Formação

Graça, graça, graça!

comshalom

Seção "Entrelinhas" da Recista Shalom Maná – Ed. Shalom, julho 2008

 Ao recordaros feitos de Deus em nossos 25 anos de fundação, nosso fundador, durantepalestra para as autoridades da comunidade, repetia, convicto, emocionado eenfático, que tudo em nossa vida era “graça, graça, graça, graça, graça…graça!” De fato, ao ver nossa fraqueza, nossas confusões em nível pessoal ecomunitário, só nos resta constatar que toda a obra de Deus em nós e através denós é pura graça. Eis porque dá ganas de ficar repetindo “graça, graça,graça…” em uma tentativa de enfatizar o quanto tudo não passa de … Graça!

 Nofechamento das celebrações deste jubileu, olhando para os últimos 365 dias, nãohá como não constatar que Deus, que jamais se deixa superar em generosidade ebondade, superou a Si próprio prodigalizando nosso ano jubilar com uma grandechuva de… Graças! Esta constatação da ação evidente da graça nas famílias,nos grupos de oração da Obra, na comunidade, na evangelização, no serviço aospobres, leva-me a meditar no quanto todos nós, dentro e fora da comunidade,precisamos aprender a contar com a graça, abrirmos a ela as portas de nossavida concreta e colaborar com ela com todo o nosso coração.

 Sei quetodos os católicos crêem na graça de Deus. Mas, será que todos nós contamos comela concretamente no nosso dia-a-dia? Um exemplo simples: ontem à noite, aosair de uma festinha de aniversário, veio-me invocar os Santos Anjos aodesligar o alarme do carro. Ao preparar-me para sair da vaga – sabe Deus porquê– resolvi dar passagem a uma Hilux ameaçadora, o que não durou mais que trêssegundos. Tal diferença tão ínfima impediu-me de pegar de cheio um jovemciclista que vinha a toda velocidade na contramão. Coincidência? De jeitonenhum! Habilidade da motorista? Fora de cogitação. Presteza do ciclista? Nempensar! Quando viu o carro, desgovernou-se e caiu estatelado a dez centímetrosdo pára-choque. A explicação é “graça, graça, graça”. A graça de Deus que, emSua providência, nos acompanha sempre, atenta, pressurosa, prestimosa.

 Outro diaestava relendo acerca de Pelágio e sua heresia que afirmava ser o homem capazde salvar-se por suas próprias forças. Era lá pelo ano 400 e, condenada peloSínodo de Cartago, já devia ter desaparecido do coração dos homens. O problema,porém, pelo menos hoje, não é mais a heresia, pois todos sabem que a salvação éfruto da graça de Deus e nossa colaboração com ela. O problema é aquela faltade fé e de confiança em Deus que insistem em tomar o coração do homem e abrotar permanentemente de seu orgulho e auto-suficiência. Pior! O orgulho eauto-suficiência, a falta de fé e confiança daqueles que até dizem que contamcom a graça de Deus, até rezam!, mas que, no concreto do agir e do esperar,simplesmente apressam-se em suas decisões e ações e agem como se Deus não osfosse socorrer com sua graça. Na verdade, até o que consideramos “demora deDeus” é, já, Deus a responder às nossas necessidades segundo Seu plano paranossa felicidade.

 O nãoesperar na graça é, na verdade, não crer nela. É não perceber o quanto tudoconcorre para o nosso bem, para a nossa salvação. Quantas vezes, após escutaralguém expor sua dor e seus desafios, contemplo a decepção no seu rosto ao meouvir dizer: “Reze! Peça a Deus! Confie Nele!”. Que decepção! Então eu nãoteria – perguntam alguns – uma receitinha mágica, uma palavra que solucionetudo, um conselho que coloque tudo a limpo? Querem a solução imediata e nãocrêem na oração deles próprios porque não crêem nem esperam na… Graça!

 O opostotambém acontece: além dos que não crêem e esperam na ação da graça que lhe édada, há também os que não crêem e não enxergam a ação da graça que lhe foidada. Contabilizam seus feitos e sucessos como se fossem seus, frutos de seusesforços, seus estudos, seus méritos, suas inteligências, como se tivéssemosalgo, a mínima coisa, que não nos tivesse sido dada do céu!

 Há aindaoutra atitude: os que crêem na graça, mas crêem de forma errada, pois nãocolaboram com ela. Não buscam na oração e na Palavra a atitude que Deus esperadeles naquele momento em que tanto precisam e vão metendo as mãos pelos pés,seja porque se agitam e precipitam indevidamente contando com o que pensam sera graça, seja porque se paralisam achando que a graça não supõe a natureza. Nocaso do quase-atropelamento que narramos acima, a graça de Deus interveioquanto ao tempo, ação de Deus indispensável para evitar o acidente, mas eu tiveque frear o carro e o rapaz a bicicleta, ações igualmente indispensáveis e quecabiam a nós.

 Crer nagraça, viver na graça, contar com a graça, esperar na graça, confiar na graça,reconhecer com humildade à ação da graça de Deus são atitudes em falta hoje,mesmo em meio aos batizados. Essas atitudes todas são um aprendizado. Oprimeiro passo, essencial, é a fé. Com ela e através da oração se vai dando osoutros passos e se vai aprendendo que, durante um jubileu ou fora dele, paranossa alegria, tudo é graça, graça, graça!


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