No dia 13 de novembro, pra você que não sabe – assim como eu não sabia – , celebra-se o dia Mundial da gentileza. Essa palavra que deriva do Latim gentilis, que quer dizer : “da mesma família ou clã”, de gens, trazendo uma idéia de nobreza, de bem-tratar os outros¹.
É legal entender gentileza como sendo algo “da mesma família”, Porque o Papa Francisco discursando sobre a vida cotidiana da família disse que as três palavras-chave para alcançar a boa convivência familiar, seriam: com licença, obrigado e desculpas. Deve ser esse o segredo para um bom convívio na sociedade. Se eu procurasse ser gentil, com as pessoas que encontro na rua, ou com as quais convivo, assim como procuro ser gentil com meus familiares, com certeza o mundo pelo qual eu círculo seria um lugar muito melhor pra se viver.
O Papa ainda discursa sobre as três palavras dizendo o seguinte:
Licença: “Quando nos preocupamos de pedir com gentileza também aquilo que possivelmente pensamos poder pretender, colocamos uma verdadeira ‘barreira’ no espírito da vida matrimonial e familiar. Entrar na vida do outro, mesmo que faça parte da nossa, requer a delicadeza de um comportamento não invasivo”.
Obrigado: “Às vezes achamos que estamos nos convertendo em uma civilização de más maneiras e más palavras, como se isto fosse um sinal de emancipação. A gentileza e a capacidade de agradecer são vistas como um sinal de fraqueza e às vezes despertam inclusive a desconfiança”, ressaltou o Papa Francisco.
Desculpa: Francisco indicou: “É uma palavra difícil, é verdade, mas necessária”. “Quando falta, as pequenas rachaduras se ampliam e terminam transformando-se em profundos buracos…O fato de reconhecer ter uma falha é de alguma maneira desejar restabelecer aquilo que faltou -respeito, sinceridade, amor- e querer ser perdoado. E assim se detém a infecção, mas se não somos capazes de pedir desculpas, não seremos capazes de perdoar”.
Um grande bispo, São Francisco de Sales, costumava dizer que “a boa educação é já meia santidade”. Talvez porque a boa educação -a gentileza – passe pelo processo de perceber o outro na minha vida, de enxergar o outro – e dar espaço para ele muitas vezes- , e de tratá-lo como pessoa e não como objeto. De procurar ser na vida dele e deixar que ele seja na minha. Pois é disso também que consiste o caminho da santidade; perceber o outro na minha vida e não tratá-lo com indiferença. Perceber Deus na minha e não tratá-lo como objeto.
Gentileza não é aquilo que eu “faço” pelo outro, mas aquilo que eu sou para outro, aquilo que sou na vida do outro quando ele passa pela minha vida. Porque em uma família quando se acaba a obrigação do “fazer”, permanece aquilo que se é. E o que se “é”, é muito mais importante do que aquilo que se faz. A saudade por exemplo se dá por aquilo que a alguém foi na nossa vida, e não simplesmente por aquilo que fez.
Comecemos então a cultivar a semente da gentileza no chão por onde passamos. Por acaso a palavra “cultivar” vem do Latim cultura, que significa: “ato de plantar e desenvolver plantas, atividades agrícolas”. Portanto, que a gentileza que é uma forma de amar, se torne uma cultura em nossas vidas, e que o amor que tem o poder de transformar o mundo cresça a partir de nós.
