“[…] sempre desejei ser uma santa, mas sempre constatei, quando me comparava aos santos, que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha cujo topo perde-se nos céus e o grão de areia obscuro pisado pelos pés dos transeuntes. Em vez de desanimar, disse para mim mesma: o bom Deus não poderia me inspirar desejos irrealizáveis, posso portanto, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade.” (História de uma alma, Manuscrito C)

“[…] eu não preciso crescer, pelo contrário, preciso ser pequena, me ‘apequenar’ cada vez mais.” (Idem)
A pequenez de Santa Teresinha agradou o coração de Deus, que a tornou uma grande santa, ou melhor, uma pequena santa … Não! Uma grande pequena santa? Uma grande santinha? Afinal, Teresinha é pequena ou grande santa?
Agora, é grande! No Reino dos Céus, os pequenos, os menores aqui na terra, são grandes. São os maiores. Teresinha entendeu o ensinamento de Jesus: para entrar no Reino do Céu, precisamos ser pequenos como uma criança. Na verdade, precisamos ser humildes. A humildade agrada o coração de Deus pois nos livra do orgulho de Adão que, sendo homem, queria ser Deus, e nos lança na verdade do que realmente somos: servos inúteis, crianças que precisam do Pai.
O cuidado paternal de Deus se manifesta intensamente àqueles que se fazem como crianças. Belo é ver Jesus que, tantas vezes no Evangelho movido pelo amor compassivo do Pai, dá-se incondicionalmente aos pecadores, aos necessitados, às ovelhas sem pastor.
A humildade, porém, não se conquista só com esforço humano. A humildade se conquista com uma experiência verdadeira de Deus. Alguns, às vezes, no início do caminho de perfeição, até com desejo sincero de coração, lutam pela humildade, pedem-na ao Senhor, lutam para ser humildes mas, muitas vezes, o máximo que conseguem são alguns atos exteriores de “aparente humildade”. Afinal, o próprio desejo de “ser humilde”, ou “o mais humilde” já é orgulho.
Se queres ser humilde, aproxima-te do Senhor. Em pouco tempo verás que a humildade é nada mais que a verdade. “Humildade é caminho para a Santidade”, nos recorda o Papa Francisco. “Quem és tu, Senhor, e quem sou eu?” dizia São Francisco, que se descobriu um pobre pecador, mas que sobretudo, possuía um Pai grandioso e misericordioso. São Francisco encontrou, na oração sincera, a chave para tornar-se o poverelo d’Assisi. A humildade verdadeira se constrói na oração. É diante do Senhor primeiro que, sendo pequeno, o serei diante dos homens. Mas não te esqueças: se desejas o caminho de perfeição, prepara a tua alma para a provação e, com docilidade e amor, acolhe com alegria tudo o que o Senhor te quiser dar. Assim te tornarás feliz e agradável a Deus.
Franco Michel Galdino
Formação mar/2014