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Heróis da Fé: José Sánchez, o jovem mártir mexicano que não negou a fé

Joselito, como é conhecido no México, aos catorze anos, preferiu o martírio à negação do reinado de Cristo em sua vida.

Todo herói que se preze tem uma missão, que é o sentido de sua existência, pela qual vale a pena arriscar tudo, inclusive a própria vida. Com os heróis da fé não é diferente. Todos eles possuem uma missão, que, no caso, pode ser realizada de diversas formas, porém, com um objetivo em comum: anunciar Jesus Cristo à humanidade. Que grande responsabilidade!

Desde os primeiros heróis da fé – os discípulos de Cristo -, a vida não foi fácil. Tendo o seu Mestre enfrentado sozinho um dos impérios mais grandiosos de toda a história, impulsionados pelo mesmo espírito de Jesus, os primeiros cristãos se confrontaram com perseguidores, homicidas, caluniadores, ladrões, incendiários e tantos outros opositores que desejavam sua aniquilação simplesmente porque anunciavam a Boa Nova do Evangelho.

O jovem mártir mexicano 

Vinte séculos depois, o nosso herói de hoje também viveu tais perseguições por causa de Jesus. Trata-se de José Luiz Sánchez del Río, um jovem mexicano que, aos catorze anos, preferiu o martírio à negação do reinado de Cristo em sua vida. José Sánchez nasceu em Sahuayo, no México, em 28 de março de 1913, e teve uma vida comum a qualquer outro garoto mexicano de sua época. Estudou no próprio vilarejo onde nasceu e ali ingressou na Associação Católica da Juventude Mexicana.

Em 1924, foi eleito como presidente do México o capitão Plutarco Calles, que logo mostrou-se como um ditador, instituindo, em 1926, várias leis anticlericais em seu mandato, como, por exemplo, a proibição dos sacerdotes usarem batina em vias públicas e pena de prisão de cinco anos aos padres que criticassem o seu governo.

A população mexicana, em sua grande maioria católica, logo iniciou um levante que protestava contra as tais medidas da Lei Calles, pois o povo desejava viver a sua fé de modo livre. Este movimento ficou conhecido como a Cristiada. Os irmãos mais velhos de José Sánchez se uniram ao movimento em 1926, tornando-se opositores do governo de Calles. Ele, por sua vez, foi proibido pela mãe e pelo general Prudencio Mendonza, um dos líderes dos cristeros, de unir-se aos demais manifestantes, pois tinha apenas treze anos.

Após alguns meses de resistência pacífica, os cristeros iniciaram os combates armados em 01 de janeiro de 1927. Eles decidiram que precisavam realmente lutar pelo direito à liberdade para a Igreja Católica e seus fiéis.

Entrementes, a família de José mudou-se para Guadalajara. Lá, ele visitou o túmulo de Anacleto González Flores, advogado martirizado em abril de 1927, e ali pediu a Deus a graça de morrer como um mártir da fé. Desde então, insistiu tanto, que sua mãe acabou cedendo aos seus argumentos. O garoto reivindicava o seu direito de entregar a vida pela causa de Cristo, e dizia à Maria del Río: “Nunca foi tão fácil alcançar o céu como agora”.

Preso na sacristia da Igreja

Aos sete de fevereiro de 1928, em meio a um combate, José Sánchez entregou seu cavalo ao general Prudencio, que havia perdido seu animal em meio à batalha. Segundo o garoto, o general faria muita falta ao movimento, caso fosse capturado. Sem montaria, entretanto, o jovem acabou preso na sacristia da Igreja de são Tiago Apóstolo, em Sahuayo, mesmo local de seu batismo, anos antes.

José foi submetido a vários dias de uma terrível tortura física e mental, foi espancado e teve as solas dos pés cortadas com uma faca, a fim de renunciar à fé e jurar fidelidade ao ditador Calles, todavia, resistiu até o fim. O torturador foi o seu próprio padrinho de primeira comunhão, Rafael Picazo Sánchez, que, influenciado pelo regime de Plutarco Calles, acabou voltando-se contra seus irmãos de fé. Houve testemunhos de que Picazo, consternado com a situação de seu afilhado, chegou a oferecê-lo vários benefícios, a fim de persuadi-lo à renúncia de suas convicções, porém, o garoto permanecia firme em seus propósitos.

Morro muito feliz, porque morro ao lado do Senhor

Em seus últimos dias, escreveu à sua mãe a seguinte mensagem:

“Minha querida mãe, fui feito prisioneiro em combate neste dia. Creio que nos momentos atuais vou morrer, mas não importa, nada importa, mãe. Resigna-te à vontade de Deus; eu morro muito feliz porque no fim de tudo isto, morro ao lado de Nosso Senhor. Não te aflijas pela minha morte, que é o que me mortifica. Antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais pequeno, e tu faça a vontade do nosso Deus. Tem coragem e manda-me a tua bênção juntamente com a de meu pai. Saúda a todos pela última vez e receba pela última vez o coração do teu filho que tanto te quer e tanto desejava ver-te antes de morrer”.

No dia 10 de fevereiro de 1928, foi escoltado até o túmulo, sendo obrigado a caminhar com os pés em flagelo. Ali, deram-lhe a derradeira oportunidade de renunciar à fé, porém, suas últimas palavras, enquanto era esfaqueado até à morte, resumiram a razão pela qual lutou durante os últimos anos de sua breve vida: “Viva Cristo Rei!” e “Viva a Virgem de Guadalupe!”

São José Luiz Sánchez del Río foi canonizado no dia 16 de outubro de 2016, pelo Papa Francisco. A Cristiada gerou inúmeros outros mártires, como o padre jesuíta Miguel Pro, executado, sem direito a julgamento, em novembro de 1927, e beatificado em 1988. Em 2000, o Papa João Paulo II canonizou mais vinte e cinco sacerdotes mártires desse movimento, e outras 13 vítimas foram beatificadas em 2005, na cidade de Guadalajara.

São José Luiz Sánchez del Río, rogai por nós!

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