aparentes e momentâneas. Já as vitórias do bem e da verdade são para sempre e permanentes.

O mundo vai mal? Não. O mundo vai muito bem, quem vai mal é o ser humano. Porque somente ele pode fazer o bem e o mal; pode destruir e construir. As leis da natureza, por sua vez, sabem como se equilibrar, se não forem perturbadas pela maldade humana. Pensamos, com a nossa inteligência, que consertamos as coisas, mas, na verdade, fazemos o contrário, as levamos à ruína.

Cristo vive!

Vivemos, sem dúvida, um momento delicado da nossa história, em que a Igreja como sempre não pode se cansar de anunciar o bem através de todos os meios. Como é bela a exortação apostólica Cristo Vive, sobre a juventude! Há muitos padres, e me disseram que até mesmo Bispos por aí, dizem que este documento é para os jovens e não para os que já estão velhos, maduros e supermaduros. Nada disso! É um documento dirigido a todos os que amam uma Igreja jovem e que querem vê-la sempre assim.

Você já leu esse documento? Se não leu, se confesse desse pecado, e se o leu, o comunique a todos. Natal é juventude da Igreja de Jesus. Deus nunca envelhece, porque é amor. Deus não perde nem batalha nem guerra; Ele ganha sempre, e nós, com Ele, ganharemos sempre. Hoje, que celebramos a solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, lha dizemos: “Maria, todo o nosso agradecimento e amor por nos ter dado Jesus.”

Como é belo o messias

A figura do Messias se ergue diante de nós como a do jovem cheio de sabedoria, de retidão, de justiça. A sua Palavra defende os pobres, os oprimidos. A Sua vida é cheia de beleza e de santidade. O Messias não escutava nem a direita nem a esquerda. Ele não tinha favoritismo, uma vez que só ama a verdade e o bem.

Na Terra, será estabelecida a paz universal. Por isso, a criança poderá brincar com os animais venenosos, o bezerro deitará junto do leão. Estas são imagens que podem nos fazer sorrir, porque estamos perdendo a simplicidade, o amor e a harmonia com o universo. É tempo de agir, cuidando desde o nosso quintal, dos rios da Terra, mas especialmente cuidando de quem vive conosco e ao nosso lado, retomando a simplicidade perdida.

Vem, Senhor da Paz e da Justiça

Muitas vezes, o salmista canta a justiça, a paz e a verdade. A poesia não tem fim nem limite, busca sempre a luz. Os cantos deveriam ser sempre oração. A Comunidade Shalom, como também outras comunidades, nos oferece uma nova maneira de salmodiar. São novos salmos que colhem a vida de cada dia e a transformam em oração. Eu sou desafinado como sino rachado, mas me delicio com os cantos.

O apóstolo Paulo, na sua Carta ao Romanos, nos dá uma série de dicas concretas para fazer acontecer o mistério de amor. Acolhermos uns aos outros, servir como Jesus, nos amarmos, nos perdoar, consolar uns aos outros, ter unidade de voz e coração no louvor a Deus, enfim, várias formas de amar a Deus. Eis o que devemos fazer para que a paz aconteça.

Não podemos viver a paz de Jesus se brigamos para ver quem vai possuir até mesmo um “copo de plástico”. Quando nos amamos, somos capazes de perder e renunciar às coisas da Terra pelos bens do Céu. Jesus não dá presentes deste mundo, mas aqueles que vêm do Céu: paz, alegria, perdão e amor. Não os guarde para você, mas os passe para frente.

Coragem para anunciar a Palavra de Deus

Hoje, há poucos Joões Batistas, ou seja, poucas pessoas que não tenham medo de dizer a verdade sem buscar os holofotes, a atenção das rádios, das câmeras de TV e de outros meios de comunicação. Para dizer a verdade com coragem, é necessário, antes de tudo, irmos ao “deserto”, fazer um bom retiro, tendo como mestre o Espírito Santo, nos despedindo de todo luxo e conforto, e depois voltar no meio do povo dizendo o que Deus nos manda dizer com voz forte e corajosa. Devemos fazê-lo sempre sem ódio e partidarismo, o que não é sempre fácil.

O profeta João Batista sabe que não é Jesus, que é apenas aquele que prepara os caminhos, liberando a estrada e preparando os corações, anunciando que toda árvore que não der frutos será cortada, que somos uma raça de víboras e que vivemos mergulhados nos compromissos que não levam a Deus.

Nesta solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, aprendamos com ela a em tudo ser conduzidos pelo Espírito Santo, rumando à santidade, vocação de todos. “Maria, que soube descobrir a novidade trazida por Jesus, cantava: ‘o meu espírito se alegra’ (Lc 1,47) e o próprio Jesus ‘estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo’ (Lc 10,21)” (Gaudete et Exsultate, 124)


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