Cristo Ressuscitou! Aleluia! Sim, verdadeiramente ressuscitou! Aleluia! Na ocasião da Ressurreição do Senhor, os discípulos receberam a ordem de retornar à Galileia, onde Jesus os precederia e onde eles o encontrariam. Acompanhe esse testemunho até o fim para descobrir o que lá se pode encontrar de bom: “Vinde e vede!” (Jo 1, 46).
“Que se dirijam para a Galileia. Lá me verão”
“Oi, Nilo. Bom dia. Você aceita ir em missão na Semana Santa?” – Escreveu-me Josiana Dias com antecedência. Duas semanas antes, para ser mais preciso. E continuou: “Trata-se de um Retiro de Semana Santa na Paróquia de Pe. Mário”.
Tomando minha agenda como quem tem nas mãos a própria vida (Cf. Sl 118, 109), confirmei para a Coordenação Apostólica minha disponibilidade, anotando o compromisso com muita pressa, o que me fez ignorar onde exatamente ficava a “Paróquia de Pe. Mário”.
Após uma semana, em uma ligação com Pe Mário para acertar detalhes do Retiro, tomei ciência de duas coisas: em primeiro lugar, ele me confiava a pregação de todo o retiro; segundo, estendendo-se de Quinta até Domingo, o evento aconteceria em Portalegre, cidade serrana no Rio Grande do Norte. Entendi então que da parte de Deus se me era proposto viver um profundo mistério pascal.
Para se entender o que quero dizer é preciso “voltar”. Mas, voltar para onde exatamente? Com efeito, Portalegre é de longe, um lugar qualquer na minha história. Ir em missão para lá significou justamente voltar ao lugar onde ouvi a Voz de Deus pela primeira vez, onde o conheci.
Entre 2 e 4 de Julho de 2011 participei lá de um retiro promovido pelo Projeto Juventude para Jesus chamado “PJotão”. Eu fui convidado sob o pretexto de vivenciar grandes aventuras como conhecer cachoeiras e mirantes; ademais, em Portalegre vivenciei meu primeiro encontro com a Pessoa de Jesus Cristo. Isto mudou minha vida.
No Evangelho da Vigília Pascal, ouvimos o Ressuscitado ordenar que os discípulos se dirigissem à Galiléia, pois lá eles o veriam (Cf. Mt 28, 10). Sim, para a Galiléia: para onde Jesus retornou após passar pelo Deserto, que nos remete à Quaresma (Cf. Mt 4,12); para o lugar do primeiro encontro e do convite para segui-lo (Cf. Mt 4, 18ss); das primeiras lições evangélicas (Cf. Mt 4, 23ss); ao Primeiro Amor (Cf. Ap 2,4).
Assim, entre a Quaresma e a Páscoa, entre o Deserto e a Ressurreição, eu retornaria a Portalegre a fim de viver o Retiro de Semana Santa pregando a Palavra de Deus, onde está escrito que “o Cristo devia sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia” (Lc 24, 46). Ou seja, em outras palavras, voltar a Portalegre significou “voltar para a Galiléia”. Ao todo, éramos cinco irmãos enviados para o serviço: eu, Giselle Queiroz (CV), Gustavo Michel (CAl), Juliana Brito e Paulo Henrique. Contávamos também com a coordenação de Pe. Mário (CAl), que lá exerce a função de Pároco.
“Fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa”.
Chegou a Semana Santa e um grande desafio se colocava diante de mim. A respeito das pregações do Retiro, sabia que não dava para preparar tudo de antemão, porque eu mesmo teria de viver o itinerário pascal. Então me coloquei em oração para tratar com o Senhor a respeito de como deveríamos viver o Retiro e a Páscoa em Portalegre (Cf. Mt 26,17).
Sabia que precisava ter um ouvido dócil para levar sua consolação àquele povo (Cf. Is 50, 4). Povo que eu não conhecia, mas o Senhor sim. No recolhimento entendi que Deus desejava este Retiro, desejava estar com eles, e me fez comungar do mesmo sentimento. Então me veio à memória uma Palavra que abriu o Retiro na Quinta: “Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer” (Lc 22, 15).
