Formação

Frei Patrício: Maria, centro de unidade de comunhão

Depois da Ressurreição, quem é a pessoa central na comunidade cristã como ponto de comunhão, de união e de oração? A Virgem Maria. É ela que reúne os discípulos medrosos e os convida a rezar, a não fugir e a esperar a vinda do Espírito Santo. Maria é mestra de santidade e, com sua ternura materna, nos convida a nunca deixar o desânimo estar em nosso meio.

Dennis Callahan Photos | CC

Um dos meus leitores me puxou as orelhas, dizendo que até agora nestes comentários do mês de maio, mês da Virgem Maria, eu não falei dela como deveria. Será que esfriou o meu amor pela mãe de Jesus, mãe nossa e mãe e rainha do Carmelo? De jeito nenhum! Este amor está vivo e forte mais do que nunca. Eu quis simplesmente dar espaço à presença de Jesus Ressuscitado, mas todos nós sabemos que, falando de Jesus, falamos da mãe de Jesus e, falando da mãe de Jesus, falamos de Jesus. Eles são inseparáveis.

Um mês dedicado a Maria

O mês de maio é todo dedicado a Maria como peregrina na fé, como aquela que sabe dizer um sim incondicionado à vontade de Deus, aquela que se coloca a caminho para ajudar a sua prima Isabel. Maria está sempre presente para nos esconder debaixo do seu manto dos ataques do mal. Como porta do céu, tem também a chave para nos fazer entrar nele, que é rezar por nós agora e na hora da nossa morte. É difícil para nós brasileiros não ter um amor especial por Nossa Senhora, porque toda a nossa história eclesial e humana nasce à sombra da presença de Maria, protetora do nosso Brasil. 

Recordo um dia nas minhas andanças pelo Brasil, na terra de Minas Gerais, fui visitar uma pessoa enferma e depois alguém me disse “na porta ao lado, tem um homem idoso, doente, mas é protestante. Quer visitá-lo?” É claro que fui, porque estou convencido de que no paraíso não tem um lugar reservado para os católicos, outro para os protestantes, e um outro para outras religiões. Estaremos lá em perfeita harmonia e comunhão, pois todos os homens e mulheres de boa vontade estarão sempre juntos.

Nessa visita, depois de conversar um pouco com ele, fiz o gesto de ir embora, e ele me disse: “Frei, eu sou protestante, mas será que o senhor poderia rezar por mim uma Ave-Maria e pedir a Nossa Senhora Aparecida que me dê saúde? Eu não posso nunca esquecer Nossa Senhora, mesmo sabendo que não devo crer nela.” Eu, então, rezei com ele e dei-lhe a bênção. Pedi ao Senhor que tivesse piedade dele e que o protegesse. Soube depois que tinha recuperado a saúde. A virgem Maria nunca nos abandona.

Depois da Ressurreição, quem é a pessoa central na comunidade cristã como ponto de comunhão, de união e de oração? A Virgem Maria. É ela que reúne os discípulos medrosos e os convida a rezar, a não fugir e a esperar a vinda do Espírito Santo. Maria é mestra de santidade e, com sua ternura materna, nos convida a nunca deixar o desânimo estar em nosso meio.

Qual é a medida da santidade? 

“O desígnio do Pai é Cristo, e nós Nele. Em última análise, é Cristo que ama em nós, porque a santidade ‘mais não é do que a caridade plenamente vivida’. Por conseguinte, ‘a medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, desde quando, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a Sua’. Assim, cada santo é uma mensagem que o Espírito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e dá ao seu povo.” (Gaudete et Exsultate, 21)

Diz um ditado que, nos vasos pequeninos, se conserva o melhor perfume. Às vezes, pensamos que um livro de muitíssimas páginas é melhor e mais importante que um livro pequenino. No entanto, ao tomarmos os Evangelhos separados, cada um não supera cinquenta páginas, com um conteúdo que nunca terminaremos de conhecer e de viver.

Este número 21 é importante, porque nos diz qual deve ser a medida da nossa santidade: “a medida de Cristo Jesus”. Toda a nossa vida deve ser vivida à luz da Palavra do Evangelho, de forma a mais nos cristificarmos e mais sermos semelhante a Jesus de Nazaré, Palavra feita carne. Desse modo, tudo o que Ele tem feito nós também, na proporção da nossa fé, podemos fazê-lo. “Vocês farão obras maiores do que eu faço”. Depende apenas do amor que temos no coração. Façamos do Evangelho o livro da pedagogia da nossa santidade. Que palavra por palavra seja fermento para a nossa vida nova.

Onda os apóstolos passam tem alegria

A conversão não é problema de cabeça e de ideia, mas de amor, de coração. É atração. Vendo a vida dos verdadeiros cristãos, os que não são cristãos se convertem e vivem com amor a Palavra de Deus. Quem crê na Palavra do Senhor vê dentro de si e ao seu redor muitos milagres, curas físicas e espirituais, mudança da maneira de pensar e de agir. Não devemos buscar os grandes milagres, mas os milagres “microscópicos”, frutos da força do Espírito Santo, que desce em nós.

É bonito o gesto dos Apóstolos que impõem as mãos, invocando a plenitude dos dons do Senhor sobre os que creem. Hoje em dia, se crê pouco no Espírito Santo, cremos no que vemos, mas não no que não vemos. É tempo de voltarmos a crer no Espírito Santo que fecunda a vida, que ilumina a nossa missão, que dá força para sermos fiéis. Onde há um cristão, há alegria, paz, justiça, o próprio Espírito Santo.

O Salmo 66 é um convite a cantar as misericórdias do Senhor, que sempre cuida de nós. Devemos, pois, louvá-Lo não somente por nós, mas por toda a humanidade, mesmo por aqueles que não conhecem a Deus. Há no coração de todos sementes do bem que ficam na espera da chuva do Espírito Santo para germinar e produzir frutos.

Adoremos Jesus nos nosso corações

No tempo pascal, a primeira Carta do apóstolo Pedro é o centro da nossa atenção. Ele tinha feito a experiência pessoal da misericórdia de Jesus e da Sua divindade e humanidade. Tinha vivido com Jesus, que, embora houvesse a fragilidade de Pedro, o escolheu como chefe da nova comunidade, da Igreja.

Pedro nos convida a adorar Jesus nos nossos corações: “Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir.”

Cada um de nós deve dar razão da sua fé com a Palavra e com a vida; e a melhor maneira para dar razão não é discutir, mas crer e viver.

Se me amais

O coração do Evangelho de João, os pulmões de todo o ensinamento de Jesus é, sem dúvida, o capítulo 15. Nele, respiram-se o amor, a docilidade, o dom do Espírito Santo. Entrar neste capítulo e vivê-lo é fazer desde já a experiência do paraíso aqui e agora.

Não quero comentar o texto do Evangelho, porque é o próprio Jesus que o comenta com a sua Palavra e com a Sua vida: “Se me amais, observais meus mandamentos”. O amor à Palavra não serve. É preciso traduzi-lo em atos e isto só é possível com a força do Espírito Santo.


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