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Heróis da Fé: A história da criança chinesa que protegeu Jesus Eucarístico até o martírio

Quanto à identidade desta heroína da fé, cabe perfeitamente recorrer a uma expressão costumeiramente utilizada diante daquilo que ultrapassa o entendimento humano: “Deus sabe”.

Foto | Unsplash

Quando falamos sobre super-heróis, quais nomes vêm primeiro à sua cabeça? Homem de Ferro, Naruto, Batman, Viúva Negra, Wolverine, Arqueiro Verde, Thor, Superman, Mulher Maravilha, Flash? 

E quem já ouviu falar, por exemplo, de Adam Warlock, Cavaleiro da Lua, Estrela Polar, Hyperion, Capitão Britânia, Espectro ou Quasar? Estes são os super-heróis quase anônimos, conhecidos apenas pelos fãs que não só assistem os filmes produzidos pela Marvel ou DC, mas realmente mergulham no universo das HQ’s. Na história da Igreja, também é mais ou menos assim.

 Desconhecidos, mas não menos heróis

Há alguns fiéis que foram canonizados, ou seja, que receberam oficialmente o reconhecimento de sua santidade, após um longo processo de estudo sobre seus passos na fé. Dentre estes, há os santos mais populares, como são Francisco de Assis, santa Rita de Cássia, santa Teresinha, são José, são Judas Tadeu, santo Antônio de Pádua, são João Batista, santo Expedito e santa Luzia.

Há também santos menos conhecidos dentre os fiéis brasileiros, como, por exemplo: santo Albino, santa Clotilde, Santa Úrsula Ledochowska, santo Elói, santo José de Cupertino, são Leonardo de Noblac, são Nicéforo, são Charbel Makhlouf e são Nimatullahque.

Por fim, existem os “santos escondidos”, que talvez nunca chegarão às honras dos altares, mas que, pelo testemunho concreto de vida cristã, exalaram seu odor de santidade nesta terra.

Dentre estes, de alguns sabemos ao menos o nome, e talvez até tenhamos convivido com pessoas desse tipo na nossa família, na paróquia ou na comunidade da qual fazemos parte, entretanto, há uma categoria de santos que Deus amou tanto, que quis preservar suas identidades somente para Ele.

Uma santa mulher de nome desconhecido

A história de hoje é um dos casos como o descrito acima: uma heroína da fé da qual não conhecemos nem o nome, mas que teve sua vida marcada com o mais belo sinal de heroísmo que um cristão pode merecer: o martírio.

Quem difundiu esta história foi o Servo de Deus Fulton Sheen, arcebispo americano em processo de beatificação, que talvez também seja pouco conhecido pela maioria dos católicos brasileiros, mas que, pouco antes de morrer, nos deixou este testemunho que, segundo ele, é o seu maior exemplo de amor pela Eucaristia.

Perseguições e fé

Em meados do século XX, os comunistas tomaram o poder na China e iniciaram uma grande perseguição aos religiosos, padres e fiéis católicos. Dentre os sacerdotes perseguidos, um deles foi preso na sacristia de sua própria paróquia e viu quando os soldados que invadiram aquele templo, profanaram o sacrário, jogando as hóstias no chão. O sacerdote sabia que havia exatamente 32 partículas no cibório.

Uma menina, que aparentava ter entre nove ou onze anos (nem isso sabemos ao certo!), que estava rezando escondida nos fundos da igreja, viu o que os soldados fizeram e conseguiu fugir sem ser notada.

À noite, quando os guardas caíram no sono, ela retornou à igreja e se dirigiu cuidadosamente às partículas que permaneciam abandonadas, para fazer uma adoração de cerca de uma hora, em reparação pelo sacrilégio cometido. Em seguida, inclinou-se com a boca ao chão e comungou uma das hóstias. Naquela época, não era permitido a um fiel tocar na Eucaristia com as mãos.

Este mesmo ato foi repetido durante um mês. Todas as noites a garota entrava escondida na igreja, adorava Jesus Eucarístico e comungava uma das hóstias. Porém, na última vez, após consumir a derradeira partícula, ela se descuidou e fez um barulho que despertou um dos guardas. Ele conseguiu capturá-la e golpeou-a inúmeras vezes com a coronha de sua arma, levando-a à morte.

Uma poderosa hora de adoração

O sacerdote, que ainda se encontrava preso à sacristia, pôde observar por todo aquele mês os atos de coragem e piedade daquela pequena fiel. Por fim, sentindo-se completamente impotente e horrorizado com tamanha crueldade, tornou-se testemunha daquele terrível martírio. 

Tempos depois, o relato chegou ao conhecimento de Dom Fulton Sheen, que, sentindo-se profundamente tocado por aquele exemplo, prometeu a Deus fazer uma hora de adoração diária diante do Santíssimo Sacramento, pelo resto de sua vida. Ele chamava este momento de “A hora do poder”. Dom Sheen propagou esta devoção a Jesus Eucarístico por onde passou.             

No que diz respeito à garotinha chinesa, continuamos a desconhecer o seu nome, a sua idade, o seu rosto ou a sua origem, todavia, este desconcertante exemplo continua a reverberar pelo tempo, encontrando eco em corações como o do Servo de Deus Fulton Sheen. 

Deus conhece os altares escondidos

Ademais, quanto à identidade desta heroína da fé, cabe perfeitamente recorrer a uma expressão costumeiramente utilizada diante daquilo que ultrapassa o entendimento humano: “Deus sabe”. Sim, Ele sempre sabe! E, no fim das contas, é isso que realmente importa: a onisciência divina sobre tudo o que acontece com os santos dos altares ou os que, misteriosamente, permanecerão anônimos, até o céu.

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