Forte e de íntimo alcance, essa Palavra adentrou aquele auditório tomando o coração de todos e, de maneira pessoal, também o meu. Sentíamo-nos profundamente amados, sentíamo-nos desejados pelo Senhor. O Senhor nos quis para Ele esses dias de retiro.
Assim, no primeiro dia de Retiro, alcançados pelo amor do Senhor, assumimos juntos um compromisso: viveríamos com fidelidade, piedade e atenção todos os encontros no auditório, os Ritos Litúrgicos na Matriz e o espírito de cada dia. Crianças, jovens, adultos e idosos se comprometeram em vivenciar com o Senhor aquela Páscoa.
“Olhou, e eis que a sarça ardia no fogo”
O Retiro de Semana Santa seguiu a cada dia com dois momentos. Iniciava-se em um auditório com os momentos de meditação da Palavra e de oração; depois, seguíamos para a culminância com o Ato Litúrgico na Igreja Matriz. De tudo quanto vivi relacionado a este Retiro, não podendo tratar de tudo, quero finalizar dando mais um testemunho. Para tanto, menciono uma experiência durante a Via-sacra, na Sexta-feira.
Enquanto meditávamos a 11ª estação – Jesus é pregado na Cruz, recebemos em oração uma palavra profética. Foi proclamado que Deus dava a visualização da Sarça Ardente (Cf. Êx 3). O Senhor dava o entendimento que com esta imagem Ele se referia à Cruz. E dizia: “Quando Eu fincar minha Cruz no terreno de vossas vidas, na terra de vossos corações, sereis terra santa, um solo sagrado. Ninguém entrará nesta terra sem tirar as sandálias, – nem qualquer pessoa poderá entrar –, pois sereis solo sagrado”.
Esta Palavra foi dada a todos como uma Promessa. Na minha vida ela cumpriu-se sete dias depois, na sexta-feira seguinte, dia 14 de Abril. Neste dia, vivenciei minhas Primeiras Promessas no Carisma Shalom. Na Celebração, quando Allan Patrick (RL) impôs-me o Sinal – pondo sobre o meu peito esta Cruz em forma de Tau –, imediatamente me veio a lembrança da Profecia: “Quando eu fincar minha Cruz na terra de vossos corações, sereis terra santa, um solo sagrado”.
Que grande presente me deu o Senhor! Quero dizer, a alguns dias de minhas Primeiras Promessas no Carisma, Ele me enviou em missão para o lugar onde tudo começou. Depois de doze anos que estive em Portalegre, retornar para lá foi uma experiência verdadeiramente pascal. Como os discípulos retornaram para a Galileia, pois lá veriam o Senhor, em Portalegre eu vi o Senhor.
Quanto a mim, decidi escrever esse testemunho em gratidão por tudo o que fez o Senhor na Quaresma, por tudo quanto vivi nestes dias de Semana Santa e Páscoa; pelos irmãos de Portalegre; pelas minhas Primeiras Promessas no Carisma Shalom e porque hoje sou esta “terra santa, solo sagrado”, um homem consagrado ao Senhor.
“A este Jesus, Deus o ressuscitou, e disto nós todos somos testemunhas!” (At 2, 32).
Emanuel Nilo,
Consagrado da Comunidade Católica Shalom


Nilo, que testemunho ardente de tudo o q tu viveu na reta final do tempo pascoal. Quanto amor a Jesus expressado nas palavras vividas. Eu senti, ao lê-lo, que verdadeiramente, de fato, Deus o preparou e o separou para este tempo. Porque Jesus desejou, ardentemente, comer esta páscoa com os portalegrenses; mas, contigo.
Muito obrigada por deixar registrado para que toda a obra Shalom tenha acesso e toque neste testemunho de Cruz e Ressurreição.
Que o nosso Senhor o sustente nesta graça até a Eternidade e a nossa Mãe passe a frente de todas as tuas necessidades para bem viver todos os mistérios como discípulo de Cristo.
Forte abraço
Tamires Paiva, obra Shalom Missão Mossoró.