Formação

Frei Patrício: É tempo de partir para uma nova missão

É tempo de partir para uma missão que seja extraordinária, se Deus chama você, ou para uma missão ordinária na vida diária no seu trabalho, na sua família, em todos os lugares.

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Este é o último domingo de outubro, mês cheio de motivações para sermos melhores. Quero, então, nomear algumas delas, para que possamos entrar em novembro, mês de todos os santos, com o pé direito e com o coração aberto e cheio de amor.

Neste ano, o Papa proclamou o mês de outubro como o mês missionário, especialmente para relembrar os cem anos da promulgação da Maximum Illud, Carta Apostólica do Papa Bento XV. Além disso, este é o mês do Rosário pelo qual a presença da Virgem Maria nos estimula a vencer todas as dificuldades da vida. Esta é a oração mais simples que pode existir e a mais eficaz. Em todas as aparições, Nossa Senhora convida a rezar o Rosário, que é, como dizia o Papa João XXIII, a Bíblia dos pobres analfabetos.

A exemplo dos santos

Este é também o mês de Santa Teresinha, padroeira das missões, cujas relíquias viajam pelo mundo afora. Sabem onde elas estão neste momento? No Egito, visitando todas as dioceses deste país que a ama e que ela ama. À sua basílica vêm todos para rezar, católicos, ortodoxos, muçulmanos, protestantes. Os amigos ultrapassam as diferenças religiosas  e sempre nos esperam de braços abertos.

É o mês de Santa Teresa de Ávila, a santa que sentiu-se triste, desolada diante das divisões da Igreja e que viu que a única coisa que poderia fazer era rezar por ela. A festa do grande missionário que deveria ser proclamado também como padroeiro das missões, São Francisco de Assis, o homem doce e terno que sabia acalmar os lobos de todas as espécies, celebra-se também em outubro.

Quantos motivos temos para sermos santos, animados discípulos e missionários de Jesus! Motivos para sair pelas estradas do mundo apenas com sorriso e em poucas palavras anunciar que Deus é amor e que nos quer perto Dele, para que O ajudemos a construir um reino de fraternidade universal.

Deus te chama

É tempo de partir para uma missão que seja extraordinária, se Deus chama você, ou para uma missão ordinária na vida diária no seu trabalho, na sua família, em todos os lugares. Onde estiver, deixe o amor falar, abra os seus braços e acolha a todos sem distinção. Eu tenho tido a alegria de ir e vir de muitos lugares cheio de fé, e também de lugares desertos da fé, sempre encontrando pessoas boas, abertas, que me têm acolhido com amor. Sempre me vêm à mente as palavras de João da Cruz, meu mestre e pai no Carmelo: “onde não há amor, coloque amor e receberá amor”. Essa é uma experiência belíssima que também você pode fazer. 

É tempo de partir para a missão. Não se trata, porém, de convencer ninguém a abandonar a sua religião, mas se trata, sim, de ser testemunha crível da verdade, do amor e da paz; acolher para trabalhar juntos para um mundo melhor, para a cultura da vida e da paz. O Evangelho se transmite, como diz o Papa Francisco, por atração, quer dizer, por empatia, por simpatia, pela vida concreta, na qual se passa semeando a esperança e o bem em todos os corações. Um dia, quando chover a chuva do Espírito Santo, estas sementes irão nascer.

Deus é a riqueza para os pobres

Está comprovado pela experiência, pela Palavra de Deus, que o coração dos pobres é mais aberto para acolher o Evangelho. Eles sabem que não podem confiar em nada e muitas vezes em ninguém, mas apenas em Deus. Eles nos recordam Jesus, nos evangelizam, embora no coração dos ricos haja resistência orgulhosa para serem evangelizados por eles, que são analfabetos nas letras e doutos na ciência da Cruz.

É maravilhoso o que nos diz o texto de Eclesiástico sobre a oração dos pobres: “A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, faça justiça aos justos e execute o julgamento” (Eclo 35,21-22).

A oração dos orgulhosos, por seu turno, não chega nem a sair da boca e nem do coração.

Peçamos ao Senhor que nos despoje de todo orgulho, para colocarmo-nos na escola dos pequenos e dos humildes, que têm a chave do Reino de Deus.

A Cruz da solidão é evangelizadora

Paulo está velho, mas não está cansado; está velho, mas não desanimado. Pelo contrário, tem vigor e força interior para lutar contra todos os que impedem o avanço do anúncio do Evangelho. Sente que a morte física e especialmente a morte da sua liberdade missionária estão para chegar, por isso, escreve com coragem, mas também com um ponta de tristeza a seu filho e discípulo Timóteo. Na carta, confessa a sua fidelidade a Deus: “combati o bom combate, conservei a fé” (2Tm 4,7). Este é um testemunho digno de um missionário que deu tudo de si mesmo, sem reservas, para a causa do Evangelho.  

Paulo recorda os que o abandonaram na sua luta em favor do Evangelho e aqueles que o sustentaram nesse seu difícil caminho. Sempre encontramos na vida quem nos apoia e quem tenta de uma maneira ou de outra nos destruir. No entanto, não devemos ter medo, continuando o nosso caminho de anúncio da Palavra de Deus.

Deve-se ser honesto consigo mesmo

A parábola da oração do publicano e do fariseu é como uma faca de dois gumes: de um lado, nos colocamos logo a criticar o fariseu, que reza com orgulho e soberba, e de outro, defendemos o publicano que não levanta o olhar para o céu. Mas quem são eles e onde moram? Em cada um de nós, há um fariseu escondido e um publicano humilhado. O que é necessário fazer é ser sincero com Deus e com os outros. O fariseu dizia a verdade, mas desprezava o publicano, que rezava com verdade, confessando ao Senhor a sua pobreza e pecado. Ele era, pois, sincero e se tinha convertido. Devemos evangelizar o fariseu que há em nós, para que continue a fazer o bem, mas sem desprezar os demais.

Escola de Oração

“A Maria, nossa Mãe, confiamos a missão da Igreja. Unida ao seu Filho, desde a encarnação, a Virgem colocou-se em movimento, deixando-se envolver-se totalmente pela missão de Jesus; missão que, ao pé da cruz, havia de se tornar também a sua missão: colaborar como Mãe da Igreja para gerar, no Espírito e na fé, novos filhos e filhas de Deus”. (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2019).


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