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Shalom apresenta “O Canto das Írias” na Fundação Casa

“Era possível ver em muitos olhares o pedido de socorro: me ajuda eu não consigo sozinho”

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Imagem retirada da internet.

A Comunidade Shalom, missão de Santo André, esteve presente na Fundação Casa, em São Bernardo do Campo, para uma partida de futebol e para a apresentação do espetáculo “O Canto das Írias” nos dias 17 e 25 de fevereiro. O objetivo era criar uma aproximação com os jovens para a realização de outras atividades

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Apresentação do Espetáculo “O Canto das Írias”.

Em todo o estado de São Paulo, mais de nove mil jovens entre 12 a 21 anos, se dividem em cerca de 150 centros socioeducativos da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Fundação CASA), entidade que atua na aplicação de medidas socioeducativas a menores infratores.

A Fundação Casa foi criada em substituição à antiga Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (Febem). Após um alto índice de rebeliões que desgastaram a imagem da FEBEM, os novos centros passaram por uma ampla reformulação na política de atendimento. Inclusive com a sua descentralização de unidades que proporcionou aos menores a oportunidade de estar mais próximos de suas famílias e da comunidade, como forma de facilitar a sua reinserção social. Hoje, cada unidade pode abrigar no máximo 56 adolescentes, reduzindo assim um dos antigos problemas: a superlotação.

Mesmo com as diversas mudanças e os avanços reconhecidos pela sociedade em geral, desde a desativação dos antigos complexos em 2005, ainda há muito trabalho e dificuldades em oferecer condições efetivas de recuperação aos jovens, que vão desde as atividades socioeducativas dentro da instituição até a condição de boas propostas de emprego e estudo após o período de internação.

É um trabalho que exige empenho e dedicação de toda a comunidade e não apenas dos órgãos públicos, exige principalmente um olhar de MISERICÓRDIA a estes jovens, com pessoas que apoiem firmemente a possibilidade de mudança, que acreditem neles e, principalmente, que demonstrem que não estão sozinhos nesse percurso de volta à dignidade.

A espera pelo tempo de Deus

Foram oito anos de espera até que de fato a Igreja Católica estivesse presente na Fundação Casa, em São Bernardo do Campo. Shirley Claudino da Silva, encarregada de área técnica na unidade, conheceu o espetáculo “O Canto das Írias” e desejou que ele pudesse ser apresentado aos jovens internos. Um convite foi feito ao responsável local da missão de Santo André do Shalom, Paulo Ygor, e a partir daí teve início um processo de negociação entre os missionários e a coordenação da Fundação, para que esse desejo pudesse ser concretizado.

A primeira tentativa de apresentação não foi bem sucedida. Não apenas por dificuldades burocráticas e técnicas, mas também porque era necessária uma maior preparação espiritual. O espetáculo vai de encontro com a realidade de todo ser humano, as maiores dores e desafios. Como apresentar isto aos jovens sem que fosse gerado um sentimento maior de revolta? Era preciso mais engajamento do corpo comunitário para que se unisse em oração e intercessão pelos jovens e pelos envolvidos.

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Selfie de Fernanda Rocha com membros da Comunidade Shalom e da Fundação Casa.

Fernanda Rocha, coordenadora do ministério de Promoção Humana em Santo André, destaca que “houve muito mais engajamento e disponibilidade dos irmãos” nessa segunda tentativa. Mas para ela “a principal diferença foi colocar em prática aquilo que Deus havia falado na primeira vez: para nos unirmos em oração, nos fortificarmos. Precisávamos estar fortalecidos espiritualmente para realizar essa ação,” completa.

Pedido de ajuda

Era hora de partir em missão. Primeiro com o futebol, onde eles poderiam conhecer uns aos outros, criar um vínculo. Marco Antônio Freire de Araújo, discípulo da Comunidade de Aliança, esteve presente nesta ação e conta que “o primeiro contato com os meninos foi a princípio um pouco tímido, pois não sabíamos qual seria a reação deles tanto quanto a nossa. Porém me surpreendi e pude constatar na face de muitos a inocência e o sentimento de culpa por ter feito a coisa errada”. Entre as partilhas feitas com os meninos “era possível ver em muitos olhares o pedido de socorro: me ajuda eu não consigo sozinho”, completa.

Uma nova chance

Após o futebol era o momento da ação kerigmática, voltada para a evangelização não só dos jovens, mas também das famílias que estavam presentes no dia do espetáculo. Shirley se alegrou ao ver a concretização de seu desejo. “Foi maravilhoso, intenso, tocou muito. Fala muito da realidade, de todos nós, não apenas dos meninos e foi ao mesmo tempo muito leve”, conta.

Ela destaca a importância deste momento para os jovens internos.
“Quando o adolescente estiver fora daqui e estiver na vida dele não vai parar pra pensar e entender com o que ele está se envolvendo. Esse contato com Deus que eles tiveram proporciona essa reflexão: o que eu estou fazendo? Não é o fim do mundo,” destaca. E completa: “Eu posso repensar as minhas escolhas, encontrar um novo caminho e para isso eu tenho pessoas que estão dispostas a me ajudar.”

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Apresentação do Espetáculo “O Canto das Írias”.

Logo após o espetáculo, Thiago Moreno, neodiscípulo da Comunidade de Aliança, fez um momento de partilha e oração com os presentes. De maneira humilde, Thiago se colocou em posição de igualdade com aqueles jovens, pois ainda que não estivesse atrás das grades como eles, se reconhecia tão pecador quanto aqueles meninos. “Sem dúvida, eu creio de todo meu coração em “qualquer um”, não importa a condição que a pessoa chegue eu sempre vou acreditar que com a Misericórdia de Deus ela pode ser transformada. Eu me coloco sempre no lugar de cada um, porque de fato não há diferença entre nós”, destaca.

Quantos de nós muitas vezes nos esquecemos desta realidade e caímos no erro de julgar as atitudes e escolhas do outro? “Acredito que mesmo tendo sido alcançado pela graça do Amor de Deus ainda permaneço na condição do mais fraco, sou frágil e necessitado da graça de Deus a cada dia. Quando assumimos essa nossa condição, quebramos as barreiras para nos aproximar e partilhar o evangelho,” enfatiza Thiago.

Para o diretor da unidade, Israel Campos Dias, o resultado foi muito positivo. “Eu vejo assim, o trabalho quando é feito em prol da comunidade, do ser humano, o resultado nunca é ruim né? (sic) é sempre muito bom. Quando se fala então da parte espiritual das pessoas, isso tem ainda um valor muito maior. Porque todo mundo acredita em um ser e acreditar em Deus é a melhor coisa que existe”, afirma.

O próximo passo da Promoção Humana em Santo André, é a organização de um grupo de oração semanal. Sendo que ao menos uma vez ao mês seja realizada uma missa, para que esses jovens possam ter também a graça da reconciliação por meio da Confissão.

 


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